O amor de Manuel Bandeira em três tempos marcados pelo romance e pela poesia

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Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta pernambucano Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no poema “Três Idades” lembra a sua primeira paixão.

TRÊS IDADES
Manuel Bandeira

A vez primeira que te vi,
Era eu menino e tu menina.
Sorrias tanto… Havia em ti
Graça de instinto, airosa e fina.
Eras pequena, eras franzina…
Meu coração entristeceu.
Por quê? Relembro, nota a nota,
Essa ária como enterneceu
O meu olhar cheio do teu.
Quando te vi segunda vez,
Já eras moça, e com que encanto
A adolescência em ti se fez!
Flor e botão…sorrias tanto…
E o teu sorriso foi meu pranto…
Já eras moça…Eu, um menino…
Como contar-te o que passei?
Seguiste alegre o teu destino…
Em pobres versos te chorei.
Teu caro nome abençoei.
Vejo-te agora. Oito anos faz,
Oito anos faz que não te via…
Quanta mudança o tempo traz
Em sua atroz monotonia!
Que é do teu riso de alegria?
Foi bem cruel o teu desgosto.
Essa tristeza ê que mo diz…
Ele marcou sobre o teu rosto
A imperecível cicatriz:
És triste até quando sorris…
Porém teu vulto conservou
A mesma graça ingênua e fina…
A desventura te afeiçoou
À tua imagem de menina.
E estás delgada, estás franzina…

3 thoughts on “O amor de Manuel Bandeira em três tempos marcados pelo romance e pela poesia

  1. Pasárgada é uma jóia, e passivel de muitas interpretações. Eu acredito que Manuel Bandeira escreveu num momento de desalento, como um desabafo e Pasárgada simbolizava a Paz, a Liberdade.
    Vou-me Embora pra Pasárgada

    Manuel Bandeira

    Vou-me embora pra Pasárgada
    Lá sou amigo do rei
    Lá tenho a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei
    Vou-me embora pra Pasárgada

    Vou-me embora pra Pasárgada
    Aqui eu não sou feliz
    Lá a existência é uma aventura
    De tal modo inconseqüente
    Que Joana a Louca de Espanha
    Rainha e falsa demente
    Vem a ser contraparente
    Da nora que nunca tive

    E como farei ginástica
    Andarei de bicicleta
    Montarei em burro brabo
    Subirei no pau-de-sebo
    Tomarei banhos de mar!
    E quando estiver cansado
    Deito na beira do rio
    Mando chamar a mãe-d’água
    Pra me contar as histórias
    Que no tempo de eu menino
    Rosa vinha me contar
    Vou-me embora pra Pasárgada

    Em Pasárgada tem tudo
    É outra civilização
    Tem um processo seguro
    De impedir a concepção
    Tem telefone automático
    Tem alcalóide à vontade
    Tem prostitutas bonitas
    Para a gente namorar

    E quando eu estiver mais triste
    Mas triste de não ter jeito
    Quando de noite me der
    Vontade de me matar
    — Lá sou amigo do rei —
    Terei a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei
    Vou-me embora pra Pasárgada.

    Eu bem que gostaria de ir para Pasárgada. La veria o dentuço poeta Manuel Bandeira

  2. Beleza de poema – As três idades em que o poeta Manuel Bandeira acompanha a passagem do tempo e a mudança e as mudanças vão aparecendo
    “Era eu menino e tu menina.
    Sorrias tanto…”

    Já eras moça…Eu, um menino…
    Como contar-te o que passei
    Vejo-te agora. Oito anos faz,
    Oito anos faz que não te via

    Que tristeza bonita:
    És triste até quando sorris…

    Cada verso uma lembrança de uma paixão.

  3. Assim eu queri meu último poema:
    Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
    Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
    Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
    A pureza da chama que consome os diamantes mais límpidos
    A paixão dos suicidas que se matam sem explicações.
    Manuel Bandeira

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