O amor, na visão de Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes e Oduvaldo Matta

Resultado de imagem para sob a luz de antaresPedro do Coutto

Enquanto não se define o rumo da segunda denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer, e na cidade do Rio de Janeiro a polícia não prende o homem que é apontado como responsável maior pela invasão da Rocinha, vamos deixar um pouco o campo de Marte para ingressarmos na atmosfera da arte. Na noite de domingo, Fernanda Montenegro apresentou mais um capítulo dirigido por ela sobre Nelson Rodrigues, o homem e sua obra. Desta vez o amor foi o tema, faixa da emoção que envolveu várias peças teatrais do autor de Vestido de Noiva.

No campo da arte, sobre o mesmo tema nos encontramos com Vinicius de Moraes, que, como ninguém focalizou e destacou a importância essencial do amor na condição humana.

No mesmo sentido, campo do amor, podemos incluir a obra do poeta Oduvaldo Matta.

A LUZ DE ANTARES – As obras de Vinicius de Moraes encontram-se contidas na bela edição da Companhia das Letras, que recentemente chegou às livrarias. Apresentação de Eucanaã Ferraz. As obras de Oduvaldo Matta foram relançadas há cerca de 60 dias pela Editora Autografia: “Sob a luz de Antares” é o seu título – e Antares, no poema central, ao mesmo tempo estrela e mulher.

Luz do céu que se transforma em amor, assim ilumina a existência. O livro de Oduvaldo Matta foi editado por seu bisneto Daniel Matta Roque e também por seu filho Olímpio Santa Rita Matta. Bela viagem, digo eu, entre o amor e as estrelas. Vale a pena ler e, sobretudo, sentir a força dos versos.

Nelson Rodrigues nasceu em 1912 e morreu em 1980. Vinícius de Moraes nasceu em 1913 e morreu no mesmo ano da morte de Nelson Rodrigues. Oduvaldo Matta nasceu em 1903 e faleceu em1977. Aproveitando a imagem que partiu do pensamento de Guimarães Rosa, os três artistas permanecem encantados. A arte produz esse efeito. Eis dois exemplos: em Buenos Aires houve-se a voz de Gardel constantemente. Em Lisboa o mesmo fenômeno se dá com Amália Rodrigues. Na Itália hão de surgir outros exemplos. Como o de Frank Sinatra em Nova Iorque. A arte continua além de seus autores e intérpretes.

DIFERENÇAS – Mas há diferenças entre eles. Para Nelson Rodrigues, os casos de amor são base de conflitos. O mesmo pode se dizer de Shakespeare, bastando para isso expor as tragédias de Otelo e de Romeu e Julieta. Não se trata de rejeição ao amor, mas sim dos obstáculos e conflitos que têm origem nos encontros e desencontros do destino.

Para Vinícius de Moraes e Oduvaldo Matta, o sentimento declina para o lirismo, como comprovam as múltiplas músicas inspiradas em suas letras e musicadas por alguns gênios, como é o caso de Tom Jobim.

O amor para Vinícius, em sua frase clássica, diz tudo: que seja infinito enquanto dure. Uma beleza sua obra que toca a emoção como poucas. A obra de Oduvaldo Matta possui forte carga no lirismo que o inspirou, como o poema “Quando a Saudade Vier Me Visitar”, ou “No Espaço Vazio da Despedida”, passando pelo “O Mar, Apelo , Neve do Tempo”, sem se distanciar da ‘Estrela de Antares”. Mas Oduvaldo Motta não se limitou a poesia de rimas. Há poesia em seus ensaios como “Água dos Rios” e “Alvorada”.

No final de sua obra, agora relançada, existem ainda peças como “Balanço de Uma Vida”, “Espectador Sereno do Mundo”, “Retrato” e sua despedida “A Última Reflexão”.

São histórias de amor todas elas sublinhadas pela beleza da arte e pela emoção humana.

One thought on “O amor, na visão de Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes e Oduvaldo Matta

  1. Beleza de crônica, Pedro. Tipo de leitura que eu gosto. Tudo recordações e recordar é viver. Recordar Nelson Rodrigues, Vinicius e Oduvaldo, não tem preço. Obrigada. Parabéns, para você seria supérfluo.

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