O anúncio do Ministério

Carlos Chagas

Quando completar suas escolhas  e anunciar o ministério inteiro, se é que ainda não fez,  o que dirá a presidente Dilma Rousseff, com referência à nova equipe?  Certamente não anunciará “o melhor ministério da história da República”, até porque não é e nem ela parece imbuída dos exageros do Lula.

Falará do “melhor ministério possível”, numa  lembrança das  pressões sofridas e das  ambições sentidas pelos partidos? Também não, porque seria igualar aos demais uns poucos ministros competentes que existem no conjunto, além de comprar briga com os urubus que esvoaçaram ao seu  redor. Também não irá referir-se ao “ministério da experiência”, como um dia Getúlio Vargas definiu seus  primeiros ministros,  deixando claro que em poucos meses mudaria muita gente ou todo mundo. A presidente poderá até dispor dessa intenção, mas jamais a tornará pública.

Sendo assim, o provável é que Dilma apenas se dirija à imprensa salientando: “Esse é o ministério.” E ponto final, até sem particular que “esse é o MEU ministério”. Porque com toda certeza não é.

FALTA UMA RENÚNCIA

Quarta-feira o vice-presidente Michel Temer renunciou à presidência da Câmara, entregando a casa ao substituto Marco Maia, que por sinal será o sucessor, ano que vem. Já tardava o gesto natural e necessário, porque depois de eleito não cabia bem acumular as funções presente e futura.

O problema é saber quando ele renunciará à presidência do PMDB. Ficou clara, nos entreveros para a composição do ministério, a dificuldade em manter um pé em cada margem do rio. Temer sofreu pressões dos companheiros e gerou constrangimento na equipe da presidente eleita, ao tentar  comportar-se  como Juno, aquele personagem mitológico de duas faces. Ou integra o governo ou preside o partido.

Deixando a presidência da Câmara, perdeu a residência oficial, mas breve ganhará outra, até mais luxuosa e bem protegida, o palácio do Jaburu. Mas deixando a presidência do PMDB, não perderá nada. Apenas, dores de cabeça.

EM JANEIRO AINDA DÁ TEMPO

A nova Legislatura começa em fevereiro. Até lá o atual Congresso continua na plenitude de suas prerrogativas. Apesar de estarem  de férias em janeiro, deputados e senadores que foram reeleitos ou perderam os mandatos poderão exercer suas atividades. Bastará uma convocação extraordinária, por iniciativa de José Sarney ou de Marco Maia. Como existem questões pendentes e na próxima semana, por ser do Natal,  não se encontrará  um só parlamentar em Brasília, alguns líderes já cogitam dessa inusitada reunião no primeiro mês do ano. A bancada do Bingo ainda conserva esperanças de virar o jogo. O Orçamento da União, ainda poluído por emendas pessoais de Suas Excelências, provavelmente ficará para depois. Existe, também, a infantil questão da escolha dos gabinetes pelos que estão chegando. Quem estiver aqui em janeiro terá melhores chances de conseguir um local de trabalho com banheiro privativo e janelas dando para o por-do-sol…

DO COMEÇO AO FIM

Felizmente registrou-se uma melhora no estado de saúde de  José Alencar. Se tudo correr bem ele estará em Brasília para a solenidade de transferência do poder, no primeiro dia de janeiro. Poucos vice-presidentes exerceram com tanta dignidade a função. Leal ao presidente Lula, sempre disposto a cumprir as missões a ele conferidas, manteve a independência necessária até para discordar do governo, como no caso dos juros. Do primeiro ao último dia de seu mandato, criticou e continua criticando os altos patamares da usura oficial. A ele, as homenagens da democracia que ajudou a construir.

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