O aprendiz de feiticeiro

Carlos Chagas

Ao deixar o Oriente Mdio, em entrevista coletiva, o presidente Lula conseguiu confundir ainda mais a viso internacional sobre a poltica externa brasileira. Declarou vislumbrar uma “chance mgica” para a paz, no atual desencontro entre os Estados Unidos e Israel, alis, o pior desde a criao do estado judaico.

Os Estados Unidos tem sido o alicerce de Israel, mas no aceitaram a construo de mais centenas de casas israelenses em territrio tomado dos palestinos, em Jerusalm. Trata-se, para os americanos, da negao dos propsitos de convivncia pacfica naquela regio conturbada. Por isso apelaram para a retirada imediata dos colonos judeus daquela rea. Tanto o primeiro-ministro quanto o presidente de Israel deram de ombros. Jamais recuaro, disseram.

No parece a transformao do limo em limonada, mas o contrrio: o Lula pretende fazer da limonada um limo. Porque a paz parece mais longe ainda, agora que os palestinos comearam a reagir com as armas de que dispem, ou seja, paus e pedras. Dispor o presidente de alguma varinha de condo para promover a mgica? Deveria pedir a algum auxiliar para exibir no cineminha do Alvorada aquela obra-prima de Walt Disney, “O Aprendiz de Feiticeiro”. Melhor teria feito caso no viajasse. E no falasse.

Tucanos taxiando

A recente pesquisa do Ibope-CNI teve o dom de satisfazer o PT e o PSDB a um s tempo. Os companheiros, pelo crescimento dos percentuais de Dilma Rousseff, agora a cinco pontos de Jos Serra. E os tucanos por conta da concluso de que, se as eleies fossem hoje, o governador paulista estaria eleito, dadas as projees para o segundo turno: 44 a 39. Mesmo reconhecendo a rpida ascenso da candidata nas preferncias populares, o PSDB sustenta que Serra ainda lidera a disputa sem fazer campanha, ao contrrio da adversria. Dizem seus lderes que quando lanar-se formalmente, dia 10 de abril, os nmeros tendero a crescer. Estabilizados, porm, j bastam para a vitria.

O singular nessa pesquisa refere-se candidatura de Ciro Gomes. Sem ele, Serra e Dilma sobem trs pontos cada um. So seis. Como o ex-ministro e ex-governador do Cear recebeu onze pontos, com seu nome na lista, indaga-se onde foram parar os outros cinco…

Adeus ficha limpa

Nem agora, nem nunca. O diagnstico para a possibilidade de aprovao do projeto de lei que estabelece a necessidade de os candidatos a postos eletivos, para poder disputar as eleies, no terem sido condenados pela Justia. Nem na primeira, nem na segunda, nem em qualquer instncia a Cmara e o Senado aprovaro essa exigncia.

Pelo menos um tero dos deputados e outro tanto dos senadores j foram condenados. Muitos em processos de natureza poltica, engendrados por seus adversrios para prejudic-los. Muitos, tambm, por haverem cometido crimes. Quanto aos outros dois teros, aquela histria: “at agora no fui, mas poderei ser…”

Meirelles candidato?

Corre em Braslia ter sido por razes poltico-eleitorais que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no deixou o Copom aumentar os juros. A tendncia era pelo aumento, mas como ficaria se, dia 2 de abril, deixasse o cargo para disputar eleies? Em Gois ou no plano federal, seus adversrios no perderiam a oportunidade de registrar o aumento dos juros como sua ltima iniciativa frente do Banco Central. Talvez at calculassem a elevao do percentual em milhes ou bilhes de reais, para mostrar o prejuzo. Sendo assim, Meirelles preferiu deixar o desgaste para o substituto, que no ser candidato a nada.

Quanto a saber para onde se voltariam os interesses do banqueiro, permanece a dvida. Senador pelo seu estado? Deputado federal? Ou companheiro de chapa de Dilma Rousseff?

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