O assistencialismo eleitoreiro e a explorao do voto

Mrio Assis Causanilhas Rodrigues ( * )

O assistencialismo, na prtica poltica, muito danoso para toda a sociedade. Para a populao carente, se apresenta como uma ddiva. Fato que revela cruel impostura, posto que o direito da populao lhe apresentado como uma benevolncia, um ato de favor.

A pobreza no Brasil explorada como objeto para a caridade e no como consequncia de direitos violados. Mascara os problemas sociais e permite a presena do fisiologismo e da demagogia na relao com os eleitores.

Contribui, ainda, num processo perverso, para a falta de organizao nas camadas sociais menos favorecidas, o egocentrismo e a no conscientizao poltica do povo, mantendo-o no obscurantismo e alienado. No soma para que o povo desenvolva uma massa crtica, a partir da informao e conscientizao poltica.

Os partidos e polticos que praticam o assistencialismo, na realidade, cometem uma fraude contra a sociedade na medida em que, apropriando-se da ineficincia do Estado na consecuo das suas responsabilidades e atividades constitucionais, ocupam o espao prestando o servio e locupletando-se eleitoralmente disto, quando, na verdade, deveriam estar atuando politicamente no fortalecimento do Estado para que este tenha as condies necessrias para cumprir a sua tarefa institucional, suprindo as carncias da populao e universalizando o direito ao bem estar social.

“CENTROS SOCIAIS”

E quais so esses polticos? So aqueles que criam os tristemente famosos Centros ou Servios sociais com ambulncias, creches, ambulatrios e distribuem cimento, tijolo, dentaduras, culos, camisas para times de futebol e outras benesses. Tudo isso tem um preo. E pago, e muito caro, pela prpria populao, sem saber. Porque do bolso do poltico assistencialista que o dinheiro no sai.

O financiamento privado de campanhas polticas um grande foco de corrupo no pas, na medida em que os financiadores tero a reciprocidade dos eleitos, na forma de atos administrativos, benefcios fiscais, projetos, obras, contratos e outras decises que os iro privilegiar, em detrimento dos interesses pblicos do conjunto da populao, em face da incompatibilidade entre os interesses de ambos os grupos.

E, certamente, para dar fim a esse modelo de politicagem pernicioso, decises muito alm de leis, normas, fiscalizaes da Justia Eleitoral, prestaes de contas ou mesmo o financiamento pblico das campanhas, so necessrias para se obter efetividade no saneamento da rea poltica.

INFORMAO E CONHECIMENTO

preciso dar informao e conhecimento ao conjunto da sociedade para que haja a formao de uma conscincia poltica, moral, tica, e responsvel, permitindo ao cidado e eleitor desestimular essas prticas assistencialistas com atos consequentes e voto qualificado. No so campanhas publicitrias ou discursos utpicos que iro criar um ambiente poltico responsvel. o investimento no cidado, na sua educao e formao cvica e na conscientizao da importncia do exerccio livre da cidadania. Isso tudo s acontecer com profundas mudanas na orientao dos investimentos pblicos para que beneficiem a populao, permitindo acesso informao e a condies de vida com dignidade e autoestima elevada.

Para concluir, convm resgatar Rousseau, que no Pacto Social observa que o homem abdica da sua condio natural de liberdade para viver em sociedade, e sob a sua proteo. Mas, a sociedade organizada em Estado, e este, sem realizar a sua funo precpua, violenta e escraviza o homem, trazendo a sua infelicidade. Assim , precisa o Estado fazer valer o seu poder, variando a forma conforme as condies, para resguardar os direitos subjetivos do cidado, perfazendo o bem comum e promovendo a paz social.

( * )Administrador. Graduado e ps-graduado em Administrao Pblica.

 

 

 

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