O Banco PanAmericano só sobrevive porque foi socorrido pela Caixa e se tornou estatal. Se ainda pertencesse a Silvio Santos, já teria ido à falência, levando de roldão todo o grupo do risonho apresentador.

Carlos Newton

Tudo por dinheiro. Além dos R$ 3,8 bilhões já liberados para cobrir as fraudes contábeis do Panamericano, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC, formado por recursos de bancos privados e estatais) continua com os cofres abertos para evitar a falência do banco que pertencia ao apresentador Silvio Santos.

Desta vez, o Fundo se comprometeu a comprar até R$ 3,5 bilhões em cessões de crédito do PanAmericano para ajudar na recomposição do patrimônio do banco, que se tornou uma espécie de buraco negro financeiro, a sugar qualquer recurso que passe em sua órbita espacial.

Para se ter uma ideia do tamanho do rombo, somente em janeiro o Fundo Garantidor de Crédito teve que comprar cessões de crédito que renderam R$ 700 milhões em receitas, usadas para reforçar o patrimônio da instituição, que havia caído para R$ 197 milhões em dezembro.

Outro aporte, de R$ 1,3 bilhão, que o Fundo fez no final de janeiro também foi usado para a recomposição do capital do PanAmericano, que ainda não  voltou aos níveis mínimos exigidos pelo Banco Central.

De acordo com o último balanço, no final de dezembro o PanAmericano tinha um patrimônio negativo em quase R$ 900 milhões, e o indicador de Basileia negativo em 5,5%, quando o mínimo exigido pelo Banco Central é de 11% positivo. Em vez de ter pelo menos R$ 11 próprios para cada R$ 100 emprestado, o banco tinha uma dívida de R$ 5,74 para cada R$ 100 emprestados.

Traduzindo: se fosse um banco privado, teria sofrido imediata intervenção do Banco Central, que não pode mais acontecer devido à generosa participação da Caixa Econômica Federal, que em dezembro de 2009, com o PanAmericano já mais do que quebrado, pagou R$ 739,2 milhões para assumir 49% do capital social votante e 20,69% das ações preferenciais do banco do risonho Silvio Santos, que, por mera coincidência, dois meses antes fora ao Planalto fazer uma visita ao então presidente Lula.

Comprar o banco falido de Silvio Santos, por recomendação do presidente, é uma coisa. Muito pior é alardear que foi um grande negócio, como fez a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho. Alegou que a compra de participação no PanAmericano foi “uma decisão empresarial” e obedeceu à “necessidade de crescimento” em nichos em que a Caixa Econômica Federal apresentava perda de mercado.

Em depoimento no Senado, a presidente da Caixa disse ainda que escolheu o banco do Silvio Santos por encontrar nele “maior sinergia”, em especial em segmentos em que a Caixa perdia competitividade, como leasing, aquisição de bens, cartões, seguros e consórcios, além de “presença expressiva em São Paulo”. E os senadores só faltaram aplaudi-la de pé. Bravo! Bravíssimo!!!

E como vivemos no país da impunidade, depois de todo o escândalo a mesma “executiva” Maria Fernanda Coelho veio a público para orgulhosamente anunciar que a Caixa vai disponibilizar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões ao PanAmericano para dar liquidez ao banco.

Recapitulando: primeiro, PanAmericano recebeu os R$ 739,2 milhões da Caixa. Não adiantou nada. Depois, o Fundo Garantidor de Crédito entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E nada mudou, mais uma vez. Vem então a Caixa e faz como num jogo de pôquer: “Seus 4 bilhões e mais 6 bilhões”.

E quem vai pagar para ver? O respeitável público, é claro, através dos impostos que paga a um Estado cada vez mais voraz,  irresponsável e usurpador. E o buraco negro continua lá, tão enorme quanto o sorriso de Silvio Santos, que já ameaça lhe engolir as orelhas, tal a satisfação de se livrar da falência anunciada.

E o que vai acontecer aos ex-diretores do PanAmericano, que armaram uma das maiores fraudes contábeis dos últimos tempos, provocando toda essa derrama financeira. Não vai acontecer nada, porque Silvio Santos logo irá lhes abrir as portas da esperança.

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