O Brasil e a Petrobras precisam mudar

Vittorio Medioli

A crise que atinge a Petrobras já seria difícil de enfrentar em situação de calmaria. Agora, a cotação do barril de petróleo nos US$ 57, quase a metade dos US$ 110 de um ano atrás, deixa a estatal nos piores lençóis de sua existência.

A notícia de queda das cotações, que deveria encher de júbilo os consumidores, na realidade é prelúdio de aumentos para enfrentar o rombo colossal que a União suportará para manter em vida a sua controlada.

A Petrobras encabeça o ranking das empresas mais endividadas da terra. Endividada por escolha política e estratégica de quem manda neste país, exatamente para investir na extração de petróleo no pré-sal. Um petróleo que apresenta o custo mais alto de extração e o torna o menos competitivo do planeta.

Tirar petróleo das profundezas do pré-sal, num mercado com cotações em queda, poderá ser um suicídio sem “retorno” econômico. Mas, sem dúvida, imporá o alongamento dos prazos de amortização das dívidas e dos investimentos.

LEMBRANDO EIKE

As ações da estatal despencam e fazem lembrar o recente caso OGX, do ex-bilionário Eike Batista. De R$ 23 por ação no auge, a cotação despencou em menos de um ano para R$ 0,10, hoje zeraram. Viram papel velho quando as expectativas de produtividade do poços do pré-sal se confirmaram em apenas 20% das anunciadas, comprovando a inviabilidade da extração. Petrobras tem ainda 1,4 milhão de barris extraídos a baixo custo, mas em reservas que estão se esgotando. OGX nem com a cotação a US$ 100 por barril conseguiu sobreviver.

A evaporação do valor patrimonial de Petrobras está em ato e se liga, mais que ao descrédito da condução financeira, ao surgimento de novas realidades no mercado. Mas isso não é sabido de hoje, qualquer especialista do ramo alertava sobre o alto risco e a condição sine qua non de valores do barril acima de US$ 100.

Petrobras é uma caixa-preta, diferentemente não teria sido tão fácil desviar dezenas de bilhões, envolta numa espessa cortina de propaganda que as delações estão abrindo, mostrando que as dúvidas ficaram piores ainda.

EUA E O XISTO

Enquanto o governo brasileiro abafava com triunfalismo as confusões da Petrobras, já se sabia há mais de 5 anos que o potencial do xisto requeria cuidados na aposta concentrada no pré-sal. Hoje os EUA, maior consumidor de petróleo, avançam para autossuficiência com baixo custo, mas nem por isso deixaram de investir no etanol de milho e produzem o dobro de quanto o “avantajado” Brasil consegue. O xisto dá lucro, o pré-sal gera perdas, e essa realidade é destruidora para o Brasil, e ainda sua produção de bioetanol continua a cair e fracassar.

O quadro é desalentador para o Brasil, e mais ainda desalenta a atitude da presidente Dilma em manter no comando exatamente quem conduziu a estatal ao desastre. A Petrobras precisa de uma faxina radical, assim como o meio político nacional. O país vai afundando e destroçando seu patrimônio energético.

Provavelmente, apenas a presidente Dilma considera que a presidente da Petrobras, Graça Foster, tenha possibilidade de segurar o leme no furação que atormenta a estatal. Ninguém acredita nisso, nem seu partido.

GABRIELLI E GRAÇA

Os últimos dois presidentes da Petrobras, Sérgio Gabrielli e Graça Foster, são estigmatizados pela incapacidade mais entristecedora de evitar o desastre.

Certamente, qualquer reformulação ou refundação da estatal inicia do afastamento dos atuais ocupantes dos cargos mais altos. Ou por omissão, ou por incapacidade, são responsáveis pela condução da empresa. Se um gerente se dispõe a devolver US$ 100 milhões, o que terão a dizer seus superiores?

Graça Foster tem que ficar à disposição para explicações que durarão alguns anos, não tem tempo para conduzir uma operação de salvamento do maior patrimônio desta nação.

A Petrobras precisa de austeridade, credibilidade e competência, que não se encontram na atual cúpula da estatal. Perder tempo seria outro erro, como foi no caso Eletrobras, reduzida a frangalhos pelas persistentes e desastradas decisões do Planalto.

O Brasil precisa de acertos, de erros já chega.

9 thoughts on “O Brasil e a Petrobras precisam mudar

  1. LIDO NA INTERNET

    ***
    o delegado Eduardo Mauat da Silva, da Operação Lava-Jato, está fazendo acontecer; já pediu à Petrobras que ela envie todos os contratos celebrados com a Odebrecht ou com consórcios em que a empreiteira meteu o bedelho. Claro que o delegado não disse assim desse jeito, mas que ele pediu, pediu.
    ***

    precisa informar o nome do lobista em todos os contratos.

  2. Entramos na era da modernidade total e da mediocridade, ao mesmo tempo.
    Índices de educação (ensino) abaixo da crítica, mesmo com os esforços estatísticos. Repito: diplomas do ensino fundamental ao superior, boa parte só para usar em banheiro de rodoviária.
    Capacidade mental? Pequena e reduzindo. Não precisa muito: vem tudo pronto e é só apertar o botão até acertar.
    Quando alguém diz que tem de mudar paro e penso: mudar o que, com quem?
    Já escrevi algumas vezes mas continua atual: o país é uma beleza, o diacho é o povo!

  3. Combate ao roubo do dinheiro público

    Sabe-se que a natureza do sistema capitalista não é justa, não é ética, nem honesta.Toda riqueza é elaborada pelo trabalhador que fica com muito pouco do que produz, salvo minorias de trabalhadores especializados e ou privilegiados. A quase totalidade da riqueza produzida vai parar nas mãos dos donos dos meios de produção e do capital (bancos), em detrimentos de quem as produziu. Por essa razão, massas de trabalhadores permanecem na pobreza, nos bairros pobres e nas favelas, apesar da sideral riqueza gerada, de todos os tipos e naturezas. Ou seja, não é possível acumular muito dinheiro sem retirar de quem os produziu.

    Assim sendo, é muito cruel, o trabalhador ter perdas adicionais por conta de roubalheiras nas empresas do governo.

    Visando complicar bastante a vida dos ladrões de colarinho branco, abaixo, algumas providências a serem implantadas, em conjunto ou isoladas:

    1) Total transparência tributária e bancária de todo cidadão, pessoa física e jurídica, sem exceção alguma. A gerência dessa transparência deveria ficar a cargo da Polícia Federal – PF por conta da demonstrada competência e integridade;

    2) Substituir por cartões magnéticos bancários, emitidos pelo Banco Central, toda a moeda em circulação. A partir daí, as práticas das corrupções, propinas, sonegações de impostos, tráficos, contrabandos e outras desonestidades mais, ficariam bastante vulneráveis, fáceis de serem detectadas pela Polícia Federal – PF;

    3) Instituir o Imposto Roubalheira do Dinheiro Público – IRDP. O montante de grana roubada, devidamente corrigida e atualizada, não estornada aos cofres públicos em breve tempo, seria cobrada de todas as empresas privadas e pessoas jurídicas, proporcionalmente, na razão direta de seu lucro líquido anual (por exemplo);

    4) Todo projeto, compras e serviços teria que constar o nome dos envolvidos, desde diretores até chefes, engenheiros, secretárias, técnicos, etc. A partir daí, todos os envolvidos estariam solidários a responderem com os próprios bens, por qualquer roubalheira encontrada, independente das demais punições.

  4. Mudar ou não a Diretoria da Petrobrás e de outras estatais pouco diferença fará. A nova Diretoria será tão incomPeTente e perniciosa quanto a atual.
    O que precisa mudar é o sistema político, onde conhecidos mafiosos, donos dos partidos políticos, tem a prerrogativa de impor os candidatos, até o candidato à Presidência da República.
    E esses paus mandados, uma vez eleitos, indicam as Diretorias das estatais.
    Desta forma, vai mudar para melhor quando ? NUNCA !!!
    Imaginem ! Lulla pedindo para o Maluf indicar um Diretor “competente” para “cuidar” dos contratos.

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