O Brasil e as ameaas veladas

Guilhermina Coimbra

Os contribuintes brasileiros de fato e de direito vem pagando, h longo tempo, por um programa nuclear que independa o pas na rea energtica.

No admitem ver o Brasil ameaado veladamente, ou, no, por nenhum representante de Estado, em Braslia: principalmente, face aos negcios efetuados no territrio brasileiro, pelo representante ameaador.

A nfase se justifica, porque, a causa justa. No Brasil, as presses sobre a reada energia nuclear tem sido uma constante,desde 1923.

Naquele ano,o Almirante lvaro Alberto (fsico, introdutor de disciplina sobre Energia Nuclear, na Escola Naval, colega de Fermi, casal Curie, Einstein, Rutherford e outros, com os quais se correspondia) procurou o Presidente Getlio Vargas, alertando-o sobre a necessidade de o Brasil dar destinao utilitria matria-prima energtica nuclear, que jaz no territrio do pas -e foi, pelo Presidente, nomeado representante do Brasil na AIEA/ONU, onde defendeu o direito do Brasil utilizar a matria-prima nuclear, que jaz no territrio brasileiro, beneficiando-a no pas.

A perseverana e persistncia do Brasil tm, portanto, mais de 86 anos, nos quais, admiravelmente, o pas manteve-se firme nos seus propsitos, independentemente e apesar, das dificuldades, das tentativas de sabotagens e das tentativas, mais do que comuns, na Amrica do Sul, de tentarem e, s vezes, at conseguirem colocar governantes no poder e tirar governantes do poder.

Considerando que agregar valor a qualquer tipo de matria-prima significa enriquec-la, de modo que possa valer mais no mercado internacional, o que significa economia extraordinria para o pas extrator – no h como aceitar presses para que essa riqueza, originada do urnio enriquecido, deixe de entrar para a caixa do tesouro nacional do Brasil.

Do mesmo modo, no h como aceitar a superviso da Agncia Internacional de Energia Atmica-AIEA-ONU dentro dos programas nucleares fora das jurisdies dos Estados super nuclearmente desenvolvidos, porque, isso seria concordar com a espionagem industrial, prevista e penalizada, pelo Direito Internacional, Comercial, em todos os Estados de Direito. Logo, a questo comercial, diz respeito a segredos industriais-comerciais, tanto quanto de soberania. (Soberania, diga-se, cada vez mais objeto de tantas e tantas “teses”, visando a sua extino, nos Estados em desenvolvimento).

A poltica nuclear brasileira est cientificamente correta. O Brasil tem matria-prima nuclear e tecnologia, no h como submet-lo aos caprichos do mercado internacional – desleal, rasteiro e covarde: escondendo-se atrs de seus governantes poderosos, que fazem as propostas indecentes, na rea da energia nuclear.

Enquanto no se quebrar o conluio do silncio a respeito desta simples questo de direito comercial, direito da concorrncia, concorrncia desleal em mercado relevante etc. – o Brasil, por ter programa para desenvolver os usos pacficos da energia nuclear, vai continuar sofrendo todo tipo de presso dos governantes de onde so originais os concorrentes.

A ltima dessas presses foi a exibio das fotos e dos destinos que tiveram os presidentes da Iugoslvia, do Iraque e outros (Globo News, 19-5-10) quase ameaa, bastante ridcula, diga-se.

Pior ainda, foi a ameaa velada de representante de Estado estrangeiro em Braslia. O referido representante do qual se trata deve entender muito pouco sobre diplomacia e interesses econmicos do Estado que representa. A ele, os nossos sinceros psames, pela ignorncia!

Informe-se melhor, senhor representante: s empresas aqui instaladas no interessam presses, sanes sobre o Brasil, no! Inteligentemente reconhecem: – no Brasil que auferem os seus maiores lucros!

Informe-se melhor, sobre o Brasil que o hospeda, senhor representante: Vossa Excelncia vai verificar que o Brasil se basta, em todas as reas da economia, sem mencionar o mercado consumidor brasileiro, de potencial imensurvel.

Vossa Excelncia vai verificar que, desde o Imprio, passando pela 2a. Guerra Mundial, todas as vezes nas quais tentaram fechar o Brasil para o mundo, o Brasil se voltou para dentro e – se desenvolveu, prosperou.

O Brasil bem informado, perseverante, pertinaz,amigo, e inclusivo.

No despreze a inteligncia do Brasil, senhor representante! Lembre-se, o Brasil , seno o nico, pelo menos, um dos poucos amigos, no mundo, inteligente, bem informado e desinteressado!

O Brasil merece respeito!

Guilhermina Lavos Coimbra autora do livro
“Urnio Enriquecido o combustvel do sculo”

Comentrio de Helio Fernandes:
Aplausos entusiasmados e empolgados a Guilermina Coimbra, do conselho do IAB e FIA. Como professora deu aula magna e magistral sobre o assunto, desvendou o que querem manter em sigilo e silncio.

Seu texto lmpido, claro, puro, admirvel, devia ser mostrado em todos os lugares, comeando nas escolas primrias, passando para as universidades, e que ningum mais fosse enganado.

Como voc ensina, professora: a energia nuclear um comrcio igual a qualquer outro. Para terminar, a confisso mais sincera: da primeira ltima linha, gostaria de ter escrito o que voc escreveu, perdo, E-N-S-I-N-O-U.


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