O Brasil governado por uma organizao criminosa?

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O ttulode 1960 pode ser repetido hoje, tranquilamente

Luiz Flvio Gomes

Hoje esto operando no territrio brasileiro quatro grandes organizaes criminosas: (1) o crime organizado dos poderes privados, que exploram particularmente a venda de drogas e se caracterizam pelo uso constante da violncia (PCC, PGC, CV, Alcaeda, Narcotrfico dos morros do RJ etc.); (2) o crime organizado das milcias (que exploram favelas e bairros pobres de muitas cidades); (3) o crime (mais ou menos) organizado que emerge de dentro das bandas podres das polcias (que praticam assassinatos, desaparecimentos, extorso, roubos, sequestros e que tambm morrem amide); e (4) o crime organizado multibilionrio, composto por poderosos bandidos do colarinho branco (membros da plutocracia, da poltica e dos altos escales administrativos), que eram chamados (nos EUA) no sculo XIX de bares ladres.

Por meio de fraudes, protees, monoplios e conluios licitatrios (carteis), como nos casos da Petrobra$ e do metr$P, o crime organizado multibilionrio est estruturado sobre a base de uma troyka maligna (partidos, polticos, e outros agentes pblicos + intermedirios (brokers) + agentes econmicos e financeiros) que se unem em Parceria Pblico/Privada para a Pilhagem do Patrimnio Pblico.

CLEPTOCRACIA – O Estado brasileiro, como um dos parasos da cleptocracia, vem provando a experincia de compartilhar suas funes com as organizaes criminosas citadas, que exercem ou comandam vrias das suas funes (ou seja: os ladres esto governando pores considerveis do Estado).

Vejamos: o crime organizado privado como o PCC governa os presdios (mais de 90%, conforme Camila Dias, PCC Hegemonia nas Prises e Monoplio da Violncia, Editora Saraiva); as milcias substituem o Estado prestando ajudas sociais s favelas e aos bairros pobres; os policiais da banda podre organizada so representantes diretos do Estado (e governam a segurana pblica); por fim, o crime organizado multibilionrio (incluindo o da Petrobra$, do metr$P etc.).

O topo do crime comandado por integrantes da plutocracia nacional ou estrangeira (que governa o Estado por meio do poder do dinheiro das grandes riquezas, que cooptam o poder poltico mediante o financiamento das carssimas campanhas eleitorais, comprando-o dessa maneira).

SEM REAO – No encontrando obstculos sociais (reao enrgica da sociedade civil, que continua inerte e indiferente), a cleptocracia avana e o resultado mais nefasto acontece quando ela substitui ao Estado de Direito ou, pior, o utiliza indevidamente (ver Ugo Mattei e Laura Nader, Pilhagem), para se apropriar do poder e do dinheiro pblico, como se fosse patrimnio privado (patrimonialismo). O estgio ltimo (j alcanando pncaros inimaginveis) dessa degenerada construo societal e estatal se aperfeioa quando se concretiza a captura do sistema pblico governamental pela juno da corrupo poltica com a econmica (empresarial).

Bem poucos so (parafraseando Joo Francisco Lisboa, Jornal de Timon) os que confidencialmente e nas conversaes particulares (reservadas) no reconhecem e confessam a situao deplorvel a que chegou nosso paraso da cleptocracia, governado no s por gente de bem, seno tambm por ladres e organizaes criminosas de todas as estirpes e coloraes ideolgicas e partidrias.

H CONIVNCIA – Mesmo assim, muitos ainda continuam a se prestar de instrumento (por ao ou por omisso, que nesse caso significa conivncia) para a perpetuao do exerccio dessa infernal poltica falaz e perniciosa praticada diuturnamente por ladres sem conscincia e amor ptria, nao. bem provvel que o despotismo de uma causa to mesquinha acabe por amortecer nos coraes dos que o sofrem o brio da independncia, da luta, do grito de libertao, que emergiria inconteste e retumbante de todas as gargantas se elas fossem alimentadas pelo fogo do patriotismo e do amor pela construo de uma verdadeira e decente nao.

Nosso grito de libertao (se acontecer) precisa ter destino certo: (a) tolerncia zero com os polticos corruptos (cassao imediata dos que comprovadamente praticaram corrupo); (b) rgido controle da coisa pblica, que inclui punies severas (dentro do Estado de Direito) a todos os bandidos do colarinho branco; (c) o fim da reeleio para cargos no executivo e (d) o fim do poltico profissional (limitao de mandatos no legislativo).

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NOTA DA REDAO DO BLOG
Este artigo de Luiz Flvio Gomes, professor de Direito, foi enviado pelo advogado Joo Amaury Belem. Como o texto era muito extenso, tomamos a liberdade de fazer um resumo. (C.N.)

13 thoughts on “O Brasil governado por uma organizao criminosa?

  1. Muito pertinente o texto. O cidado comum refm do poder econmico e da violncia, que esto concentrados nessas organizaes. Hoje s temos o Judicirio, exceto parte do STF, e parte das polcias. A hora que isso sucumbir, e a impunidade sair vencedora, e isso est quase, as Foras Armadas sero o remdio amargo, mas necessrio. Infelizmente estamos indo pra esse caminho.

  2. Antes que faam todos esquecerem:

    BRASIL – O LUGAR MAIS ABENOADO O MUNDO


    “Reunir a tribo
    Repartir viagens sob o sol
    Lenha na fogueira
    Bucha do balo
    Faz a nossa chama arder

    Sou um trem cigano
    Carregando almas sob o sol
    Corao de ouro
    Algum calor irmo
    Faz o nosso amor crescer

    E para sempre o que tem de ser
    Na luz de sua clara presena
    Seja o que for”

    Pedras Rolando – Beto Guedes

    “Todo dia de viver para ser o que for e ser tudo”

  3. Pessoal, o que eu vou dizer pode chocar, mas uma explicao para a falta de reaao do povo que parece anestesiado. A culpa do ensino da Inconfidencia Mineira para as sries mais novas (lembro das primeiras aulas na antiga 6a srie com 12 anos). Quando ensinado para uma criana que o heroi Tiradentes teve como destino a forca, tendo seu corpo esquartejado, salgado e espalhado pelas ruas, isso passa uma mensagem poderosa do que vai acontecer com quem se insurgir contra os governantes ou os poderes constitudos. Quando a pesssoa chega a fase adulta, fica no inconsciente coletivo. S uma teoria, com a palavra os Psiclogos e Historiadores.

    • No Brasil, por no termos tido guerras, por termos sido aquinhoados com rios com peixe farto e terra fertil para nos nutrir, e um gostoso clima tropical, tornamo-nos morosos, e no lutamos para resolver nossos problemas. Faltam muitos coisas, e neste momento especialmente, falta uma liderana militar, um comandante que pelo menos se mostrasse inquieto e inconformado com a situao. Mas o que se v o comodismo, o prazer de viver seguro e tranquilo sem temor do desemprego – e o comodismo nunca foi caracterstica de lider ou heri, mas de bon vivant. E bom vivant no deveria vestir farda!

  4. Nesta semana o povo se voltar para o depoimento de Lula a Moro e isso o deixar disperso de outros problemas.
    Esse meu medo.
    Nossos representantes da Cmara adoram nos presentear com aprovaes de projetos que so verdadeiras bombas para o povo na “calada da noite”.
    Fico pensando na Reforma da Previdncia…

  5. Os homens so os senhores dos seus destinos:
    A falha, caro Brutus, not est em nossas estrelas,
    Mas em ns mesmos, que somos servis.
    ==
    A traduo do texto de Shakespeare pode no representar fielmente o original, mas d para entender que no devemos culpar os outros pela nossa fraqueza, que cabe a ns definir nosso destino. Como se v, um conceito antigo.
    No Brasil, por no termos tido guerras, por termos sido aquinhoados com rios com peixe e terra fertil para nos nutrir, e um clima tropical, tornamo-nos morosos, e no lutamos para resolver nossos problemas. Deu no que deu.
    Estamos vivendo uma tragdia, mas tudo se desenrola como se uma fada madrinha fosse, de repente, resolver nossos problemas. As foras armadas, com seu servio de inteligncia (suponho que algo exista!) deve estar ciente da gravidade da situao. No sabemos se eles no querem aparecer mau na fita ou se lhes falta coragem para tomar a si o problema. Uma coisa certa: a baguna no vai melhorar se for deixada em queda livre. Lembrem-se: a tendncia natural das coisas o caos, no a ordem – esta tem que ser obtida por ao.
    Para encerrar: o tal de Rui Falco est ameaando a segurana nacional e ningum reage. Ser mal da modernidade ou estamos ficando frouxos de vez?

  6. Faz tempo que os comentaristas da TI comentam que o Brasil est sendo comandado por ladres e assassinos, eu sou um deles!

    Os roubos bilionrios contra o errio e povo, e a falta de verbas s reas fundamentais sade e segurana por estarem sendo desviadas de seus destinos, comprovam que os responsveis por esses delitos aniquilam com a populao, matando por um servio deficiente na sade pbica e total descaso com a segurana, que atinge nmeros impressionantes contabilizados pela violncia, atingindo mais de sessenta mil mortos a cada ano!

    Jamais na Histria do Brasil o Sistema se mostrou to atuante e contundente quanto agora, declarando-se escancaradamente como inimigo do cidado, roubando, explorando, matando, negando-lhe direitos e anulando outros.

    A notcia apenas ratifica o que j sabemos, apesar de no entendermos a inexistncia de movimentos organizados que poderiam contestar tanto o Sistema quanto os poderes, omisses que deixam o povo merc de poderes deletrios e abjetos, e s circunstncias onde sempre ser prejudicado.

  7. Enquanto o PCPC – Partido dos Corruptos Pr Cassete manda e desmanda em todos os nveis, otrios e abestalhados vivem a defender os seus bandidos de estimao, que residem no seu cercadinho partidrio e ideolgico, sem nenhum compromisso com o Brasil.
    Os cafajestes que nos dirigem e esto frente de todos os poderes foram recrutados internamente, do seio da populao. Alguns foram eleitos e reeleitos por um bando de descerebrados que agora ficam procurando culpados dessa sua insanidade.
    Esperar alguma mudana sria utopia.
    Cada povo tem os dirigentes que merece.

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