O Brasil melhora muito e parte firme para o hexa

Pedro do Coutto

Ontem a Seleção Brasileira parecia outro time, completamente diferente daquele que empatou com Portugal. E era, de fato, uma outra equipe, tanto tática quanto tecnicamente. Contra Portugal não encontramos espaço para atacar, presos que estávamos a uma só alternativa: o avanço de Maicon pelo flanco direito, e sem saber tocar a bola pelo meio campo.

O treinador português colocou três em cima de nosso lateral  e não conseguíamos nos livrar. Maicon ficou sem espaço e não conseguia visibilizar Júlio Batista para tocar para o meio com rapidez. Não só ele, ninguém conseguiu distinguir Julío Batista na tarde de sexta-feira. Agora contra o Chile foi muito diferente. A entrada de Kaká e Robinho deu mobilidade às ações ofensivas, abriam espaços essenciais, e, com isso, Maicon tinha para quem entregar a bola.

O Chile tentou o mesmo bloqueio usado por Portugal. Mas desta vez o panorama era outro. Dunga, acertadamente, mandou Robinho e Kaká caírem pelos lados, dentro de um esquema móvel, e tal esquema desnorteou o adversário. É relativamente fácil bloquear ações ofensivas em ritmo lento. Difícil com os atacantes trocando passes rápidos.

A defesa brasileira esteve bem no confronto, aliás como sempre tem atuado. Ramires deu mais mobilidade e segurança na armação brasileira do que Felipe Melo, um jogador inclusive que se transtorna com facilidade. O gol de cabeça de Juan foi genial. Ele se encontrava na terceira linha, porém subiu exatamente na hora certa. Perfeito foi também o passe de Kaká para Fabiano fazer o segundo. Arremesso perfeito de Robinho para fechar a cortina do placar.

A Seleção de Ouro, com a vitória sobre o Chile, ganhou mais confiança e atemorizou indiretament6e os adversários que terá pela frente. O primeiro será a Holanda, sexta-feira pela manhã. Outros, se Deus quiser, virão depois. Brilha novamente o futebol brasileiro no universo internacional. Se a equipe repetir a atuação de ontem em Joanesgurgo – e tudo indica que sim – estaremos mais uma vez na final, dia 11, e tenho forte esperança e convicção que ela traz o hexacampeonato. Tão esperado pelo povo brasileiro e que certamente representará tanto uma conquista histórica quanto um marco quase impossível de ser um dia ultrapassado.

Galvão Bueno, o líder absoluto de audiência, falou muito sobre as vitórias do Brasil contra o Chile ao longo dos tempos. Esqueceu uma, das mais importantes. Explico porque. Foi na decisão do Panamericano de 52 em Santiago, quando vencemos também por três a zero. Mas antes, na semifinal, derrotamos o Uruguai por quatro a dois, primeira vitória sobre a celeste depois da derrota de 50 por dois a um no Maracanã. A vitória emocionou o país. Passamos pelo Uruguai e fomos à final com o Chile que sediava o torneio. O Panamericano de 52 representa o primeiro título internacional do futebol brasileiro conquistado fora do país. Mas existe ainda um outro aspecto que o torna importante.

O técnico vencedor foi Zezé Moreira, a quem o nosso futebol deve a compreensão da importância essencial de saber se defender. O sistema Zezé, inspirado na marcação por zona do basquete, introduziu uma nova cultura no esporte. Até Moreira, dávamos verdadeiros shows de bola e acabávamos perdendo, vítimas de ataques repentinos e isolados, principalmente de argentinos e uruguaios. Ele primeiro colocou um jogador pêndulo na cabeça da área (papel de Brandãozinho do Coríntians em 52), deslocando-se da direita para esquerda conforme as investidas adversárias. Depois aperfeiçoou mais o sistema. Mas isso pertence ao passado.

Agora se trata do futuro próximo, o hexa. Vamos buscá-lo. Amém, como dizia Nelson Rodrigues.

Retificações

Outro dia, ao escrever sobre a fase da classificação da Copa da África, disse que a Argentina havia derrotado a Nigéria por quatro a um. Errei. Os argentinos venceram a Coreia do Sul por quatro a um. Um leitor corrigiu. O mesmo leitor fez uma segunda correção: Portugal não empatou com o México. Empatou por zero a zero com a Costa do Marfim. Fica aqui a retificação, agradecendo o esclarecimento.

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