O Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lembranas do reprter, os livros do general Lima Brayner e do grande jornalista Joel Silveira. E Guilherme Estrella no Planalto: lido, relido, comentado, execrado.

Helio Fernandes

Como falaram muito sobre o assunto, procuraremos esclarecer os fatos. O Exrcito, na Segunda Guerra Mundial, mandou 25 mil homens para a Itlia. Com a subservincia de Mussolini a Hitler, a Itlia no foi centro de combates importantes.

Quando Hitler ordenou a Mussolini que invadisse a Etipia, e facilmente derrotado, foi escorraado por Hitler, que passou a trat-lo com o maior desprezo. Os primeiros contingentes da FEB (a FAB, diferente) saram do Brasil em 1942, o mistrio era total, ningum sabia para onde iriam. Das grandes famlias tradicionais de militares, no foi ningum.

(Golbery foi em 1944, para comandar a volta dos brasileiros). Dos 25 mil homens que foram, morreram 249, exatamente um por cento (dados oficiais). Como as tempestades era terrveis, muitos desses 249 foram vitimados por acidentes de automveis e p de trincheira, quase ningum em combate. Nas estradas magnficas, dirigiam jipes em velocidade incrvel.

Na verdade, no houve guerra de movimento, e sim a troca de chumbo, de um lado para o outro. Que um historiador nazista (como foi dito aqui) falou nunca ouvi falar da participao do Brasil na Segunda Guerra Mundial, apenas prova que ele deve ter sido muito mais nazista do que historiador.

AS DUAS BATALHAS
DE MONTE CASTELO

Como est no ttulo, foram duas e no uma, inteiramente diferentes. A primeira, coordenada pelo tenente-coronel Castelo Branco (ele mesmo), fracasso total, que provocou episdios e debates intensos. Com Castelo Branco chorando (sem nenhum exagero) diante das acusaes gerais. E principalmente do tambm tenente-coronel Amaury Kruel (os dois da mesma turma da Escola Militar, ento em Realengo).

At a cobertura dos avies, pedida por Castelo, foi inconsequente, incompetente, imprudente. Os soldados brasileiros eram massacrados e mortos pela prpria aviao, marcada em hora inteiramente inadequada. Os alemes, do alto do morro, bebendo cerveja, acertavam os brasileiros, que tiveram que recuar.

A SEGUNDA INVASO,
SEM CASTELO BRANCO

Depois da interveno do general Floriano de Lima Brayner (chefe do Estado-Maior do Marechal Mascarenhas de Moraes, e depois, na madrugada de 11 de novembro de 1955, chefe da Casa Militar do ento presidente Nereu Ramos), comeou a vitoriosa subida de Monte Castelo Branco.

Vitria faclima dos soldados brasileiros, com a FAB acertando diretamente os nazistas, que fugiram covardemente. Perdas mnimas, ao contrrio da primeira tentativa de tomar o Monte Castelo.

FLORIANO DE LIMA BRAYNER,
DOIS LIVROS INCONTESTVEIS

Estou citando tudo de memria, mas quem quiser no precisa fazer o menor esforo, basta ler os dois livros. O primeiro com Lima Brayner ainda general, O segundo, j como marechal. Dois libelos, depoimentos terrveis contra Castelo Branco. Sem resposta de ningum. Nem o prprio, que apesar de extremamente vaidoso, no esboou resposta ou explicao.

Tudo sobre a primeira invaso de Monte Castelo est ali. E o que o marechal Lima Brayner diz sobre Castelo Branco oficial e Castelo Branco pessoa fsica invalidaria sua permanncia no Exrcito, E por que o primeiro presidente depois do golpe?

OS DOIS LIVROS
DE JOEL SILVEIRA

Foi correspondente dos Dirios Associados na Itlia e um dos maiores jornalistas brasileiros de todos os tempos. Assis Chateaubriand chamou-o para a misso jornalstica, recomendou: No v morrer, reprter para escrever e no para morrer. E Joel, que escrevia magnificamente e adorava viver, fez as duas coisas.

Os dois livros do Joel e os dois do Marechal, imperdveis, irrepreensveis, extraordinrios. O primeiro do Joel veio quase pronto da Itlia. O segundo escrito aqui parece ou mesmo muito melhor.

O do Joel reportagem pura, o de Lima Brayner, documentrio-libelo. D a impresso de que so diferentes, at pode ser na identificao, mas no no contedo. Da mesma gerao, fomos intimssimos. A ltima funo jornalstica dele, editor da revista Mundo Ilustrado, do Dirio de Notcias. Nessa poca eu fazia artigo e coluna no mesmo Dirio de Notcias, trabalhvamos no enorme prdio da Rua do Riachuelo,

POR QUE A DOENA
TO DEVASTADORA?

O fim de Joel foi dramtico. Bonito, com fsico privilegiado, bomio, viveu intensamente. Inesperadamente atingido por uma doena estranha, foi engordando assustadoramente. (No sei o nome da doena, muita gente aqui, tenho certeza, informar na hora, agradeo antecipadamente).

Fui ao lanamento do ltimo livro do Joel (no sobre guerra), numa livraria pequena do Leblon. Com 160 quilos, autografava sentado no cho. Quando me viu, tentou levantar, falou: No posso deixar de dar um abrao no Helio. Perdi o abrao daquela noite, e logo depois perdi o amigo, ele no se levantou do cho. Mas deixou uma histria vivida, contada, reverenciada.

GUILHERME ESTRELLA NO PLANALTO:
LIDO, RELIDO, COMENTADO, EXECRADO

Anteontem, no Planalto, s se tratava do que foi dito, estrategicamente, pelo ex-diretor de Produo da Petrobras. A reunio, no anunciada para parecer acidental, dominou o dia. A reprter da Folha, Eleonora de Lucena, deve e pode ficar feliz: sobre a mesa da reunio, seis exemplares do jornal.

Alguns separaram a pgina com a entrevista, no esconderam: Fica mais fcil assim. Os exemplares, todos rabiscados ou, se quiserem, assinalados. Mais importante: alguns criticaram duramente Estrella e chegaram a dizer: Como que um diretor da Petrobras PODE SE MANIFESTAR contra a empresa na qual foi diretor exatamente de produo?

No houve uma opinio, um comentrio, uma anlise a favor ou pelo menos isenta, a respeito da entrevista. Lgico, Dona Dilma estava presente, a relao dela com ministros e assessores tidos como de primeiro time, invariavelmente na base do medo, do susto, da intimidao. Respeito? Isso tem que ser obrigatrio e essencial. Mas o que contam sobre essas reunies realmente assustador, palavra insubstituvel.

A PETROBRAS NO TEM
RECURSOS SOZINHA

O refgio dos que consideram que a PARTILHA foi uma soluo genial e continuar sendo, permanecer.

Dilma no admite a menor restrio ao que decidiu SOZINHA, pelo menos o que se diz. Quase sem voz e com muito medo. Como que um pas pode ser governado dessa forma? E com 39 ministros, alguns que nem conhecem o caminho do Planalto. E fora de l, no seriam identificados?

Esto se lamentando dolorosamente, e no dizem, mas o que mais doeu na entrevista de Estrella: o fato dele ter dito pela primeira vez e sem a menor restrio: Essas empresas petrolferas estrangeiras representam interesses de potncias estrangeiras, que sero scias do Estado.

DORMINDO COM
O INIMIGO

Portanto, mais do que irrespondvel: o risco no (ou supostamente ser) financeiro, mas sim de gesto. Financeiramente existem formas de explorao, o Brasil tem o mais importante, gigantescas reservas de petrleo, que no ficaro sepultadas.

O RISCO, de verdade, o de ter colocado o inimigo dentro de casa, o inimigo-potncia, o falso amigo. Poderosos e no assustadores de longe. Mas impiedosos e ainda mais poderosos, aqui dentro. E com passaporte vermelho, especial, concedido pelo prprio governo, Estado, presidente.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

21 thoughts on “O Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lembranas do reprter, os livros do general Lima Brayner e do grande jornalista Joel Silveira. E Guilherme Estrella no Planalto: lido, relido, comentado, execrado.

  1. Prezado Hlio Fernandes,
    Ao que me consta, em 1942, os Estados Unidos convenceram o Brasil a ceder a ilha de Fernando de Noronha e a costa brasileira para receber bases militares, sob pena de os americanos invadirem o Nordeste caso o Brasil ainda continuasse neutro em sua posio na Segunda Guerra.
    Porm, s dois anos depois, em 2 de julho de 1.944, teve incio o transporte do primeiro escalo da FEB, sob o comando do general Joo Batista Mascarenhas de Morais, com destino a Npoles.

  2. “O RISCO, de verdade, o de ter colocado o inimigo dentro de casa, o inimigo-potncia, o falso amigo. Poderosos e no assustadores de longe. Mas impiedosos e ainda mais poderosos, aqui dentro. E com passaporte vermelho, especial, concedido pelo prprio governo, Estado, presidente.”

  3. A FEB(Fora Expedicionria Brasileira) composta por Foras do Exrcito, a FAB (Fora Area Brasileira) e Marinha de Guerra, operaram na Itlia enquadradas no V Exrcito Americano, Gen MARK CLARK, que subia a pennsula pelo Oeste, enquanto o VIII Exrcito Britnico Gen MONTGOMERY subia a pennsula pelo Leste. Toda a Campanha foi durssima devido ao terreno montanhoso, muito impraticvel aos Tanques, (Blitzkrieg), e durou a Guerra Toda. Quando a FEB chegou a Itlia o Teatro de Operaes era a faixa montanhosa que vai aproximadamente de Roma ao Vale do P, Centro – Norte da Itlia, e a Linha Mestra de Defesa Alem (a Linha Gtica) que ia de Oeste a Leste nas Montanhas fechava totalmente a Pennsula.Os Alemes sempre dominando todas as Alturas. As Foras Alemes eram Comandadas pelo Gen (Smiling Alfred) o sorridente ALFRED KESSELRING, grande Soldado, que s se rendeu em 8 Mai 45, ltimo dia da Guerra. Controle total da Observao. Havia uma “Disputa” entre o V Exrcito, este pelo Oeste, e o VIII Exrcito, este pelo Leste, para ver quem chegava primeiro ao importantssimo Vale do P, a regio mais Industrializada e Rica da Itlia. O V Exrcito “forou a barra o que pode” na poca da Primeira tentativa de Tomada de Monte Castelo (ponto chave da Linha Gtica) e a FEB “pagou o pato”. A Infantaria de toda a FEB era Comandada pelo Gen ZENBIO DA COSTA e a Artilharia da FEB (149 Obuseiros – canhes de Campanha) pelo Gen CORDEIRO DE FARIAS. O Cel CASTELO BRANCO era o E-3 da FEB, Oficial encarregado de fazer os Planos de Ataques, e Planejou a tomada de Monte Castelo com as ordens recebidas e as Informaes possveis. Nem de longe pode ser acusado de responsvel pela No Tomada do Objetivo. Muito mais responsabilidade tinham os Generais, e a no tomada de Monte Castelo, que no foi uma derrota, ajudou muito outras Divises do V Exrcito a cumprir seus objetivos. Depois dessa fase difcil, onde se acusa o Cel Castelo Branco, no se o elogia, quando vieram as fases das grandes Vitrias da FEB, que culminaram com o cerco e rendio da famosa 148 Diviso Panzer Alem, (Campanha do Deserto do Gen ROMMEL), de uma Diviso Fascista Italiana (Div. Itlia), e 1/2 Div. de Reforos Fascistas).

  4. OS ESTRATEGISTAS DE CONTRA-ENCOSTA DE BIR – ou seja OS HERIS QUE NUNCA COMBA-
    TERAM

    NO IMPORTA OS QUE NO FORAM e Sim OS QUE L CHEGARAM E QUE COMERAM O PO QUE O DIABO AMASSOU.

    ENQUANTO ISSO aqui no Brasil se indeniza aqueles que nunca sentiram o cheiro da
    plvora, como o caso de algumas figura de determinadas categorias que se quer saram dos seus birs e RECEBEM VERDADEIRAS FORTUNAS como indenizao a anistiados e
    outros tambm querendo. E haja indenizao!

    “DESGRAADO BRASIL”!

  5. Indispensvel defesa

    …A primeira, coordenada pelo tenente-coronel Castelo Branco (ele mesmo), fracasso total, que provocou episdios e debates intensos. Com Castelo Branco chorando (sem nenhum exagero) diante das acusaes gerais. E principalmente do tambm tenente-coronel Amaury Kruel (os dois da mesma turma da Escola Militar, ento em Realengo).…

    A sangrenta e corrupta ditadura militar do golpe de 1 de abril de 1964, desde sua formatao e primeiras horas j possua todos os desastrados ingredientes para dar no que deu. Por tudo que j foi escrito, documentado, visto e vivido, inclusive a conhecida participao dos EUA com sua criminosa CIA e muitos dlares, tinha tudo para dar errado, at mesmo, o incompetente Castelo Branco. No podia dar certo.

    No sistema capitalista, toda nao possuidora de gigantescas riquezas naturais, como o Brasil, tem que contar com eficientes meios de defesa, para no ser assaltado, pilhado e humilhado, diante da indiferente contemplao das demais naes, salvo excees. Enquanto o mundo for capitalista, as foras armadas tero importante papel na defesa de uma nao.

    Caso seja equipado unicamente com armas convencionais, a participao da populao civil torna-se importante demais. Questo de vida e morte. Agora, para as privilegiadas naes possuidoras de um mnimo de poder de fogo nuclear, a a coisa muda de figura – de gua para vinho. A fora armada passa a impor muito respeito e medo a qualquer bandoleiro, por mais violento e poderoso que seja.

    Por outro lado, os custos para a necessria defesa de qualquer nao, so elevados demais, alm dos riscos embutidos para a prpria nao e seu povo, j exaustivamente demonstrados nos incontveis golpes militares, sangrentas e corruptas ditaduras, implantadas por todo o mundo. Quase todas, a servios de interesses estrangeiros.

    Por todas as razes desse mundo, as Foras Armadas do Brasil deveriam passar por devida estruturao. A comear pelas exigncias da avanada tecnologia de hoje, pouco a ver com muita resistncia e fora bruta de um passado recente. Mais a ver com inteligncia, equilbrio emocional, aptido e exaustivo preparo tcnico, inclusive, com formao poltica, econmica e financeira. Claro que sem descuidar do muito elevado patriotismo e devido preparo fsico.

    Tambm, torna-se necessrio o fundamentado conhecimento de nossa verdadeira histria, de nosso povo, de nossas riquezas, de nossas instituies, necessidades, dificuldades e prioridades. Tornar o militar um ferrenho patriota, plenamente consciente, como deveria ser todos os demais brasileiros, ajudaria evitar tragdias do passado. Para a efetiva segurana e defesa do Brasil.

  6. Quem decide o resultado das urnas no Brasil?

    (…)Por fim preocupa-me saber que, ainda que acontea um milagre e haja um grande movimento popular para mudar os rumos deste pas, isto ainda no garante a mudana pelas urnas. O resultado sempre depender de outras injunes. incrvel que o destino de um pas esteja ligado a um sistema de informtica que um aprendiz de hacker pode violar e que foi recusado por tantos pases na forma como operado no Brasil. Aparentemente pelas urnas a possibilidade de mudana mnima, exceto se quem comanda as urnas quiser.

    Mais aqui: http://www.alertatotal.net/2013/10/quem-decide-o-resultado-das-urnas-no.html

  7. Entre naes no existe amizade e sim interesses.

    Empresas devem defender o seu lucro, que a que manter de p e propiciar s pessoas empregos e impostos ao estado.
    Quem tem que gerir benefcio social o estado com os impostos recolhidos.

  8. Afilhado do homem

    Dois anos atrs, em reunio com Dilma Rousseff, empresrios reclamaram da presena de Eike Batista no mesmo espao que eles.

    Um deles chegou a perguntar: Quantos milhares de emprego este rapaz gera?.

    Um membro pragmtico da reunio justificou correndo: Ele afilhado do ex-Presidente Lula.

    Portanto, o Eike agora quebrado, pedindo concordada bilionria, um legado de Luiz Incio Lula da Silva.

    http://www.alertatotal.net/

    O medo de muito petralha que Eike resolva se vingar do cara por causa do abandono…

  9. A Petrobrs, o Leilo e a estratgia econmica do Brasil

    A Petrobrs divulgou em seu ltimo relatrio de gesto que o nvel de endividamento da empresa de 0,36, ou 36% como foi replicado na mdia. Como contador, no entendo o porqu deste nmero.

    A realidade um pouco pior do que a divulgada e de fcil conferncia a partir da leitura do Balano Patrimonial da entidade.

    As informaes financeiras das entidades de capital aberto com aes negociadas na bolsa de valores devem ser divulgadas ao pblico, e especialmente em relao a seus acionistas. A Lei das Sociedades Annimas e a Comisso de Valore Mobilirio (CVM) obrigam a empresa a divulgar seus demonstrativos financeiros.

    O Balano Patrimonial da Petrobrs e seu Endividamento

    De posse dos dados, vemos que o Ativo da Petrobrs totalizou at setembro do corrente ano em R$758,432 bilhes. J seu Passivo Exigvel em R$415,330 bilhes, e o Patrimnio Lquido em R$343,102 bilhes.

    Numa representao compacta o Balano Patrimonial da Petrobrs assim visualizado:

    ATIVO TOTAL:——R$758,432 bilhes——–PASSIVO EXIGVEL:——R$415,330 bilhes
    —————————————————-PATRIMNIO LQUIDO:–R$343,102 bilhes
    TOTAL DO ATIVO:–R$758,432 bilhes——–TOTAL DO PASSIVO:——R$758,432 bilhes

    O Ativo Total corresponde ao total de bens e direitos da empresa. Caixa, recursos em conta corrente, aplicaes financeiras, participaes societrias entre outros. O Passivo Exigvel da Empresa corresponde a suas obrigaes com credores, fornecedores, a obrigaes de todos os gneros e com diversas empresas, instituies e trabalhadores. O Patrimnio Lquido o conjunto de recursos dos acionistas, portanto, inexigveis.

    O endividamento dado, ento, pela diviso entre o Passivo Exigvel e o Ativo Total, e denota o quanto do ativo da empresa est comprometido com suas obrigaes. claro que, quanto maior for esta relao pior ser para a empresa, menos folga financeira e menos recursos para expandir investimentos.

    No caso da Petrobrs essa relao real de 0,55, ou 55% de comprometimento do Ativo com obrigaes j adquiridas com terceiros. Fruto da diviso de R$415,330 bilhes por R$758,432 bilhes.

    Quanto mais esta relao caminha em direo a 1, ou 100%, pior ser a situao patrimonial da empresa, mais endividada estar. Se chegar a 1, contabilmente dizemos que a empresa est em pr-insolvncia. E se ultrapassar o ndice 1 estar insolvente, contabilmente chamamos de passivo a descoberto. O que significa que a empresa no tem recursos disponveis para saldar suas dvidas. O Ativo tornou-se menor que o Passivo Exigvel. Como o caso da OGX de Eike Batista.

    Muito se tem discutido sobre a capacidade da Petrobrs ser a nica exploradora dos reservatrios do pr-sal. O argumento de que a empresa tem condies de arcar com todos os custos e investimentos necessrios. Basta que se d tempo ao tempo, para que isto se concretize num espao de mais de 20 anos, e os resultados viro.

    Ento, porque do leilo?

    O leilo foi criado para acelerar o processo de extrao do petrleo e adiantar os resultados econmicos para o pas, trazendo estes resultados para um tempo mais prximo possvel.

    Sabendo que o investimento necessrio para explorar o pr-sal circula em torno de R$1,105 trilho, no possvel Petrobrs suportar sozinha este volume de recurso no curto prazo de 12 anos. Isto porque so necessrios R$92 bilhes em investimento anual.

    Fazendo as Contas

    Se somarmos este nmero ao Passivo Exigvel atual da empresa teremos: R$92,0 bilhes + R$415,330 bilhes. Teremos, ento, R$507,330 bilhes de Passivo Exigvel. Na outra ponta, se somarmos o lucro atual da entidade R$17 bilhes ao seu Ativo R$758,432 bilhes, teremos R$775,432 de Ativo.

    Achando novamente o ndice de endividamento para o primeiro ano de investimentos, teremos: R$507,330/R$775,432 = 0,64, ou, 64% de endividamento.

    Para o segundo ano de investimento e levando em conta o nvel atual de lucro reduzido por conta de a Petrobrs subsidiar o preo do combustvel importado, teremos do lado do Passivo Exigvel R$507,330 bilhes + R$92 bilhes, que igual a R$599,330 bilhes. Na outra ponta teremos o Ativo R$758,432 bilhes somado ao lucro lquido R$17,0 bilhes, totalizando R$775,432 bilhes.
    Destarte, o endividamento para o segundo ano de monoplio da Petrobrs acarreta endividamento de R$599,330/R$775,432, ou seja, 0,77, ou 77% de endividamento.

    Este raciocnio segue at que no quinto ano a Petrobrs atinja a insolvncia (falncia) mantida a exclusividade da explorao do pr-sal pela empresa e o tempo estipulado para preparao e incio de explorao, ou seja, 12 anos.

    O porqu do Leilo

    Para que a Petrobrs pudesse explorar de maneira solitria o pr-sal, seria necessrio o dobro do prazo estipulado para o consrcio firmado no leilo, ou seja, 24 anos.

    E isto empurraria muito mais para frente os resultados econmicos que o pas tanto necessita. Em termos de gerao de emprego, de investimentos, da necessidade de tornar a balana comercial novamente superavitria, da necessidade de aumentar a entrada de divisas e compor as reservas cambiais, de criar uma poupana slida e necessria de pelo menos 30% do PIB e de alcanar a autossuficincia energtica do pas.

    Pelas regras do leilo, a Petrobrs assumir apenas 40% do compromisso de custo e investimento, representando um montante em torno de R$37 bilhes anuais.

    Este volume anual, a Petrobrs ter como bancar sem comprometer a sua sade financeira. Basta promover um reajuste dos preos dos combustveis repassando a diferena do valore de importao do combustvel ao consumidor.

    Esta diferena corresponde a 12% de combustvel importado e consumido no pas, j que 88% dele produzido aqui mesmo, no Brasil.

    Assim a empresa volta a ter lucro lquido em torno de R$35,0 bilhes e concretiza a possibilidade de sustentar os investimentos necessrios durante os doze anos de preparao e incio de explorao do pr-sal.

    Certamente o leilo do pr-sal foi o segundo fato mais importante em nossa economia contempornea aps a criao do real. Foi, por certo, um grande passo estratgico e marco inicial do crescimento sustentvel do Brasil.

    • Corrigindo um equvoco que cometi:

      Para o segundo ano de investimento e levando em conta o nvel atual de lucro reduzido por conta de a Petrobrs subsidiar o preo do combustvel importado, teremos do lado do Passivo Exigvel R$507,330 bilhes + R$92 bilhes, que igual a R$599,330 bilhes. Na outra ponta teremos o Ativo R$775,432 bilhes somado ao lucro lquido R$17,0 bilhes, totalizando R$792,432 bilhes.

      Destarte, o endividamento para o segundo ano de monoplio da Petrobrs acarreta endividamento de R$599,330/R$792,432, ou seja, 0,75, ou 75% de endividamento.

      • Na verdade o lucro representado no patrimnio lquido,soma-se a ele. Mas reflete-se como contrapartida no ativo que contm o disponvel. No h qualquer confuso. muito simples.

        Como estamos falando em endividamento – que envolve apenas o passivo exigvel e o ativo total -, no citei o patrimnio para no complicar o raciocnio de quem no est acostumado a visualizar o balano patrimonial de uma empresa.

        Na verdade o patrimnio lquido apenas simblico e representa os direitos dos scios, no exigvel para a empresa, j que so estes mesmos que detm a empresa. Os recursos do lucro vo mesmo para o caixa da empresa (conta bancria), contidos no ativo. Logicamente, aps o pagamento dos dividendos.

  10. No “chutao” de nmeros. O investimento necessrio para a explorao do pr-sal de US$500 bilhes. O que corresponde a R$1,105 trilho.

    Para ficar melhor: 500 bilhes de dlares, ou, 1,105 trilho de reais.

    s converter a moeda!

  11. Mais a mais, por que a Unio no banca tudo isso? Simplesmente porque a dvida pblica brasileira j superou os 59,1% do PIB – R$2,749 trilhes.

    Agora faa um exerccio de aritmtica e some R$1,105 trilho com os R$2,749 trilhes de dvidas j existentes e achar um montante de R$3,854 trilhes (82% do PIB) e juros desta dvida ao custo de 15,8% ao ano.

    Vou adiantar e calcular os juros: sero juros de R$609 bilhes (!) por ano. Sendo que o pas hodiernamente consegue, no mximo, R$110 bilhes de supervit primrio para pagar parte dos juros da dvida.

    por isso que a Unio no vai bancar este colossal montante de recursos necessrios explorao do pr-sal.

    simples!

  12. Prezado Helio,

    Qual o nome do brasileiro combatente da Segunda Grande Guerra, qua ganhou uma alta condecorao dos EUA.
    Condecorao esta que at generais americanos deveriam presta continencia.
    Se no me falha a memoria o senhor ja escreveu sobre este brasileiro.
    Se puder indique alguma literatura sobre o bravo combatente brasileiro.
    .
    Agradeo-lhe, antecipadamente.
    Desculpe-me se estou errado quando ao meu relato.
    .
    Meus respeitos.

    • Helio. No perca a oportunidade de contar a esse comentarista, provavelmente jovem, e outros mais sobre o que passou aps o golpe militar com esse heri da FEB condecorado que comandava a Base Area de Santa Cruz, RJ, no final do governo Joo Goulart.

  13. Hlio, tenho um amigo de nome Paulo Bruce,que diz nunca ter visto na existncia dele, e l se vo 79, algum falar sobre histria com a desenvoltura e com a tua memria.
    Covardes e incompetentes coronis e generais brasileiros na FEB, segundo dizem alguns sobreviventes era uma avalanche.
    Leia um tijolo chamado “seja feita a vossa vontade” e vais entender porque este cidado de quinta categoria foi “presidente DITADOR”.
    Um grande abrao do admirador.
    Carlos Braga

  14. O jornalista Joel Silveira sofria de cncer de prstata, no quis tratar a doena, dizia que cansou de viver e que preferia morrer mas que fosse em sua casa.

  15. Concluso simplria em se tratando de algum que se julga inteligente e experiente, imaginar que a causa da obesidade a perda da autoestima.
    Para que tenha havido esta “perda” houve um motivo, uma causa que, em decorrncia, levou a pessoa a se refugiar na comida, no isolamento.
    Entretanto, outras so as razes pelas quais a obesidade se manifesta:
    Hereditariedade;
    Sistema emocional;
    Traumas;
    Tratamento de doenas graves;
    Sedentarismo;
    Tendncia obesidade;
    Disfuno hormonal;
    Problemas da tireide;
    Vrios outros motivos.
    A obesidade uma doena e tem vrias origens, desde a mental fsica, da orgnica psicolgica.
    Ora, haja vista a complexidade que rege cada ser humano e suas reaes frente s adversidades, natural que alguma parte do corpo se mostre evidente pela sua fraqueza diante das dificuldades existencias, a comear pela prpria rejeio do obeso para fazer regimes.
    De certa forma e, errada, as pessoas julgam o gordo como um comilo, um sujeito que come avidamente e sem parar. Existem casos assim, verdade, pela compulso comida, mas a maioria apresenta sintomas diferentes onde o obeso ingere menos alimentos que uma pessoa que come a sua quantidade normalmente.
    O metabolismo basal do gordo diferente do magro, por exemplo, que transforma seus alimentos em energia, enquanto que o gordo as armazena e aumenta o seu peso, em consequncia, mesmo praticando a mesma funo do “esbelto”.
    Enfim, trata-se de um ser humano que precisa mais de ajuda e de menos crticas, de mais compreenso que de rejeio; de mais afeto que excluso da sociedade.

  16. No consigo entender como dois comentaristas adultos e inteligentes se arengam constantemente, como se fossem dois irmos adolescentes ciumentos a marcarem posies um contra o outro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.