O Brasil precisa devolver à população o direito de ir e vir, tomado pelos ‘democratas’ na década de 80.

Francisco Vieira

Vi em um telejornal que um bandido de 19 anos já fora preso 230 vezes (repito: 230 vezes!) na região de Belo Horizonte, a maioria das prisões quando era ainda “menor”. Mesmo desconfiando de números “redondos”, essa reportagem não deixa de ser vergonhosa para as nossas autoridades da área do Direito e da Segurança. Se tivessem vergonha, claro!

Outro caso “jabuticabal” foi a prisão de um estuprador aqui em Brasília: Não foi possível a polícia divulgar a foto ou filmagem dele nos telejornais, para facilitar o reconhecimento por outras prováveis vítimas, porque animal era menor, apesar de quase 1,80m! Tinha que se preservar a imagem dele, lógico!

VSa. conhece algum outro país do mundo em que isto ocorra? Você, leitor desta Tribuna e que mora no exterior, por favor, me responda: por aí também é assim? Por aí a imagem e a “reinserção social” de um assassino e estuprador também é mais importante do que a integridade posteriores vítimas? Por aí os estupradores também têm direito prioritário ao atendimento psiquiátrico que, antes, fora negado à mulher estuprada?

Ora, o que inibe a criminalidade é a certeza (ou perspectiva) de punição, já que tudo na vida é avaliado em termos de custo-benefício. Por aqui tudo dá em nada! Matam-se pessoas como se matam insetos! Depois do homicídio cometido os governantes aparecem anunciando medidas inúteis e/ou impraticáveis que não passam de teorias discutidas por burocratas alienados, que só conhecem do Brasil o percurso compreendido entre o aeroporto e o seus gabinetes confortáveis!

Depois da morte acontecida, nada trará a vítima de volta; não adianta as autoridades aparecerem na televisão falando em “levantamento e mapeamento” de áreas perigosas (sempre que um hipócrita assume o governo, divulga-se esse tipo de ação). Mesmo que o assassino seja torturado, picado e morto, em nada diminuirá a saudade (palavra terrível!) de quem se foi.

Em minha opinião, o que o Estado deve fazer, já que é impossível para ele e para qualquer um repor a vida, é TENTAR EVITAR QUE O CRIME SE REPITA, seja mantendo isolado da sociedade o facínora, seja punindo-o como exemplo para os outros.

Neste caso, não se trata de vingança, mas apenas de ação para resguardar a vida dos outros cidadãos e o direito básico existente em qualquer sociedade civilizada: o direito de ir e vir, o direito de andar pelas ruas de mãos dadas, o direito de comprar pão pela manhã na padaria sem sentir medo! A isso se chama CIVILIDADE.

Aproveito o espaço para discordar de alguns “pensadores” que acreditam que, ao se libertar (ou não se prender) um bandido pobre, se estará fazendo justiça social pelo fato de o bandido rico não ficar preso no Brasil. Quanta alienação!

O que esse pessoal tem que fazer é lutar pelo fim da impunidade em todos os níveis, lutar pela prisão do bandido rico e para que ele fique preso ao lado do bandido pobre! Afinal, bandido é bandido, independente da classe social: enquanto uns assaltam nas paradas de ônibus, outros furtam a Previdência.

No entanto, o fato do bandido pobre “roubar” menos não significa que ele seja mais honesto do que o outro. Apenas não teve oportunidade, pois, se tivesse, fraudaria a Previdência da mesma forma. Se fosse eleito deputado, com certeza seria um deputado ladrão. Como insetos em uma árvore, cada um atua no seu extrato social; enquanto um corta as folhas, outros perfuram o caule e outros sugam a raiz, mas todos são pragas que devem ser combatidas com o mesmo rigor.

É preciso acabar com essa imagem de que todo homem nasce santo, que todo pobre é bonzinho e de que todo o rico é mau e, de preferência, coronel, latifundiário e escravagista. É preciso saber que quem furtou um toca-CDs não levou o carro porque não coube no bolso, e não por piedade do proprietário!

O Brasil precisa, urgentemente, se tornar um país civilizado. O Brasil precisa, urgentemente, devolver à população o direito de ir e vir, tomado pelos “democratas” na década de oitenta.

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