O Brasil quer líderes e não donos do poder

Luiz Tito
O Tempo

A Folha de São Paulo veiculou, no último sábado, entrevista com a vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia. Reconhecida pela sua sólida formação jurídica, que a tornou uma importante referência em Direito Administrativo e Constitucional, a ministra realçou o estado de imobilismo em que se acha o país, diante de um quadro que a cada dia mais se inviabiliza, pelo crescente agravamento da nossa situação econômica e também pela erosão da importância de nossas instituições, que deveriam estar desempenhando papel fundamental na reconstrução da identidade política do país.

Cármen Lúcia sintetizou seu alerta advertindo que “a sociedade não pode ficar imobilizada por incerteza e medo”, lembrando que esse “ambiente de incertezas” não pode comprometer mais ainda o processamento de agendas que são inadiáveis no contexto nacional. Contas públicas que não se ajustam, num processo em que a precária estabilidade institucional é dependente da nefasta, costumeira e viciada operação toma-lá-dá-cá. Com o orçamento em franca agonia, o Executivo dele se serve através de concessões intermináveis para agradar setores do Legislativo e do Judiciário e assim poder respirar.

ELEIÇÕES EM 2016

Lembrou ainda a ministra da proximidade das eleições que no próximo ano vão reformar prefeituras e câmaras municipais em todo país. Batemos todos os dias pela requalificação do perfil da representação política da sociedade, mas partiremos para uma eleição com os mesmos vícios que tentamos combater sempre que nos achamos mal ou nada representados. Somos afinados para bater panelas, mas não o mesmo para participar da vida política, para escolher vereadores, prefeitos, deputados, governadores e presidentes. Quando não nos achamos atendidos, quebramos prédios públicos, meios de transporte e agências bancárias.

Criticamos o custo dos impostos, mas estamos ávidos por um cargo de assessor de vereador ou deputado, daqueles que não nos obrigue a comparecer ao trabalho. Queremos ser funcionários públicos porque na repartição não se cobra mérito, produtividade, responsabilidade e pela falta desses atributos não se demite ninguém. Não estamos generalizando, mas é o comum, é o usual.

CONSENSO MÍNIMO

Asseverou a ministra Cármen Lúcia, além do realce que fez das nossas incertezas, o alerta sobre a indefinição que o país vive quanto aos seus destinos e a necessidade de que a sociedade construa caminhos para se chegar a um consenso mínimo. O “abaixo tudo”, sem se saber o que virá no seu lugar, é o nada, não avança porque não é, não existe. A sociedade, sabemos disso, “precisa se organizar, estabelecer qual o consenso que se pode extrair” dessa ampla turbulência e trabalhar.

A ministra finalizou dizendo que qualquer mudança que se pretenda não poderá passar por uma ruptura institucional, sem o acatamento da Constituição e que as soluções, ainda que se tenha que produzir de forma mais célere, não virão dos que, travestidos de agentes públicos, são verdadeiros donos do poder.

4 thoughts on “O Brasil quer líderes e não donos do poder

  1. Se este país fosse sério, esta cambada toda estava na cadeia, nunca vi tanta roubalheira em todo tempo, ainda se fazem de inocente, querem ficar eternamente no poder, mas o tempo onde os poderes que fazem do Brasil esta zona, VAI ACABAR.

  2. LIÇÕES CÍVICAS E REPUBLICANAS DO MINISTRO Manoel Dias

    1. Temos divergências, principalmente no campo da economia. Somos socialistas, não podemos concordar com um modelo capitalista.

    2. Estamos participando do governo, somos totalmente favoráveis às ações no campo trabalhista, mas podemos avançar muito mais.

    3. O diretório nacional quando se reunir pode entender que o PDT deve sair. Mas fomos o primeiro partido a apoiar a candidatura de Dilma.

    4. As manifestações representam grande conquista que os brasileiros tiveram no combate à ditadura, sabemos o valor que isso tem.

    5. São democráticas, tranquilas, sem nenhum incidente, e que mostram que nós avançamos. Espero que isto fortaleça a democracia.

    6. O governo deve ouvir as ruas, ele é resultado das ruas. Na eleição, o povo definiu democraticamente indo às ruas para debater, decidir.

    7. Nunca houve no Brasil tanta liberdade como estamos tendo: uma Justiça independente, um Ministério Público independente.

    8. Houve eleição, as pessoas que perderam devem fiscalizar, cobrar, mas não com discursos de ruptura democrática. Isto é antipatriótico.

    Fonte: http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/276676-ministro-do-trabalho-manoel-dias-admite-descontentamento-com-o-governo-dilma-rousseff.html

  3. Infelizmente a nossa América Latrina é pobre na formação de líderes. Quase em sua totalidade os que se destacam, aproveitam esta característica para tirarem vantagens para si próprio ou para seu grupo mais próximo. Em especial se for analisar nossa classe política veremos a pobreza de idéias, caráter, etc é o que impera.

    A ministra Cármen Lúcia, disse: Os brasileiros precisam de mesma ousadia dos “canalhas” para ajudar país.

    Estranho o que essa ministra falou, pois no julgamento do mensalão, cinco ministros votaram por manter a condenação por formação de quadrilha dos mensaleiros: Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa.

    Votaram contra: Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki e Rosa Weber. Quando teve oportunidade de votar contra ladrões e corruptos esta ministra votou a favor dos corruptos.

    Enquanto tivermos um judiciário fraco e lerdo este país não irá progredir. Em especial a mais alta corte em que muitos dos indicados são apadrinhados de algum político.

    A liderança é uma poderosa combinação de estratégia e caráter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia.

    Norman Schwarzkopf

  4. A declaração da Ministra Carmen Lúcia, respeito, me fez lembrar que, ainda criança, aprendi com Mao Tsé Tung (que muitos hoje chamam de Mao Zedong, e eu, espiritualmente e brasileiramente de Zé …):

    “Ousar Lutar Ousar Vencer” = na época nos chamávamos o Mao de “Timoneiro do Povos”.

    O problema é que os brasileiros preferem lutar nos campos de futebol, nos sambódromos da vida, nas areias das praias…. é uma questão de escolhas …

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