O brasileiro quer distribuição de renda, melhores salários e aposentadoria digna

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

Após sucessivos e desastrados Planos Econômicos para combaterem a inflação, finalmente, durante o governo do presidente Itamar Franco, implantou-se o bem-sucedido Plano Real, mas desde então os salários dos brasileiros não foram reajustados de acordo com a inflação e continuam visivelmente defasados.

O aumento de salários gera consequentemente elevação no consumo de bens e serviços, que traz crescimento da arrecadação de impostos, facilitando o desenvolvimento socioeconômico.

QUADRO TRISTE – O povo brasileiro paga impostos altíssimos, mas não recebe nada em troca. Quando se aposenta, após ter contribuído por muitos anos, para a Previdência Social, recebe migalhas para sobreviver.

A “nova classe média”, tão anunciada pelo governo e pelos meios de comunicação, está pendurada junto aos bancos, tem dívidas enormes em todas as modalidades de empréstimos, como o consignado e o crédito direto ao consumidor, sem falar das impagáveis dívidas do cheque especial e do cartão de crédito, com juros que enchem de inveja os modestos agiotas.

Os brasileiros andam em carros que não são seus, por serem financiados e estarem com cláusula de alienação fiduciária. Se atrasam por uns dias a prestação do veículo,  são acordados, bem cedo, com telefonemas ameaçadores das financeiras, que fazem todo o tipo de pressão, menos entrar na Justiça para retomar o bem, pois sabem que lá terão os juros de seus empréstimos questionados por qualquer juiz de bom senso.

DIREITO DO TRABALHADOR – Um salário digno e justo é direito de todos os que trabalham e produzem para que o país possa crescer. Salários decentes estimulam as pessoas e são um importante fator de inclusão social.

A maioria dos economistas afirma que o item salário é o que menos tem peso na inflação, pois o dinheiro que vai ser gasto pelas famílias retorna em forma de impostos, que podem ser direcionados à áreas prioritárias, como Educação, Saúde e Segurança Pública.

O governo deve focar no nosso mercado interno, que se não consome o pretenderia é exatamente porc ausa dos salários baixíssimos pagos à imensa maioria dos trabalhadores brasileiros.

LEMBRANDO JANGO – Quando ministro do Trabalho do presidente Getúlio Vargas, o bem-intencionado João Goulart foi execrado pelos setores mais reacionários e acabou vítima do famoso “Manifesto dos Coronéis”, que exigiam sua demissão, por propor um aumento de 100% do salário mínimo.

O manifesto protestava principalmente contra o descaso do governo em face das necessidades do Exército, relativas, por exemplo, à precariedade das instalações em todo território nacional, ao reequipamento das unidades, cujo material bélico era em sua maioria obsoleto, e ao reajuste salarial dos militares do Exército, em “eterna disparidade” em relação às forças armadas de outros países.

Nesse sentido, teciam sérias críticas ao aumento de 100% do salário mínimo proposto por João Goulart, ministro do Trabalho recentemente nomeado.

SALÁRIO MÍNIMO – O general Zenóbio da Costa discursou no Clube Militar. Disse que, para os militares signatários do manifesto, além de alimentar a inflação, o aumento de 100% do salário mínimo significava um desprestígio para as Forças Armadas, e “uma aberrante subversão de todos os valores profissionais”, uma vez que estancaria “qualquer possibilidade de recrutamento, para o Exército, de seus quadros inferiores”. Tal desprestígio, argumentavam eles, funcionaria também como elemento facilitador da ação dos comunistas.

O manifesto teve ampla repercussão nos meios políticos e militares, provocando a reação imediata de Vargas, que substituiu os ministros da Guerra e do Trabalho, Ciro do Espírito Santo Cardoso e João Goulart, ambos identificados com a política nacionalista e trabalhista do governo. Conciliador e generoso como sempre, Jango pôs seu cargo a disposição de Vargas, que o substitui.

Como ministros da Guerra e do Trabalho, assumiram, respectivamente, Zenóbio da Costa e Hugo de Faria.

VARGAS REAGE –  Em 10 de maio, o presidente Getúlio Vargas anunciou, em inflamado e enérgico discurso, o novo salário mínimo, nos termos propostos pelo ex-ministro João Goulart. E o Brasil não foi à falência, como previam os arautos da tragédia. A partir daí, a oposição civil e militar retomou o movimento conspiratório que desembocaria na crise de agosto e no suicídio do presidente.

Igualmente durante o Governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil viveu um período de inflação alta, mas foi um ciclo de desenvolvimento e a população viveu anos de alegria, progresso e muita felicidade.

Por tudo isso, não acredito que possa haver um país rico, se o povo é pobre e enfrenta enormes obstáculos para sobreviver com alguma dignidade.

17 thoughts on “O brasileiro quer distribuição de renda, melhores salários e aposentadoria digna

  1. Querem manter a miserabilidade no Brasil, os únicos que tiveram coragem foram, Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek, outro que seguiria o mesmo caminho destes era, Leonel Brizola, mas o povo sofre pelo desconhecimento, ainda mais hoje que acreditam em fakes news, está aí a prova, elegeram Bolsonaro, um povo esclarecido jamais voltaria neste senhor, não sou partidário de nenhuma sigla, mas procuro acompanhar, quem realmente quer um país livre e soberano.

  2. Só o PIB da Califónia é quase o mesmo do Brasil. Lá com 40 milhões de habitantes e aqui 200.
    Lá o empregador e o empregado pagam apenas 7% de imposto sobre combustíveis, aqui 62%.
    Aqui o pobre compra 2 pães, quando poderia levar 3, por causa dos impostos que se cobra , pasme, até em alimentos e remédios. E por aí vai

    De maneiras que ganhar, todos queremos, mas a realidade econômica deste país, por alguns exemplos que coloquei acima, só pode arcar com o que sobra da gigantesca e corrupta máquina pública, por ser o Brasil um país socialista como o nosso, em que , para mantê-la, toma o dinheiro do povo com a falácia de que vai dividi-lo com os pobres.

  3. João Goulart, ministro do Trabalho recentemente nomeado. Sofreu o “Manifesto dos Coronéis”, que exigiam sua demissão, por propor um aumento de 100% do salário mínimo. E o Brasil não foi à falência, como previam os arautos da tragédia. Quem afirma que aumento de salários aumenta a inflação mente, pois o salário dignos aumenta a auto estima do povo e ajuda no crescimento de bens e serviços. O que causa inflação são os desperdícios pelo mau uso do dinheiro público, como pagamento de salários de mais de 30.000 mil mensais para filhas solteiras de servidores do auto escalão, e as regalias de poucos afortunados.

  4. Caro José Carlos Werneck,
    Muito bom e esclarecedor seu artigo.
    Sem dúvida, são os trabalhadores assalariados que representam a maioria da população brasileira que mais consome e paga impostos, e o salário volta direta e indiretamente às mãos do governo.
    Sem consumo, não há desenvolvimento. Um digno salário mínimo ajudaria a aumentar o consumo.
    Mas a cartilha dos conservadores para combater a inflação é inibir o consumo com arrocho salarial.

  5. A ignorância não imagina que o Brasil tem milhões de bitacas com um ou dois empregados que, se dobrar o salário mínimo, milhões de trabalhadores vão pro olho da rua.

    Por essas e outras o bêbado foi deposto pelo povão que já não aguentava mais sua cachaçadas.

    • Como eu estou no anonimato, eu posso confessar (se não estivesse também confessaria; pois, não tenho vergonha de nada que fiz, e só uso o anonimato por não gostar de exibidos): Eu andava com o adesivo de “fiscal do Sarney”.

  6. Werneck, o governo não pode aumentar a renda das pessoas, é a iniciativa privada que faz isso. Se o governo pudesse aumentar o salário mínimo, na canetada, sem nenhuma consequência econômica, todo governo faria.

  7. Não existe essa besteira de distribuição de renda. Renda é o que vc ganha quando efetua troca de valores, não existe como elemento solto, portanto não tem como ser distribuída.

    Distribuir renda é como querer engarrafar vento…

  8. O Dr. JOSÉ CARLOS WERNECK escreve excelente Artigo no qual informa que o Brasileiro quer: Distribuição de Renda, melhores Salários e Aposentadoria/Pensão dignas. Enfim, Alto Padrão de Vida.

    Só que isso não se consegue com LEI. A própria Constituição Federal 88 em Cláusula Pétrea especifica quanto deve ser o Salário Mínimo Digno, e o DIEESE calcula que em Dez/2019 é de R$ 4.100,00/mês.
    A dura realidade é que o Salário Minimo é para 2020, R$ 1.045,00/mês.
    Será que isso é pela dureza do coração dos Empregadores?

    Não, é porque a Lucratividade Marginal do Trabalho de Salário Mínimo é muito baixa.
    Lucratividade Marginal do Trabalho de Salário Mínimo é o seguinte: A Empresa média tem N Empregados de S.M.Ao empregar mais um, o N+1, ela tem um acréscimo de Renda Líquida de R$ 5.000,00/mês então ela pode pagar o Salário Minimo Constitucional de R$ 4.100,00/mês. Mas no N+5 ela tem um acréscimo de Renda Líquida de R$ 3.900,00/mês,então não contrata mais Ninguém.
    Ora, mesmo com Salário Mínimo de R$ 1.045,00/mês nós já temos um DESEMPREGO “Oficial ” de 12% por que nossa Produtividade Marginal do Trabalho Mínimo é muito Baixa.

    Temos então que AUMENTAR em +- 400% nossa Produtividade Marginal de Salário Mínimo.
    Como se faz isso?
    Fazendo as Empresas Médias do Brasil ter ALTOS LUCROS. Mas TODAS, não só um Segmento como os BANCOS.
    Os Bancos Brasileiros tem altos Lucros +- 20%aa sobre o Capital Líquido, mas EMPREGAM relativamente pouca Gente. Se TODAS as Empresas do Brasil tivessem a Lucratividade dos Bancos, a Produtividade Marginal do Trabalho de Salário Mínimo seria superior a +- R$ 5.000/mês e poderíamos ter o Salário Mínimo do DIEESE de R$ 4.100/mês.

    Abração.

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