O caldeirão do PMDB-RJ nas sucessões

Leonardo Souza
Folha

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um mestre na arte de dar pontos com nó. Cada aperto de mão, cada proposta embute uma expectativa de ganho político. Em março, o presidente da Câmara dos Deputados iniciou em Curitiba (PR) um projeto chamado “Câmara Itinerante”, de sessões nas assembleias legislativas pelo país. Foi a senha para especulações sobre uma eventual candidatura sua à Presidência da República em 2018. Questionado sobre o tema, Cunha anunciou Eduardo Paes, prefeito do Rio, como seu candidato a presidente.

Nos gabinetes do poder fluminense, comenta-se que o verdadeiro plano de Cunha é o governo do Estado. Impulsionado pela reeleição e pelo extenso projeto urbanístico associado aos Jogos Olímpicos de 2016, Paes pode ser considerado, sem dúvida, pré-candidato a presidente em 2018.

Mas o caminho natural para o prefeito do Rio seria o governo do Estado. Dado o cenário atual, dificilmente perderia a corrida. Ao apoiar Paes para presidente – um desafio duríssimo para qualquer um -, Cunha habilmente fortalece seu nome no partido em direção ao Palácio Guanabara. No discurso, pelo menos, Paes afirma que só decidirá seu futuro após a Olimpíada.

DISPUTA EMBOLADA

A disputa entre os peemedebistas pelo Palácio da Cidade em 2016 não é menos embolada. Em dezembro, Paes lançou o deputado federal Pedro Paulo, seu ex-secretário de governo, como candidato a sua sucessão no ano que vem. O presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, principal cacique do partido no Estado, tem outros planos. Seu candidato a prefeito é seu filho Leonardo Picciani, também deputado federal.

Para complicar ainda mais o jogo, engana-se quem pensa que o ex-governador Sérgio Cabral julga-se morto. Cabral também cogita disputar a Prefeitura do Rio em 2016, com a esperança de unir Paes e Picciani ao seu redor.

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