O caminho do nada

Carlos Chagas

Os dirigentes da CPI do Cachoeira anunciaram a intenção mas não conseguiram esta semana, nem vão conseguir, porque não querem, as 171 assinaturas de deputados e 21 de senadores para prorrogar seus trabalhos depois de 4 de novembro. Mesmo que por milagre as assinaturas brotassem no asfalto, o resultado seria o mesmo: a CPI morreu. Falta ser sepultada. Depois de tantos meses reunida chegou onde pretendiam seus inspiradores: ao nada.

Razões para tanto? O medo dos líderes dos principais partidos, tanto os da situação quanto os da oposição, de serem reveladas ligações perigosas e algumas até criminosas entre círculos políticos e econômicos com o bandidão que a muitos comprou e a outros intimidou.

É por esse motivo que o Cachoeira permanece há sete meses preso. Não pode falar, mesmo se quiser. Suas relações com o mundo empresarial e político foram de estarrecer. No único depoimento por ele prestado, alegando direito constitucional, negou-se a avançar qualquer informação. Imaginava estar fora das grades em poucos dias, pelo brilho de seu advogado, o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos. Depois, as coisas degringolaram. O réu perdeu o patrono, dizem que por falta de pagamento, e viu-se humilhado numa cela cheia de marginais.

Indignou-se e deu sinais de estar pronto para jogar barro no ventilador. Contar tudo. É o que querem evitar. Coincidência ou não, Cachoeira está ameaçado de morte e não existem sinais de que possa ganhar a liberdade. Ainda há dias conseguiu um habeas-corpus para defender-se em liberdade num dos processos a que responde. Ficou onde estava, dado o número de outras ações contra ele, apesar de a Justiça de Goiás andar a passos de tartaruga para sentenciá-lo.

Era para a CPI desvendar tudo. Expor os intestinos de negócios escusos onde participaram governadores, senadores, deputados, empresários, empreiteiros e toda a corja que manchou o país tanto ou mais do que os réus do mensalão. Só que a República poderia virar de cabeça para baixo. Sendo assim, melhor enterrar tudo, até a CPI. E se o Cachoeira não tomar cuidado, vai junto.

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O ACÓRDÃO DE MIL PÁGINAS

Informa-se no Supremo Tribunal Federal não passar da próxima semana o fim do julgamento do mensalão, pode ser até que com a dosimetria completada, quer dizer, fixadas as penas dos condenados. Seria bom marcar coluna do meio, como se dizia nos tempos em que apareceu a loteria esportiva. Porque seguir-se-ão outras etapas, como a redação do acórdão resumindo todos os trabalhos. Coisa para mais de mil páginas, com a participação de todos os ministros. Em seguida, sua publicação no Diário da Justiça.

Abre-se, depois, o prazo para a apresentação de embargos pelos advogados dos réus. Não haverá um que deixe de solicitar esclarecimentos sobre as sentenças. Resolvidos os recursos em demoradas sessões da corte, aí se poderá dar o processo como transitado em julgado. Nessa hora, a iniciativa passará às Varas de Execução Penal dos estados onde residem os punidos com pena de prisão, para decidirem onde abrigá-los. Em suma, já estaremos em junho ou julho do ano que vem.

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PARIS OCUPADA

Recém-chegado de Paris, um amigo revelou-se espantado por verificar que a capital francesa está ocupada pelos chineses. Não há uma loja ou restaurante que não anuncie nas vitrinas, com aqueles misteriosos garranchos, algo como “fala-se chinês”. Em grande parte do comércio quem faz compras depara-se com duas filas, na hora de pagar e empacotar: uma só para chineses, outra para o resto do mundo. Basta ter os olhos enviesados para ser bem tratado, a invasão pode ser sentida a qualquer hora do dia e da noite. Faz 72 anos que Paris foi ocupada pelos alemães. Os franceses negavam-se a falar alemão. Agora, estão aprendendo chinês…

 

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