O cenário da explosão fiscal já está pronto, à espera do novo presidente

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Ilustração reproduzida da IstoÉ Dinheiro

Deu em O Globo

O eleito para subir a rampa do Planalto no dia 1º de janeiro terá de começar a trabalhar logo, para aplainar o acidentado terreno fiscal que o país tem à frente, sem permitir que a crise nas contas públicas, que já vem desde no mínimo 2014, volte a se agravar. Será ruim para seu governo e péssimo para a população. Isto se o novo presidente já não houver atuado desde sua eleição, junto com Michel Temer, na necessária tentativa de o atual Congresso, a ser substituído apenas em fevereiro, aprovar pautas estratégicas, como a reforma da Previdência.

O cenário das finanças públicas é de ruínas, mas já foi pior. O Brasil vai entrar no quinto ano consecutivo no vermelho. Em 2014, ano eleitoral, o país passou a acumular déficits primários (excluindo os juros): de 0,4% do PIB, atingiu 2,5% em 2016, e o resultado negativo começou a cair.

FORA DE CONTROLE – Os desequilíbrios fizeram com que a dívida pública em relação ao PIB disparasse com Dilma Rousseff (Lula apoiando, claro): de administráveis 51,3%, chega neste ano a quase 80%, 30 pontos percentuais acima da média das chamadas economias emergentes. E continuará subindo, sem as reformas. Acontece que, sem superávit primário, a União precisa se endividar para saldar a integralidade da conta de juros. Portanto, é certo que, se nada for feito, as despesas ficarão fora de controle, e a insolvência do Tesouro será visível a olho nu.

Cabe rememorar que, nestas circunstâncias, há fuga de divisas, portanto o dólar dispara; o impacto deste movimento cambial nos preços é inevitável, e assim a inflação também explode, levando o Banco Central a elevar, de maneira proporcional, os juros básicos (Selic). O desfecho deste encadeamento, como nas pedras de dominó que caem umas sobre as outras, é a recessão, com desemprego e demais mazelas. E sem que haja certeza de que a inflação retrocederá.

BOLA DA VEZ – Para se ter alguma ideia do que pode ocorrer, basta acompanhar o que acontece agora na Argentina. O Brasil, é verdade, tem US$ 380 bilhões de reservas, mas elas não podem tudo. Conseguem, no máximo, suavizar o tranco, mas não evitá-lo.

No núcleo das dificuldades do país, está a Previdência, em que a escalada dos déficits é avassaladora (do Regime Geral, ou INSS, do setor privado; e do Regime Próprio, dos servidores e dos militares). O desequilíbrio ocorre porque se demora muito para se tentar agir contra ingredientes explosivos: parte dos assalariados (INSS) se aposenta muito cedo (a média é de pouco mais de 50 anos), e com a ampliação da expectativa de vida, gera-se uma despesa impossível de ser coberta pela contribuição ao sistema dos que entram no mercado formal de trabalho.

DESEQUILÍBRIO – Há ainda o injusto desequilíbrio entre aposentados pelo INSS, do setor privado (27 milhões) e o milhão de servidores federais que deixaram a ativa com elevados benefícios.

O saldo negativo do sistema dos servidores é proporcionalmente muito maior que o do INSS. Esta eficiente usina de desigualdades de renda também precisa ser desativada. Outra tarefa para o novo presidente.

5 thoughts on “O cenário da explosão fiscal já está pronto, à espera do novo presidente

  1. O furo da previdência não é que o trabalhador se aposenta cedo. Se você aplicar os 28%(8% seu 2 20% da empresa) do seu salário mensalmente por 35 anos na poupança o saldo final será de 400 salários. Estes 400 salários renderiam 2 salários mensais, mas o INSS só paga 80% de um salário como aposentadoria e fica com o capital quando você vai embora. Isto se chama PREVIDÊNCIA, afinal para onde foi o dinheiro das contribuições?????Primeiro temos de descobrir quem roubou/emprestou/tomou e cobrar deste pessoal.

  2. Não acredito que nenhum dos candidatos vá melhorar a condição de penúria dos aposentados. Já estou com 80 anos, trabalhei por mais de 50 e vivo passando necessidades. Mesmo ainda válido e inteiramente lúcido, não votarei em ninguém.

  3. Gostaria de saber porque se insiste tanto com a “reforma da Previdência” ? Até hoje não se fez a auditoria necessária, não seria mais fácil cobrar de quem deve à Previdência e somente depois reformá-la? Quantas milhões de empresas devem não só à Previdência mas também à Receita Federal, ao FGTS, aos estados e municípios? Será que depois de levantados os déficits não chegaremos à conclusão mais óbvia, de que dinheiro há e muito . E de que as reformas são necessárias mas que não são a salvação da lavoura.

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