O compositor Vasco Debritto, brincando de ser feliz

Resultado de imagem para vasco debrittoPaulo Peres
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O engenheiro, produtor musical, arranjador, cantor e compositor paulista Vasco Ramos de Debritto deseja, na letra de “Invenção”, brincar de ser feliz.  A música foi gravada pelo próprio compositor no CD Praias do Corais, em 2001, pela Polistar.

INVENÇÃO
Vasco Debritto

Queria brincar de ser feliz (ser feliz)
Inventei um grande amor, um avião (voei)
Voei de féria pra Paris
Vivia eu então, tal qual um aprendiz

Saí pro jardim das hortelãs (hortelãs)
Nem bati a porta, nem olhei pra trás (deixei)
Sentia muito mais o cheiro das manhãs

Na rua os guris
Jogavam jogos infantis
No caminho das pedras
Quase ninguém se perdia: luz néon
Nem tudo fantasia
A gente falava de amor
Futuro então
Não era nada assustado

Eu ia tão leve a flutuar (flutuar)
Descobri a dimensão, espaço, grau (o tempo)
Tempo parado no olhar
Num vôo colossal, seguia a imaginar

Até o meu país
Se engrandeceu qual eu quis
E pelas alamedas
Não se viam mais mendigos, coisas assim
Não tinha mais perigo
A noite já não era breu
Que bom, enfim
O medo a gente já esqueceu

4 thoughts on “O compositor Vasco Debritto, brincando de ser feliz

  1. Não conhecia esse “Brincar de ser feliz”, mas posso dizer que todos os cantos de brincar de ser feliz, pode se resumir em cultivar amizades, sorrir sempre, mesmo que o sorriso seja triste. Imaginar um mundo sem misérias, sem mendigos, sem cárceres, porque ninguém precisaria, já que todos são felizes. Olhar com amor, é uma brincadeira infalível. Não conhecia essa invenção de INVENÇÃO de Vasco Debritto. Gostei da mensagem.

  2. http://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/declaracao-de-amor-de-maria-barroso-ecoa-nos-jeronimos

    Muito bonita a declamação de “Os Dois Poemas de Amor da Hora Triste”, de Álvaro Feijó, reproduzidos nos claustros manuelinos do Mosteiro dos Jerónimos, pela voz de Maria Barroso, durante a cerimónia fúnebre de Mário Soares.

    Álvaro Feijó : Os dois sonetos de amor da hora triste

    Quando eu morrer — e hei de morrer primeiro
    Do que tu — não deixes de fechar-me os olhos
    Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
    E ver-te-ás de corpo inteiro.

    Como quando sorrias no meu colo.
    E, ao veres que tenho toda a tua imagem
    Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
    Fecha-me os olhos com um beijo.

    (Eu, Marco Póli)

    Farei a nebulosa travessia
    E o rastro da minha barca
    Segui-los-á em pensamento. Abarca

    Nele o mar inteiro, o porto, a ria…
    E, se me vires chegar ao cais dos céus,
    Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,

    II

    Não um adeus distante
    Ou um adeus de quem não torna cá,
    Nem espera tornar. Um adeus de até já,
    Como a alguém que se espera a cada instante.

    Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar
    De novo para ti, no mesmo barco
    Sem remos e sem velas, pelo charco
    Azul do céu, cansado de lá estar.

    E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
    E não quero que chores para fora,
    Amor, que tu bem sabes que quem chora

    Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
    To peça, diz-mo. A travessia é longa… Não atino
    Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?

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