O Coronel Jararaca

Charge do Jorge Braga, reprodução de O Popular

Sebastião Nery

Chico Heráclio foi o mais famoso coronel do Nordeste. Em Limoeiro, Pernambuco, quem mandava era ele. Era o senhor da terra, do fogo e do ar. Ou obedecia ou morria. Fazia eleição como um pastor. Punha o rebanho em frente à casa e ia tangendo, um a um, para o curral cívico. Na mão, o envelope cheinho de chapas. Que ninguém via, ninguém abria, ninguém sabia. Intocado e sagrado como uma virgem medieval.

Depois, o rebanho voltava. Um a um. Para comer. Mesa grande e fartura fartíssima. Era o preço do voto. E a festa da vitória. Um dia, um eleitor foi mais afoito que os outros:

– Coronel, já cumpri meu dever, já fiz o que o senhor mandou. Levei as chapas, pus tudo lá dentro, direitinho. Só queria perguntar uma coisa ao senhor: em quem foi que eu votei?

– Você está louco, meu filho? Nunca mais me pergunte uma asneira dessa. O voto é secreto.

AGAMENON

Chico Heraclio jogou tudo na campanha de Agamenon Magalhães, do PSD, contra João Cleofas, da UDN, na disputa do governo do Estado, em 1950. Deu mais de 70 por cento dos votos da região a Agamenon.

Agamenon tomou posse, ele foi lá. Agamenon estava eufórico:

– Chico, use e abuse do meu governo.

– Governador, muito obrigado. A Secretaria da Fazenda e a Secretaria de Segurança o senhor não dá a ninguém. As outras não valem nada, não quero nada. A não ser pedir pelos meus amigos quando for preciso e para colocar água em Limoeiro.

Pouco depois, voltou ao Palácio para pedir a Agamenon a aposentadoria de um amigo, juiz com poucos anos de função.

– Mas Chico, isso é muito difícil.

– Se fosse fácil eu não vinha lhe pedir. Governo existe é para fazer as coisas difíceis. As fáceis a gente mesmo faz.

Mas entre Heraclio e Lula há uma diferença. Heraclio não dizia palavrão. Lula é um boca-suja. Mulher e menino não podem chegar perto.

O JUIZ

Dia de festa em Limoeiro. O time da cidade ia jogar com o escrete de Garanhuns, disputando o primeiro lugar no campeonato Intermunicipal. Coronel Chico Heráclio chegou todo de branco, sentou-se na cadeira de vime, a partida começou.

Primeiro tempo, segundo tempo, nada. Zero a zero. Não saia gol. Cinco minutos para acabar o jogo, o juiz, que tinha ido do Recife, marcou pênalti contra Limoeiro. A torcida da cidade endoidou, invadiu o campo. O juiz correu para junto do coronel Heráclio com medo de ser linchado. O coronel levantou a bengala, todo mundo parou:

– O que é que houve, seu juiz?

– Um pênalti que eu marquei, coronel.

– O que é esse negócio de pênalti?

– É quando o jogador comete uma falta dentro de sua área. Aí, a bola fica ali naquela marca, em frente à trave e um jogador adversário chuta. Só ele e o goleiro.

– E faz o gol, seu juiz?

– Geralmente faz, coronel, é difícil goleiro pegar pênalti.

– Muito bem, seu juiz. Sua explicação é muito boa, E eu não vou tirar sua autoridade. Já que houve o tal do pênalti, faça como a regra do futebol manda. Só que o senhor, em vez de botar a bola em frente da trave de Limoeiro, faça o favor de botar do outro lado e mandar um jogador daqui da cidade chutar.

– Mas, coronel, isto é contra a lei.

– Pois já ficou a favor. Aqui em Limoeiro a lei sou eu.

Limoeiro ganhou.

LULA

Como Lula mesmo falou, o Brasil está criando uma jararaca. Um Coronel Jararaca. Ele não fala, morde. Ele não diz, xinga. Ele não disputa, rouba o jogo. Não quer aliados, correligionários. Quer vassalos, escravos. Não quer um partido. Quer uma gangue para roubar, roubar, roubar.

A filosofia dele é a dos facínoras. Para ele e para eles, “vale tudo”.

DILMA

Até a Dilma, que parecia de caráter diferente, aderiu logo ao bando. Já na campanha eleitoral dizia que “para ganhar vale tudo”.

Agora, conta a “Folha de S. Paulo”:

– “O ministro da Educação, Aloizio Mercadante (logo ele, da Educação) falou em alternativas para tirar o senador Delcídio da prisão, dizendo que “em política tudo pode”.

É a lição, a sórdida lição do PT, de Lula e do governo Dilma.

5 thoughts on “O Coronel Jararaca

  1. E aí, Nery, como vai ?

    “O nosso dever primeiro é através das eleições conquistar o poder, conquistar o governo. Não existe partido político sem que tenha esse objetivo e a clareza de que se quer isso. Se não vira esse movimento intelectual, social, benemerente e não é isso que nós somos”. Ulysses Guimarães

    Abraços e saúde, sem religiosidades !!!
    Allah Ben Ali

  2. Licença: sobre a situação no RJ, com o governador Pezão internado no Hospital a mais de uma semana e sem previsão de alta, ouvi na rua que ele pode Renunciar para tratar da saúde, o vice-Dornelles não assume por estar muito idoso e quem deve governar será o deputado estadual Picciani, presidente da Alerj – PMDB.

    • A grande diferença do Pezãozinho (como diz o Paespalho) e o Picciani é que esse último é muito mais competente. Competente que eu digo é na arte à qual eles se entregam. Que não é exatamente a de governar.

      Será curioso o Governador Picciani assinando contratos, que, evidentemente, passaram por seriíssimos processos licitatórios, tendo como outra parte empresas que são dele mesmo.

    • A grande diferença do Pezãozinho (como diz o Paespalho) e o Picciani é que esse último é muito mais competente. Competente que eu digo é na arte à qual eles se entregam. Que não é exatamente a de governar.

      Será curioso o Governador Picciani assinando contratos, que, evidentemente, passaram por seriíssimos processos licitatórios, tendo como outra parte empresas que são dele mesmo.

      Mas esse risco é provisório. Como estamos ainda nos três primeiros anos do mandato, haveria eleições diretas para governador.

      Const. ERJ:

      Art. 142 – Vagando os cargos de Governador e de Vice-Governador do Estado, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
      § 1º – Ocorrendo a vacância no último ano do período governamental, a eleição para ambos os cargos será feita, trinta dias depois da última vaga, pela Assembléia Legislativa, na forma da lei.
      § 2º – Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

      Então, nem tudo está perdido, desde que o povo tenha aprendido a votar (isso é que é difícil!).

  3. “Com mau defunto, não se gastam velas. “Quanto mais espaço (Mídia) derem ao jararaca, mais o ofídio entenderá que vale algum vintém. Esta na hora, portanto, de ignorar tal animal peçonhento, que não faz jus à especie que pertence: cobras venenosas. tula

Deixe uma resposta para Oigres Martinelli Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *