O democrata Barack Obama mentiu no pronunciamento à nação sobre Bin Laden. Mas quem se preocupa com isso? Só os republicanos, que tentam, mas não conseguem alijá-lo do poder.

Carlos Newton

Acho que não vou mais falar sobre as dúvidas a respeito da morte de Bin Laden. Ninguém aguenta mais esse assunto. Porém, por sua importância atual e futura, vale a pena fazer mais alguns comentários sobre as contradições nos relatos da Casa Branca e da Agência Central de Inteligência.

Não vi ninguém levantar dúvidas sobre o pronunciamento do presidente Barack Obama, feito às 23h35m de domingo (horário de Washington). Mas é importante voltar a esse discurso, para destacar dois trechos da maior relevância:

1) “Então, em agosto passado, depois de anos de um trabalho minucioso de nossa comunidade de inteligência, fui informado de uma possível pista que levava a Bin Laden. E levou muitos meses para acabar com essa ameaça. Encontrei-me repetidamente com minha equipe de segurança nacional enquanto nos certificávamos sobre a possibilidade de que havíamos localizado Bin Laden escondido num complexo no interior do Paquistão. E, finamente, na semana passada, determinei que tínhamos informações suficientes para agir, e autorizei uma operação para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a justiça.”

Ou seja, o presidente disse ter autorizado uma operação “para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a Justiça”, não para executá-lo e jogar o corpo ao mar. E prosseguiu assim o histórico pronunciamento:

2) “Hoje, sob minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra aquele complexo em Abbottabad, Paquistão. Uma equipe de americanos conduziu a operação com extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano ficou ferido. Eles tiveram o cuidado de evitar vítimas civis. Depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.”

Portanto, nessa primeira versão, Barack Obama anunciou que “depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.” Ficou claro: houve reação de Bin Laden, que teria morrido na troca de tiros.

Nas novas versões que surgiram, divulgadas pela própria Casa Branca e pela CIA, Bin Laden não reagiu, estava desarmado, mas, mesmo assim, foi executado, circunstância que levou o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt a considerar que “foi claramente uma violação do direito internacional”.

Agora, vamos refazer a cronologia dos fatos. O ataque ocorreu à 1 hora da madrugada (horário do Paquistão, segundo o twitter paquistanês que transmitiu a notícia para a web). Em Washington, eram exatamente 11 horas da manhã (diferença de fuso: 10 horas).

O presidente Obama, a secretária Hillary e toda cúpula da segurança dos EUA acompanharam, ao vivo, a operação dos marines, que durou 38 minutos. É claro que assistiram à cena principal, a execução de Bin Laden, caso contrário a transmissão nem teria graça. Então sabiam que ele não havia reagido e estava desarmado.

Este foi o pronunciamento mais importante da vida de Barack Obama. Um discurso bem curto, de apenas 3 laudas e somente 1.329 palavras. A operação terminou às 11h38 da manhã de domingo, Obama leu o texto às 23h35. Portanto, sua equipe teve praticamente 12 horas para pensar. repensar, discutir, rediscutir, redigir e dar forma final ao curto pronunciamento.

Mesmo assim, deixaram passar a frase de que o presidente teria autorizado uma operação “para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a Justiça, não para executá-lo e jogar o corpo ao mar. Com isso, simplesmente admitiam que a ordem do presidente fora desrespeitada.

Logo a seguir, no pronunciamento, o presidente anunciava que, depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.” Ora, como Barack Obama e todo o staff assistiram à transmissão ao vivo do ataque, por que afirmar que Bin Laden fora morto depois da troca de tiros, se não houve reação, se nada disso aconteceu?

É claro que, eleitoralmente, essas contradições em nada prejudicam a reeleição de Barack Obama, que já está com os dois pés no novo mandato. Sejamos realistas: o povo norte-americano, com justa razão, queria mesmo é que Bin Laden fosse morto, e da maneira mais perversa possível. Os americanos estão se lixando para “violações do direito internacional”. 

A única coisa que poderia evitar a reeleição de Obama seria a certidão de nascimento falsa, caso os republicanos realmente comprovassem que o presidente nasceu no Quênia e não no Havaí. Mas até agora não fizeram nada, eles apenas denunciam, mas não provam.

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