O desenvolvimento nacional – I

Jorge Folena

Faltam quinze dias para a eleição presidencial de 2010 e os principais candidatos não discutiram com a profundidade necessária os problemas brasileiros, que são muitos.

O país não tem um projeto de nação.

Vou aproveitar a oportunidade e a confiança depositadas pelos jornalistas Hélio Fernandes e Carlos Newton para, nesta coluna aos sábados, discutir alguns impasses brasileiros, pois como disse Thomas Woodrow Wilson, ex-presidente dos Estados da América do Norte, “um povo que entrega suas riquezas naturais para que outros povos explorem, está condenado a ser um povo de escravos e aguadeiros”.

Assim, o Brasil tem que defender o que é seu, sob pena de sermos um “povo de escravos”, e para que as crianças e os jovens possam ter esperança de um Brasil melhor.

Contudo, é  necessário reverter o triste cenário atual, uma vez que, segundo pesquisa Datafolha, “42% dos jovens brasileiros sonham em deixar o País para sempre e 18% não querem nunca mais voltar”, como registrou o jornalista Nogueira Lopes em sua coluna na Tribuna da Imprensa, de 05/08/2008, p. 11. Daí a importância de lutarmos pelas riquezas do País.

Como pensam os políticos brasileiros

A Tribuna da Imprensa de 30/08/2008, p. 07, noticiou que o ministro da Fazenda (Guido Mantega) manifestou que “não haverá mais problemas de contas externas no Brasil”, uma vez que “a venda do petróleo da camada do pré-sal, localizado abaixo do leito marinho, será a base para o aumento das reservas internacionais de US$ 400 bilhões.”

O País ainda está definindo como será explorado o suposto petróleo do “pré-sal”, mas importantes autoridades governamentais já expressam que o óleo será destinado para o exterior.

Nestes últimos dois anos, tem se debatido muita coisa: redistribuição dos royalties do petróleo, criação de uma nova empresa estatal e de um fundo soberano, mudança da legislação etc. Mas ninguém questionou a necessidade de ser criada uma reserva estratégica de petróleo, fundamental à soberania do País.

Como se sabe, toda a história de desenvolvimento do Brasil, até o início do século XX, alicerçou-se em ciclos econômicos monoculturais: pau-brasil, ouro, cana-de-açúcar, borracha, café, soja, minério de ferro e, hoje, petróleo.

Parece que, agora, com a exploração do “pré-sal”, nossos dirigentes vão conduzir a política econômica do País para a exportação do petróleo. Sendo certo que o que for arrecadado será destinado ao pagamento dos encargos da absurda dívida mobiliária interna, que conduz ao empobrecimento do povo brasileiro.

Se existirem de fato as quantidades anunciadas, não será correto proceder à exportação do óleo como produto primário, que deverá  ser utilizado para fortalecer as reservas estratégicas do país, a exemplo do que fazem os Estados Unidos da América do Norte.

O Brasil, sem sombra de dúvida, é muito rico em recursos naturais e culturais. Tem tudo o que é necessário para o crescimento de uma grande nação e para a prosperidade de seu povo. O País tem minerais, água doce, diversas fontes de energia, terras abundantes e férteis e quase duzentos milhões de habitantes.

A propósito, são oportunas para reflexão pelas autoridades brasileiras as palavras da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao lembrar que: “a pobreza não veio à América Latina com o vento e a chuva, mas sim pela desapropriação de recursos desde que foi descoberta, somando ainda os erros dos dirigentes locais”. (La Nacion, 18/05/2008, p. 15)

Com efeito, o Ministro da Fazenda ou qualquer outra autoridade tem que agir buscando o melhor para o País, a fim de eliminar a herança perversa do processo de colonização, ainda baseado na expropriação das nossas riquezas.

Caso contrário, valerá a triste constatação do maestro Antonio Carlos Jobim, que afirmou que “o Brasil não gosta do Brasil”, citando como exemplo que “o Japão é um país paupérrimo, com vocação para a riqueza. Nós somos um país riquíssimo, com vocação para a pobreza.”

Portanto, nossos dirigentes não podem continuar a repetir os erros do passado na condução da administração do País. Assim, em vez de anunciar a venda do que ainda não foi explorado, devem planejar a constituição de uma reserva estratégica que venha a beneficiar as gerações presente e futura.

O que estamos vendo nestes últimos dias é o anúncio da capitalização da Petrobras com reservas do pré-sal, antecipada pela União. Por que o governo não acabou com a especulação, que só favorece alguns poucos, criando uma empresa 100% brasileira para explorar as grandes reservas de petróleo? O Presidente Lula deve esta resposta, antes do término do seu mandato.

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