O dossiê e a sordidez dos falsos aliados

Pedro do Coutto

A tentativa, sórdida e repugnante, de setores do PT de comprar um dossiê produzido nos porões da política e da polícia sobre Verônica Serra, filha de José Serra, só poderia acabar como terminou: no esgoto e no afastamento do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, da campanha de Dilma Roussef. Pimentel, ainda por cima, perdeu a oportunidade de disputar o governo de Minas Gerais, seu projeto real, pois, perdendo as força e até a confiabilidade, teve que desistir e apoiar Hélio Costa. Não creio que as bases petistas mineiras o sigam no sentido do PMDB. Vão terminar nos braços de Aécio Neves e na campanha de Antonio Anastasia. Ele ex-prefeito, concorrerá ao Senado. Mas esta é outra questão.

O fato é que, como integrante do comando da jornada de Dilma, ele convidou o jornalista Luiz Lanzetta para integrar a equipe. Lanzetta, que é proprietário de empresa de comunicação e relações públicas, por sua vez levou o jornalista Amauri Ribeiro Junior. Por razões ainda não esclarecidas, os dois encontraram-se num restaurante de Brasília com o delegado aposentado da Polícia Federal, Onézimo das Graças Sousa. Fernando Pimentel deveria participar do jantar, mas graças ao destino (há de pensar agora) não compareceu. Não compareceu, mas se comprometeu através de Lanzetta.

Em entrevista à Veja que está nas bancas, Onézimo Sousa afirma ter recebido de Lanzetta a proposta de 200 mil reais para montar o imundo dossiê. Tão imundo quanto os agentes da proposta. O que teria levado Onézimo a dar a entrevista? A articulação parece uma armadilha contra os desonestos e contra ele próprio, delegado. Isso porque se foi feita tal proposta, a obrigação de quem é honesto, e possui amor próprio, é rejeitá-la de plano e se levantar da mesa. Não se pode dialogar e muito menos confraternizar com atores da corrupção.

Os jornais de terça- feira, como O Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, deram destaque ao tema. Em minha opinião, a melhor reportagem foi a de Gerson Camaroti e Jailton de Carvalho, de O Globo. Focalizou todos os ângulos já disponíveis para análise e deixou aberta a estrada para outros desdobramentos que na certa vêm por aí.

Uma das versões, envolvendo o deputado Marcelo Itagiba, do PSDB-RJ, é a de que ele sabia da sombria articulação e o objetivo inicial era lançar o dossiê na pré-convenção dos tucanos para fortalecer Aécio Neves e enfraquecer José Serra. Aécio Neves teria desautorizado frontalmente a torpe ideia. Mas Onésimo teria ficado com um texto pronto.

Que texto será este?

Aberta a cortina do mistério, não se sabe como os jornalistas Lanzetta e Amauri Ribeiro Junior entraram no circuito. Agenciaram a tentativa de compra da repugnante versão. E se encontraram com Onézimo. Tudo claro? Não. Claro-escuro. Por que e como o delegado aposentado, especialista em escutas clandestinas e trabalhos desse tipo, segundo a própria Veja, foi parar nas páginas da revista? Um enigma que, como todos os enigmas, será desfeito e traduzido nos próximos dias. Não é o primeiro episódio dessa natureza. Nas eleições de 2006, houve a desastrada ação dos aloprados de São Paulo, que estavam ao lado do PT, e tentavam sabotar a candidatura Serra ao governo estadual. Fracassaram.

O destino final da tentativa foi novamente o esgoto da opinião pública. Agora, dois anos depois, a história se repete e ação sórdida mais uma vez causa rejeição geral. Os falsos amigos e os falsos aliados representam, na realidade, um desastre para os políticos com os quais se relacionam. São pessoas capazes de tudo,não têm moral e escrúpulos e deixam vítimas no seu rastro. A maior vítima da vez foi o próprio Fernando Pimentel, além da campanha do PT.

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