O embate futuro entre Lula, Aécio e Geraldo

Carlos Chagas

Surpreendente ou não,  dá o que pensar o crescimento de Antônio Anastasia em Minas, já ultrapassando Hélio Costa. Trata-se do fenômeno da transferência de votos, no caso, de Aécio Neves para o candidato que foi seu vice-governador até pouco. Sem tirar nem pôr, a mesma coisa verificada entre o presidente Lula e Dilma Roussef, na sucessão federal. Antes,  parecia verdade absoluta que votos não se transferiam. Agora, acontece o contrário,  de onde se tira a cristalina evidência de que para transferir é preciso ter. Lula e Aécio tem aos montes.

Em São Paulo a situação é outra: Geraldo Alckmin lidera com vantagem a corrida para o palácio dos Bandeirantes, mas não terá recebido muitos votos  de José Serra, pela simples razão de que já possuía o seus. Como governador, em dois mandatos, e candidato à presidência da República em, 2006, mesmo derrotado, tornou-se estrela com luz própria, amplamente conhecido.

A conclusão é de que tanto Dilma quanto Anastásia são tutelados, criaturas  girando  em órbita dos criadores.  Se mantidas as previsões e as pesquisas,  a nova presidente da República e o novo governador mineiro administrarão pela metade o país e o estado. Sobre ambos irá pairar  a sombra do Lula e do Aécio. Na hora de governar. Com Alckmin, será diferente: nenhuma influência de José Serra.

Eis aí, se mantidos os caprichosos números das consultas populares, os três atores principais da peça ainda não escrita a respeito da sucessão de 2014. Lula, Aécio e Geraldo sairão na frente, numa  hoje longínqua projeção futura. Os dois tucanos travarão, antes, florentino duelo para saber qual deles disputará o poder maior:  um, assentado no comando do estado mais poderoso da federação; o outro, compensando  o desequilíbrio econômico entre São Paulo e Minas através de suposta ação dinâmica no  Senado.

É claro que uma vez instalada no palácio do Planalto, Dilma Rousseff  sempre poderá reivindicar a reeleição, não  faltando quem  desde já a estimule a ocupar os espaços  naturalmente pertencentes ao  Lula.  Prevalece aquele ditado árabe de que “bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”…

Um que deu certo

Para a composição do ministério de Dilma não devem ser  esperadas consultas, muito menos nos quartéis,  para o preenchimento do ministério da Defesa. Mas se por hipótese valesse a opinião dos chefes militares, quase por unanimidade prevaleceria a tendência de que “se está bom assim, para que mudar?” Nelson Jobim conta hoje com o apoio do Exército,  Marinha e Aeronáutica, como um dos melhores ministros que já  ocuparam a pasta. Poliu arestas, atendeu reivindicações e conteve bissextos arroubos de insatisfação  castrense. Cuidou da “sua turma” com firmeza e competência. Se  a provável nova presidente da República decidir manter alguns auxiliares do governo Lula, provavelmente começaria pela Defesa.

Abandonada a aventura

Indicações começam a fluir do PT e adjacências a respeito de haver Dilma Rousseff abandonado a perigosa proposta de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva, a se reunir nos primeiros tempos de seu governo, destinada a  promover ampla reforma em nossa Lei Fundamental.

Primeiro porque a Constituição não se encontra posta em frangalhos, muito pelo contrário. Sempre serão necessárias reformas, mas nada retumbante ou catastrófico.  Para promovê-las, sempre haverá o poder constituinte derivado,  de que todos os Congressos estão investidos, tornando-se desnecessário apelar para o poder constituinte originário.

Depois, porque realizar eleições exclusivas para uma Constituinte, provavelmente ano que vem, seria abrir um risco do diabos em termos de representatividade. Quem disputaria com  mais avidez senão os derrotados do próximo outubro, trazendo como credencial maior a vontade de dar a volta por cima na derrota? Senão os piores, os candidatos a  deputado constituinte seriam os menos votados nas diversas eleições deste ano.  Impossível se tornaria exigir deles conhecimentos aprofundados  de Direito ou, pior ainda, diploma de advogado ouprofessor.

Ignora-se terem sido esses os argumentos que levaram Dilma a arquivar a proposta semanas  atrás por ela elogiada. Melhor assim, porque atrás dessa estranha tentativa estão  as elites econômicas interessadas em suspender direitos sociais e eliminar exigências e obrigações ligadas ao poder público que o então presidente Fernando Henrique não conseguiu suprimir…

Em busca da unidade

O Ministério Público  da União e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizaram, no fim de semana que passou, o primeiro encontro institucional denominado “Em Busca da Unidade”, reunindo mais de quinhentos  procuradores e promotores públicos. Lá estavam membros do Conselho Nacional do Ministério Público, do Ministério Público Estadual, do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Militar e do Ministério Público Eleitoral, liderados pelo Procurador Geral da República e o Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro, além do governador do estado.  A proposta foi de conquistar a unidade entre os diversos setores do Ministério Público, estimulando a ação conjunta de todos. Um excelente começo, envolvendo discussões entre  temas criminais, de tutela coletiva, institucionais e eleitorais.

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