O espaço e a soberania

Mauro Santayana
Hoje em Dia

Depois de dois fracassos em outubro – a explosão do cargueiro espacial Antares que se dirigia à Estação Espacial Internacional, durante a decolagem, e a queda do Spaceship Two, da Virgen Galactics, em voo de teste que deixou um morto – os EUA lançaram, com êxito a primeira versão de sua nova espaçonave Orion, que, segundo informado, poderia levar um dia uma tripulação humana a Marte.

Depois, foi a vez do Brasil superar o acidente com o satélite CBERS-3, ocorrido em dezembro do ano passado, quando do seu lançamento por um foguete Longa Marcha, com o sucesso da colocação em órbita do satélite CBERS-4, que já está funcionando.

Mais novo satélite de uma parceria entre o Brasil e a China que começou no final da década de 1980, o CBERS-4 teve 50% de seus componentes fabricados no Brasil, entre eles, duas das quatro câmeras, fabricadas pelas empresas Opto Eletrônica e Equatorial: a Multiespectral Regular (MUX), de média resolução; e a de Campo Largo (WFI), de baixa resolução, que se somaram às câmeras chinesas Pancromática e Multiespectral (PAN), de alta resolução; e a Multiespectral e Termal (IRS), também de média resolução e infravermelha, além do gravador de dados digitais, da estrutura do satélite, do sistema de fornecimento de energia e do sistema de coleta de dados ambientais.

OUTROS SATÉLITES

Além dos feitos com a China, o Brasil constrói seus próprios satélites, como o Amazônia-1, está montando um novo satélite de defesa e comunicações, e outro, com a Argentina, voltado para estudos oceanográficos.

A conquista do espaço é uma questão de soberania. Desde 2010, quando aposentaram seus táxis espaciais, os Estados Unidos, por exemplo, têm dependido, vergonhosamente, de naves de um país que consideram seu arquiinimigo, a Rússia, para colocar seus astronautas na órbita terrestre, na Estação Espacial Internacional.

Com o lançamento bem sucedido do CBERS-4, com a China, e o desenvolvimento e fabricação de metade dos sofisticados sistemas que ele leva a bordo, o Brasil dá um passo gigantesco no domínio da construção de satélites de monitoramento remoto da superfície terrestre, capacitando-se para a construção local de engenhos semelhantes, voltados para a vigilância de nosso solo e a defesa de nossas fronteiras.

Mas é preciso fazer mais. Urge aumentar a cooperação, nesse campo, com os países do BRICS, como a Índia, que acaba de mandar uma sonda espacial a Marte, a Rússia e a própria China. Devemos modernizar as bases de lançamento de Alcântara, no Maranhão, e de Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte, e revitalizar a AEB – Agência Espacial Brasileira, e o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

E precisamos, também, dar prosseguimento ao projeto do novo VLS – Veículo Lançador de Satélites (as redes elétricas e os sistemas de navegação deverão ser testados no segundo semestre de 2015) e dos VLS-Alfa e VLS-Beta, seus sucessores.

 

5 thoughts on “O espaço e a soberania

  1. Senhores,

    “EUA TENTARAM IMPEDIR PROGRAMA BRASILEIRO DE FOGUETES, REVELA WIKILEAKS – José Meirelles Passos – 2011

    Ainda que o Senado brasileiro venha a ratificar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil (TSA, na sigla em inglês), o governo dos Estados Unidos não quer que o Brasil tenha um programa próprio de produção de foguetes espaciais. Por isso, além de não apoiar o desenvolvimento desses veículos, as autoridades americanas pressionam parceiros do país nessa área – como a Ucrânia – a não transferir tecnologia do setor aos cientistas brasileiros.
    A restrição dos EUA está registrada claramente em telegrama que o Departamento de Estado enviou à embaixada americana em Brasília, em janeiro de 2009 – revelado agora pelo WikiLeaks ao GLOBO. O documento contém uma resposta a um apelo feito pela embaixada da Ucrânia, no Brasil, para que os EUA reconsiderassem a sua negativa de apoiar a parceria Ucrânia-Brasil, para atividades na Base de Alcântara no Maranhão, e permitissem que firmas americanas de satélite pudessem usar aquela plataforma de lançamentos.

    ACORDO HORSE TROJAN PARA AFASTAR A RÚSSIA, FAZER O BRASIL PERDER TEMPO E NÃO CHEGAR A LUGAR NENHUM…
    Além de ressaltar que o custo seria 30% mais barato, devido à localização geográfica de Alcântara, os ucranianos apresentaram uma justificativa política: “O seu principal argumento era o de que se os EUA não derem tal passo, os russos preencheriam o vácuo e se tornariam os parceiros principais do Brasil em cooperação espacial” – ressalta o telegrama que a embaixada enviara a Washington.

    A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que “EMBORA OS EUA ESTEJAM PREPARADOS PARA APOIAR O PROJETO CONJUNTO UCRANIANO-BRASILEIRO, UMA VEZ QUE O TSA (ACORDO DE SALVAGUARDAS BRASIL-EUA) ENTRE EM VIGOR, NÃO APOIAMOS O PROGRAMA NATIVO DOS VEÍCULOS DE LANÇAMENTO ESPACIAL DO BRASIL”.

    Mais adiante, um alerta: “QUEREMOS LEMBRAR ÀS AUTORIDADES UCRANIANAS QUE OS EUA NÃO SE OPÕEM AO ESTABELECIMENTO DE UMA PLATAFORMA DE LANÇAMENTOS EM ALCÂNTARA, CONTANTO QUE TAL ATIVIDADE NÃO RESULTE NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS DE FOGUETES AO BRASIL”.
    Os EUA não permitem o lançamento de satélites americanos desde Alcântara, ou fabricados por outros países mas que contenham componentes americanos, “DEVIDO À NOSSA POLÍTICA, DE LONGA DATA, DE NÃO ENCORAJAR O PROGRAMA DE FOGUETES ESPACIAIS DO BRASIL”, diz outro documento confidencial.”

    Abraços.

  2. Que papo besta essa de transferência de tecnologia, parcerias. Com tanta informação disponível na internet, livros, boas cabeças que temos, cientistas capazes. Já vai pensando em transferência de tecnologia? Quer tudo de mão beijada?

    Que desenvolvamos a nossa própria tecnologia e aproveitemos o que se tem. Foi assim, por exemplo, que o Japão cresceu, copiando o que foi preciso. Esse Santayana é um marxista completamente louco. Com o país afundando na lama ele por causa da ideologia que ele engoliu, não tem assunto e vem com essa conversa fiada.

  3. Faz-se necessário um grande investimento nessa área. O desenvolvimento tecnológico que acompanha esses lançamentos é muito grande e não podemos ficar para trás. Como sempre eu digo: dinheiro tem, o que não tem é administração.

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