O estranho mundo de Bin Laden, agora habitado por Obama. A falsidade e a hipocrisia viajam pelo mundo. Enquanto a CIA exalta e incentiva a tortura.

Helio Fernandes

É impossível continuar fazendo análises diárias sobre um dos fatos mais importantes dos últimos tempos, mas totalmente deturpado, desfigurado (como Obama diz que está o rosto e o resto do líder terrorista) pela Casa Branca. E até pela CIA, que recuperou (ou reconquistou?) a importância que teve durante os longos tempos da Guerra Fria.

Ninguém podia supor que a eleição de Obama (o primeiro negro a ser eleito presidente dos EUA) trouxesse para as manchetes do mundo, um órgão como esse. A CIA sempre foi considerada corrupta, violenta e discriminadora. Mas continuadamente poderosa.

No governo do canastrão e delator Ronald Reagan, quem foi 4 anos diretor-geral da Cia? Bush pai. Depois desse importantíssimo cargo, foi presidente, eleito pelo próprio Reagan. Só ficou 4 anos.

Assim que assumiu em 1989, perdendo depois para Clinton, sua primeira providência: mandar tropas do Exercito invadirem o Panamá e sequestrarem o próprio presidente Manuel Noriega.

Por que essa predileção de violência concentrada no presidente de um outro país? É porque esse presidente do Panamá assustava Bush. Acontece que Noriega havia sido o “segundo” do próprio Bush na CIA. E Bush tinha certeza de que o seu ex-colaborador sabia demais, era arriscado deixá-lo em liberdade. Como diretor-geral de um órgão poderoso e corruptíssimo, devia pelo menos “prever que Noriega tivesse um dossiê”.

O presidente do Panamá foi levado preso para os EUA (naquele tempo Guantánamo não existia como prisão) e julgado rapidamente. Foi um escândalo, vergonha nacional, mas ninguém disse nada, não protestou, fazer o quê? O já ex-presidente do Panamá, condenado a 40 anos em prisão de segurança máxima, morreu lá mesmo. Bush só aceitava libertá-lo em troca dos arquivos.

Mas o ex-presidente do Panamá insistia que não tinha arquivo algum, o que parecia verdade. Se tivesse, trocaria pela liberdade.

Se isso não é terrorismo, não sei o que era. Dessa forma, ficava provado que os americanos no Poder, fazem qualquer coisa. E têm pânico e pavor dos que trabalharam com eles. Reagan sofreu atentado, muito mais grave do que foi noticiado, aí disseram que era “por causa da segurança nacional”. Até justificável.

Reagan precisou ser operado, mas não queria entregar o cargo ao vice, precisamente Bush pai. Quando ia sendo levado para a sala de cirurgia, chegou o Procurador-Geral da República, que falou: “Presidente, o cirurgião-chefe me falou que o senhor será operado com anestesia geral. Nesse caso, tem que passar o cargo ao vice”. (Que estava presente).

Reagan imediatamente perguntou ao cirurgião-chefe: “Posso operar com anestesia local?”. Eram três médicos, incluindo esse cirurgião-chefe, ficaram impressionados, enorme a responsabilidade. Mas contrariar o próprio presidente?

Como se fosse não uma operação, mas um jogo de basquete, o cirurgião-chefe “pediu tempo”. Voltaram mais ou menos em meia hora, com a resposta: “O senhor não precisará de anestesia geral”.

E Reagan não passou o cargo ao vice, que estava ao seu lado. O que, assumindo, o vice e seu amigo poderia fazer para prejudicá-lo?

Decididamente, esse Obama de agora, com as mais fantásticas invenções, mistificações e empulhações, não é o Obama no qual “votei” em 2008. Ficará mais 4 anos, não por causa da morte de Bin Laden, mas pela inexistência de adversários. Os Republicanos estão mais frágeis do que na derrota anterior.

Não consigo entender o que acontece com o presidente dos EUA. Termino estas notas com a declaração, TEXTUAL, de Obama: “A operação militar que eliminou Bin Laden, foi a maior de toda a nossa História”

Impressionante esse equívoco histórico-militar, esquecendo até as batalhas ou guerras, mantidas em nome da segurança e independência dos Estados Unidos.

A “Segunda Frente”, decidindo a Guerra? A luta do Vietnã, derrota irrecuperável de anos e anos, mas sem qualquer dúvida mais importante do que a farsa de agora?

Obama, que parecia uma “revolução” mais do que política, faz tudo para sair da História ou entrando nela pela porta dos fundos. Onde já está, exuberante, ou sem ter percebido nada.

São tantas as versões sobre o que aconteceu na mansão de Bin Laden, que o próprio Obama está completamente perdido. (Palavra com duplo sentido)

Inicialmente era apenas 1 helicóptero, que segundo a Casa Branca, “atirou de fora mesmo, atingindo Bin Laden dentro da mansão”.

Essa versão era confirmada pelo próprio presidente, que anunciou, “vou condecorar o homem que matou Bin Laden”. Mais tarde, quando o assassinato passou a ser (ainda segundo Obama), “a maior operação militar da História dos Estados Unidos”, como condecorar apenas um militar?

*** 

PS – Nenhuma dificuldade, distribuíram “condecorações coletivas”, mais gente satisfeita.

PS2 – Agora, em plena campanha eleitoral para o ano que vem, Obama visitará o país inteiro, sabe que precisa. Sorte dele: não existe um só Republicano “candidatável”.

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AMANHÃ
Nelson Jobim: a palhaçada do ano,
se exibindo fardado. Já fora “expulso”
do Supremo e confessara que falsificou
a Constituição de 1988

 

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