O eterno recomeçar de Gilberto Gil

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Tempo Rei” faz um libelo de esperança diante do futuro. Segundo Gil, não há fim, mas a permanência por meio de metamorfoses e adaptações que, como um mutante, acredita no eterno retorno. Há uma certeza tranquila e serena de que aquilo que podemos tomar como sendo o fim, revelar-se-á apenas como mais um recomeço. Essa música foi lançada por Gilberto Gil no LP Raça humana, em 1984, pela WEA/EMI Odeon.

TEMPO REI
(Gilberto Gil)

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

   (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

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