O Evangelho de Aécio Neves, segundo Santayana

Pedro do Coutto

Na sua coluna no Jornal do Brasil, na qual brilha por sua cultura nos planos da política e da literatura, Mauro Santayana, edição de 21 de maio, praticamente falou por Aécio Neves e, de forma indireta, como se fosse o próprio, explicou ponto por ponto porque o ex-governador não aceita concorrer às eleições presidenciais deste ano como vice de José Serra. É só ler o texto com atenção e considerar que Santayana, pleno das tradições mineiras, foi assessor especial do presidente Itamar Franco, com quem mantém laços de antiga amizade. Entre os laços incluem-se os que se estendem a Aécio Neves.

O artigo, pode-se dizer, é uma espécie de evangelho político do neto de Tancredo Neves. Através dele responde não às pressões e pretensões de setores do PSDB que desejam tê-lo na chapa de Serra como fator de fortalecimento da candidatura deste. No mesmo dia em que saiu o artigo de Santayana, por coincidência, foi publicada reportagem de Eduardo Katah, no Estado de São Paulo, destacando a tentativa de fazer com que Aécio aceite a missão, matéria na qual incluiu declarações nesse sentido do deputado Lafaiete de Andrada. Lafaiete de Andrada falava em nome de uma corrente mineira do PSDB.

Mas Santayana colocou na sua coluna o título “Ociosa insistência”, considerando-a desnecessária e sem sentido. E ressaltou que, sem idéias políticas sólidas, as ambições pessoais desabam. Esta frase é enigmática? Nem tanto. Pois afirmou, em seguida, que, se Aécio é indispensável, por quê o PSDB rejeitou a realização de prévias e não o escolheu como candidato a presidente? Além disso – prosseguiu – a candidatura de Serra não se beneficiaria se Neves fosse candidato a vice. Sua presença em Minas, isso sim, é indispensável. O articulista voltou-se para as tradições políticas mineiras. Lembrando Afonso Pena, Venceslau Braz, Artur Bernardes, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, antes de chegarem à presidência foram governadores de Minas.

Deixou claro assim que Aécio Neves, elegendo-se senador agora, poderá chegar ao Planalto em futuro próximo. A vice, em 2010 está fora de cogitações. Entre os mineiros que chegaram a presidente, Mauro Santayana poderia incluir também Delfim Moreira. Mas esta é outra questão.

O fato é que a situação em Minas está indefinida. Hélio Costa na frente. Com 45 pontos, segundo o Vox Populi, seguido do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, vindo longe, em terceiro Antônio Anastasia, vice de Aécio e atual governador do Estado. O PT deverá concorrer com Pimentel, candidatura própria, deixando para lá uma coligação com Hélio Costa, do PMDB. Aécio terá que ficar em Minas para poder lutar mais intensamente por Anastasia. O candidato é difícil. A campanha também será. Disputar como vice fica fora de propósito.

O Irã e o Brasil

Um outro assunto. Na edição de sexta-feira, o correspondente de O Estado de São Paulo em Nova York, Gustavo Chacra, revelou que o governo ditatorial do Irã ameaça romper com o Brasil e a Turquia se o Conselho de Segurança da ONU aprovar sanções contra o país no sentido de levá-lo a desistir do enriquecimento de urânio para finas bélicos. Um absurdo, uma decisão injusta. Que podem fazer o presidente Lula e o primeiro-ministro Tayp Erdogan? Nada. Eles foram signatários de um acordo para reduzir as tensões atuais. Se não tiveram êxito na ONU, podem ser culpados de quê? A ameaça de Teerã não faz o menor sentido.

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