O exemplo dos garis do Rio

Felipe Oiticica

A vitória dos garis, no Rio de Janeiro, tem significado emblemático, em vista do que tiveram que enfrentar.

Observemos a sequência dos fatos. Garis entram em greve com reivindicações justíssimas. O sindicato pelego aceita a proposta da Comlurb, muito inferior ao reivindicado. Os setores mais combativos mantêm a greve. O lixo amontoa-se por toda a cidade. Unem-se contra os grevistas a Prefeitura, a Comlurb, o sindicato pelego e a mídia. Eles são acusados de minoria não representativa e oposição ao sindicato pelego, de fazer política partidária e para determinados candidatos, de usar o Carnaval para chantagear a população, de pretender desestabilizar a cidade.

O prefeito sujismundo demite 300 grevistas. Depois, volta atrás, sob a condição de que “retornem imediatamente ao trabalho”. Pressionados, eles sim chantageados, alguns retornam.

Novas acusações: grevistas ameaçam os que voltaram, promovem violência (nunca documentada), fazem motim. A Comlurb promete deixar limpa a cidade no fim de semana. Arma-se o circo midiático da “proteção da polícia aos garis que querem trabalhar”. E os grevistas firmes, nas ruas.

E aqui há um dado decisivo: a população, de modo geral, não ficou contra os garis, mesmo que diretamente atingida pela greve. A experiência das lutas do ano passado deixou marcas positivas em todos os segmentos do povo carioca. Nada mais será como antes.

No dia seguinte ao último arroubo autoritário/descompensado, o prefeito sujismundo mandou a Comlurb ceder. A proposta antes aceita pelo sindicato pelego era de 9 por cento; a resistência grevista obteve agora 37 por cento. Uma vitória improvável, por isso ainda mais importante.

A greve dos garis do Rio será exemplo para as reivindicações que vêm por aí. Firmeza de propósitos, unidade, combatividade, resistência, apoio da população – eis os ingredientes da receita de vitórias.

CONSELHEIROS TIVERAM 300%!

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Os integrantes do conselho de administração da Comlurb receberam um aumento bem maior na gestão Paes – de mais de 300%. Com uma canetada em 2012, passaram os jetons de 1.749,66 para 7.000 reais.

O conselho é um instrumento para remunerar melhor secretários que poderiam estar na iniciativa privada. Estão por lá Carlos Roberto Osório, Maria Silvia Bastos Marques, Claudia Costin e o próprio presidente da Comlurb, Carlos Vinicius de Sá Roriz.

One thought on “O exemplo dos garis do Rio

  1. “A greve dos garis do Rio será exemplo para as reivindicações que vêm por aí”, diz o articulista. Em alguns casos sim e só neles. Por exemplo: rodoviários, aeroviários, policiais e talvez um ou outro. Não muitos. Vejam os funcionários do judiciário federal: nos governos petistas já perderam mais de 58% em seus salários. E, ainda, mesmo que aposentados recolhem à previdência. Mas uma coisa é certa: é preciso botar essa pelegagem pra fora.

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