O falso conselho do Lula

Carlos Chagas

Em época de formação de governos acontece sempre a mesma coisa: boatos, entreveros entre grupos ávidos de galgar o poder, estultices, ambições,   baixarias e invenções. Nos últimos dias  vem freqüentando a mídia uma versão que reúne todas as características acima relacionadas: a de que o presidente Lula teria aconselhado Dilma Rousseff a não aproveitar Antônio Palocci na chefia da Casa Civil ou na Fazenda, evitando que o ex-ministro  se tornasse um poder  paralelo ofuscando a nova presidente da República.

Nada mais canhestro. Primeiro porque o Lula jamais  deu esse conselho à  sucessora. Depois, porque se ela admitisse o raciocínio, estaria demonstrando incapacidade para o exercício de suas funções. Ninguém faz sombra a um presidente da República, no sistema presidencialista.  Vivêssemos o parlamentarismo e seria possível, até   provável, a presença de um primeiro-ministro prevalecendo sobre o presidente ou até sobre o  rei, no caso da Monarquia. No presidencialismo não há lugar para complexos de inferioridade.

Dilma demonstrou não temer nem o Temer, quanto mais o  Palocci. Senão, não os teria feito coordenadores da transição, com espaços amplos para cotejar os governos atual e futuro.  Repousa nas mãos dela o exercício do poder, em sua plenitude. Se  a capacidade do ex-ministro  supre as necessidades da  futura administração federal,  melhor para todo mundo.

Se Palocci vai para a Casa Civil, se volta à Fazenda ou se irá para a Saúde ou para a  Petrobrás, trata-se de uma decisão  da nova presidente,   já tomada ou por tomar.   Torna-se  impossível  aceitar, no entanto,  a mentira a respeito do falso conselho atribuído ao Lula.    

LAMBANÇA EM BIARRITZ

Mostrou-se pequeno o candidato derrotado, José Serra,  ao discursar em Biarritz, na França, num seminário sobre as relações entre a América Latina e a União Européia. É claro, a serem verdadeiras as informações transmitidas de lá, porque até agora a mesquinharia não fazia parte das características do ex-governador. Ele  teria acusado o presidente Lula de desestruturar o Brasil e de adotar um populismo  de direita. Falou da alta carga tributária que nos atinge, da falta de investimentos do governo na economia e de uma política externa distorcida.

Roupa suja se lava em casa, diz o refrão  popular, tornando-se injustificáveis as análises atribuídas a Serra. Como contraponto sobra a singular intervenção de um mexicano que, interrompendo o brasileiro, falou por todos nós: “por que não te calas?”

Parece melhor aguardar o retorno do ex-candidato para que se esclareça o noticiário vindo da Europa. Não será por aí que ele se credenciará para conduzir a oposição,  nos   próximos  anos.

O  PASSADO E O FUTURO

Trava-se singular embate no PSDB, pela conquista da liderança a conduzir o partido daqui para a frente. De um lado estão Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Tasso  Jereissati e outros derrotados, falando em redirecionar o partido.  De outro, também empenhados na reconstrução, mas vitoriosos nas urnas, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e  Beto Richa.

Tudo indica que os artífices do futuro não serão os cultores do passado, mas garantir, ninguém garante. Ficou provado que bater no Lula não dá dividendos. Nem votos, pelo menos em número suficiente para ganhar eleições.

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