O fim da hora do “clic”

José Carlos Werneck

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, atendendo ao parecer, do senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, aprovou o fim da obrigatoriedade das emissoras privadas de rádio de todo o país de transmitirem o programa “A Voz do Brasil”

O referido boletim radiofônico, atualmente elaborado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC),foi criado em 1935 e é uma das últimas excrescências da ditadura de Getúlio Vargas. Quando o jornalista Lourival Fontes foi chefe do famigerado DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda),do regime ditatorial,o programa foi usado para vender a imagem de “Pai dos Pobres” do caricato e cruel Getúlio Vargas.

Lourival Fontes era um homem muito culto e inteligente, mas declaradamente um admirador de Benito Mussolini, chefe supremo da Itália fascista, e trabalhava muito bem a imagem de Vargas.

Durante a ditadura o programa chamava-se “Hora do Brasil”, pois tinha a duração de sessenta minutos e só transmitia as notícias do Executivo, pois os dois outros Poderes haviam sido dissolvidos pelo nosso “Mussolini dos Pampas”.

Neste período o programa conseguia ser ainda pior que atualmente, pois transmitia os monótonos discursos de Getúlio, que invariavelmente começava seus enfadonhos pronunciamentos com a frase: ”Trabalhadores do Brasil”, seguido de um infindável rol de baboseiras e expressões demagógicas tão ao gosto dos chefes de governos totalitários. E enquanto Getúlio falava, sua polícia, comandada por Filinto Muller, espancava e torturava todos aqueles que ousavam discordar do Chefe.

Nos dias de hoje, com o País vivendo em plenitude democrática e com uma Imprensa livre, não é admissível que as emissoras de rádio sejam obrigadas, todas elas, às sete da noite interromper sua programação e transmitir o anacrônico noticiário. Um sistema de comunicação social eficiente deve ser deixado a cargo da iniciativa privada e estar nas mãos de muitos, para que uma saudável concorrência evite o risco de monopolizar a informação e “amestrar” o público.

No que depender do presidente Luiz Inácio da Silva, o Executivo não se opõe ao fim da obrigatoriedade da transmissão da Voz do Brasil, pelas rádios privadas. Justiça seja feita ao presidente da República. Lula não precisa de nenhum aparato de comunicação Ooicial para divulgar sua imagem. Ele é o tipo de político que só precisa de um caixote de madeira para subir, falar ao povo e ser aplaudido. Dispensa os marqueteiros. Sua popularidade não precisa de retoques. E ainda por cima é como massa de pão. Quanto mais lhe sovam seu prestígio aumenta.

Dizem que a dificuldade da aprovação do projeto está na resistência de alguns deputados do chamado “baixo clero”, que veem na Voz do Brasil mais uma tribuna para chegar a seus eleitores. Mas creio que isso não se justifica, pois a Câmara Federal conta com um serviço de imprensa bem aparelhado e dispõe de uma emissora de rádio e um canal de televisão.

Se o fim da obrigatoriedade da transmissão da Voz do Brasil for aprovado, os ouvintes vão agradecer se livrarem do tormento, que começa às dezenove horas, de segunda a sexta-feira. Assim acaba-se de vez com a “Hora do Clic”,quando a maioria dos aparelhos de rádio são desligados,logo que o moribundo programa começa.

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