O fim da utopia do PT, o partido que monopolizava a ética

Roberto Nascimento

Com o julgamento da Ação Penal 470, caiu a máscara do partido que se autoproclamou como detentor do monopólio da ética na política. Nada mais falso e fictício do que o bumbo tocado anos a fio após o início da redemocratização.

Antes, os detentores da moral diziam que havia na Câmara algo em torno de 300 picaretas. Quantos depois se somaram aquele número? Achávamos então, que “novidades” como Orçamento Participativo e “prévias” para escolha do candidato às eleições gerais viria para ficar. Entretanto, ao longo do tempo descobrimos que residiam naquelas afirmações as maiores das deslavadas mentiras.

A primeira decepção: em 1998, retiraram a candidatura do favorito das pesquisas para governador do Rio de Janeiro, o ex-deputado Vladimir Palmeira, por decisão da cúpula do Partido em nome da aliança com o PMDB no plano nacional. De lá para cá o partido detentor da ética ficou sempre em segundo plano nas disputas eleitorais para prefeito e governador do Rio de Janeiro. Foi um castigo do povo carioca e bem merecido.

Bem, os exemplos abundam nesta eleição de 2012. Em Recife, o candidato natural, prefeito da cidade, foi afastado da disputa pela reeleição. O PSB venceu no primeiro turno. Será que não há ninguém em condições de ponderar sobre os efeitos de decisões tão estapafúrdias e desprovidas de senso lógico?

Pode-se tudo, menos alterar a natureza das coisas, pois se trata de um imperativo categórico tão bem explicitado pelo filósofo alemão Emanuel Kant. Faltou uma condição fundamental para o partido que veio com a pretensão de mudar a forma de fazer política: uma Teoria do Processo. Qualquer mudança das estruturas tem necessariamente de vir acompanhada de um embasamento filosófico.

Só para lembrar: Teria ocorrido o Renascimento sem as contribuições de Thomas Morus (A Utopia), de Tomaso Campanella (A Cidade do Sol), dos filósofos Nicolau Cusano e Giordano Bruno, dos cientistas Galileu Galilei, Kepler, Isaac Newton e Nicolau Copérnico?

E os enciclopedistas franceses Montesquieu, Voltaire e Rousseau, que prepararam, no campo da Teoria, as bases do maior processo revolucionário de todos os tempos: a Revolução Francesa. Ela teria derrubado a monarquia, o direito divino dos Reis, sem a contribuição dos luminares citados?

Sem uma teoria, os processos mudancistas estão fadados ao fracasso, inapelavelmente corroídos pelo tempo, que a tudo destrói. É o que está acontecendo agora, marcando o princípio do fim de uma utopia, cujo capítulo se encerra melancolicamente.

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