O Flamengo nos braços dos que o amam

Hugo Gomes de Almeida

Assistimos a dois debates dos candidatos à presidência do Flamengo. Patrícia Amorim, postulante à reeleição, não compareceu, certamente temerosa de prestar esclarecimentos sobre os desmandos administrativos de que é a principal responsável.

Há inusitada desproporção entre a grandiosidade do clube e os que malbaratam a administração. Figuras menores que se valem de pretexto até — vejam o extremo a que se chegou! — para apropriarem-se das camisas destinadas aos jogadores. Há dirigente, mais de um, responsável pelo desvio mensal, em benefício próprio de 100 dessas peças! Cada um muito mais preocupado com extrair proveitos — dos menores aos mais significativos. Não se veem idealistas e sem estes não se constroem as instituições.

Comenta-se que a diretoria já recebeu por antecipação as quotas televisivas dos anos vindouros, previstas em contrato. As receitas restantes, como as dos jogos, encontram-se penhoradas. Há cerca de três anos que a desordem reinante afastou o patrocinador máster. Mesmo com tanta ineficiência, a atual mandatária é a mais provável vitoriosa na eleição do início de dezembro. Em colégio eleitoral restrito, tem ela votantes certos, a maioria não-flamenguistas, mais interessados em transformar a sede da Gávea em clube social, de custo módico, para fruição de suas famílias. Pasmem, mas o presidente do Clube de Regatas do Flamengo se elege com maior simples!

Começamos falando sobre os debates de cinco dos seis candidatos à presidência. Ficamos pasmado com o despreparo de todos. Não demonstraram conhecer o Brasil flamenguista. Só conhecem a cidade do Rio de Janeiro. Falta-lhes — o que se afigura essencial — a vivência com as comunidades flamenguistas radicadas nas lonjuras desse país continental. Qualquer deles que se eleja, o Flamengo continuará com as mesmíssimas receitas convencionais que os clubes coirmãos também, uns mais outros menos, recebem-nas. A dívida estratosférica jamais será quitada com as medidas burocráticas de sempre, que atrasam o clube há décadas.

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INSOLVÊNCIA

A decadência do Flamengo é tamanha, que tem estado dependente de empréstimos bancários para o pagamento da folha salarial, sempre em atraso. A última tentativa de concretizar essa onerosa operação com os bancos, não foi bem sucedida, certamente por ter sido impossível apresentar as garantias exigidas.

Temos o dever de dizer aos candidatos que o Flamengo, para se soerguer, está carecendo de gestão verdadeiramente revolucionária. É imperioso que a grande entidade — com quase 40 milhões de adeptos, segundo as estatísticas — precisa ser submetido a estudos e, após diagnóstico, seja bafejado com ampla mobilização nacional para transformar as imensas potencialidades em riquezas. Torna-se necessário se operacionalize urgente descentralização administrativa para que os rubro-negros aglutinados, em todos os quadrantes da Pátria, possam gerar receitas. Reunificados nas próprias comunidades, em núcleos flamenguistas, sob regime de transparência, com a ajuda da mulher-torcedora, os rubro-negros, sob o signo de um grande amor e altruísmo, elevarão o Flamengo a alturas inimagináveis. Claro que vai precisar de muita interação, tanto pessoal quanto via internet.

Não desconhecer a existência de milhares de flamenguistas nas diversas regiões brasileiras, destacados nas mais diversas especialidades, todos desejosos de poder contribuir com o clube do coração. É indispensável a quem pretenda exercer a presidência do Clube Mais Querido do Mundo seja dotado de inteligência, honradez, coragem, grandeza de vistas, serenidade e amor ao diálogo. Se souber bem assessorar-se, se souber atrair as sumidades de vários saberes para dentro da Gávea, transformando a sede numa oficina de ideias, serão alcançados os mais altos objetivos.

 

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