O futuro do ministério Dilma, ainda assombrado por Lula. Mas com vetos a Mercadante, Palocci, confirmação de Mantega, incerteza no BNDES, disputa na Saúde. Com Dirceu vigiando e fiscalizando tudo.

Helio Fernandes

Em 1994, Mercadante foi candidato a vice do presidenciável franco favorito, Luiz Inácio Lula da Silva. Perderam, ficou sem mandato. Deputado em 1998, senador em 2002, novamente franco favorito para Ministro da Fazenda, logo depois da posse como senador.

Só que Lula já começava a “filosofia” de não deixar ninguém crescer perto dele. Mercadante não foi chamado para nada, ficou um tempão no (8 anos), só conseguiu mesmo ser “líder irrevogável”, desprezado e humilhado pelo próprio amigo Lula.

Agora, derrotado para governador, (revelei isso aqui, 6 meses antes da eleição, nunca tive dúvida dessa vitória, Alckmin é mediocríssimo, mas vitorioso), Mercadante não recebeu nenhuma ajuda de Lula.

Novamente esperava ser Ministro da Fazenda, (que péssimo analista de si mesmo), Dona Dilma mostrou logo a preferência por Mantega, que o próprio Lula confirmou levando-o para o G-20, e deixando que falasse, sempre ao seu lado.

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O FUTURO DE MERCADANTE

Não tendo lugar na Fazenda, Mercadante pensou (?) no BNDES. Mas Luciano Coutinho (presidente desse banco), que se julgava favorito para Ministro da Fazenda, tenta se garantir no cargo em que já está. O BNDES não tem Ministro no título, mas tem um caixa que nenhum ministério possui.

Então, Mercadante adoraria receber convite para movimentar os BILHÕES da Avenida Chile. (Que Carlos Lessa, em poucos meses, revelou e denunciou que enriqueciam muita gente).

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O FUTURO DO BNDES

Desejadíssimo, todos querem presidi-lo. Em janeiro, Belluzzo, presidente do Palmeiras, espalhava que fora convidado (ou sondado, vá lá) para presidente do Banco Central ou do BNDES, quando chegasse a desincompatibilização.

Nenhum dos dois cargos vagou. Belluzzo ficou sem nada e com o destino contra. Não sobrou para ele, teve que operar o coração, se licenciou da presidência do clube, a eleição é em janeiro, não é candidato.

O BNDES continua “alternativa”, nada desprezível, mas cobiça para quem não conseguiu outra coisa.

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O FUTURO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Antonio Palocci gozou 4 anos (os primeiros de Lula) de extraordinário fulgor. Veio do interior de São Paulo, prefeito cheio de irregularidades, acusado abertamente de corrupto. Mas se firmou, o mais comum era Lula dizer e repetir: “Fico esperando o Palocci me dar SINAL VERDE para baixar os juros”. Era o apogeu, não resistiu a mais irregularidades e à dança das vestais, na casa oficial.

Acreditou demasiadamente no prestígio, denunciado por um caseiro, foi surpreendentemente demitido pelo amigo Lula. Mais grave ainda, denunciado, julgado pelo Supremo, derrotado pelo humilde caseiro. O Supremo foi misericordioso, podia ter sido massacrado.

Acreditando que estava recuperado por ter sido incorporado à campanha de Dilma, pensou (?) na Casa Civil ou no Ministério da Fazenda. Quando publicaram, Lula retumbou: “Palocci, não”. Agora disputa com Mercadante o Ministério da Saúde, diz que é médico, (como ACM-Corleone, ninguém acredita) nem precisa. Está aí o Serra, o derrotadíssimo presidenciável. Mas Mercadante também quer a Saúde.

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O FUTURO DA CASA CIVIL

É sem dúvida, como cargo, o mais importante. Está sempre no centro dos acontecimento, pode até ajudar o presidente, seja quem for, a dizer, “eu não sabia de nada”. Não foi por acaso que Dirceu acumulou tanta força e Poder. E foi de lá que Dona Dilma voou para a Presidência.

Mas reconheçamos: Dirceu seria estorvo e angústia para Lula, Dona Dilma nenhum susto ou surpresa desagradável. (Pelo menos até agora, 43 dias antes da posse, tempo que pode ser prorrogado mais um pouco.)

Sempre achei e proclamei (embora não o conheça) que a Casa Civil fosse para Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento. Tem o perfil para o cargo, principalmente num governo que tem tudo para ser polêmico. (Mais vantagem que não precisava: a mulher se elegeu senadora pelo eleitoralmente complicado Paraná),

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O FUTURO DA PETROBRAS

Sem favor algum, Sergio Gabrielli é um dos personagens mais subservientes do governo Lula. Que está acabando, mas parece que não para o presidente desse órgão-potência. Convenhamos e reconheçamos: mediocríssimo e com 142 cargos na própria Petrobras mais importantes do que o dele, só poderia se manter mesmo com a bajulação e com o “sim, senhor”, dito com humildade em qualquer oportunidade.

Curiosamente, os partidos da “base” não reivindicam a presidência, e sim um dos 8 cargos de alta projeção na Petrobras. Dois desses, “ninguém tasca”. Já estão há muito tempo com protegidos de senadores, Que não admitem mudanças. São adeptos do lobismo do carreirista cheio de acusações não respondidas, Michel Temer: “No preenchimento dos cargos, é melhor continuar tudo como está”. Sem o menor constrangimento, diz isso numa cadeia, que palavra, de televisão.

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O FUTURO DO PRÉ-SAL

Com essa “hierarquia subalterna”, a presidência da Petrobras deve ir (ou ficar) com alguém do segundo ou terceiro time. Os grandes partidos não reivindicarão esse cargo, talvez aceitem como complementação. Dessa forma, o domínio do Pré-Sal provocará luta muito maior. E como essa riqueza pertence realmente ao futuro, não pode ser considerada prioritária para o PT ou PMDB.

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PS – A formação do ministério não termina aí, a contagem de Dona Dilma é bem possível que chegue a 37. Que foi o número que Lula teve que preencher, com nomes estapafúrdios.

PS2 – Enquanto o sistema político do país, for dominado pelo BIPARTIDARISMO-PLURIPARTIDÁRIO, é difícil organizar uma equipe com menos Ministros.

PS3 – Nada do que está dito aqui, é “invenção”, e sim informação, hoje com poucos riscos.

PS4 – Mas até o dia 1º de janeiro de 2011, (a posse), os partidos (todos os 10) perderão cargos, trocarão nomes, não brigarão com a realidade. A realidade desses partidos (principalmente o PMDB) é a recompensa generosa, e não a ocupação perigosa (do Poder).

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