O governo não se entende. A ministra Ideli diz uma coisa, o líder Jucá diz outra, e a nave segue totalmente à deriva.

Carlos Newton

O Ministério das Relações Institucionais realmente não está funcionamento. É uma espécie de Ministério da Pesca, em versão política. Ambos não servem para nada, podem trocar um ministro (ou ministra) pelo outro, não há diferença, é como trocar seis por meia dúzia.

Os titulares de uma pasta ou da outra, não há dúvida, apenas lançam o anzol e fica esperando para ver se acontece alguma coisa. Não é sem motivos, portanto, que a presidente Dilma Rousseff já fale em chamar outros ministros para participar dos encontros com parlamentares da base aliada.

Vejamos o que se passa no Senado, por exemplo. A ministra Ideli Salvatti afirmou ontem que o governo não pretende fazer modificações na inacreditável medida provisória que determina o sigilo no orçamento das obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, e dispensa licitações.

Acontece que horas antes, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), já tinha anunciado que os senadores poderiam “promover ajustes” na medida provisória aprovada pela Câmara. Jucá até afirmou que pretendia poupar a presidente Dilma Rousseff da tarefa de vetar o polêmico artigo que impõe o sigilo.

Questionada sobre a fala de Jucá, a ministra se enrolou toda e disse que o fato é que houve uma interpretação equivocada da medida que prevê o sigilo. “Ela serve para manter a competitividade. Se eu quero construir uma casa, não vou anunciar quanto estou disposta a pagar”. Parece brincadeira, mas ela disse isso mesmo.

Ideli afirmou também que conversou com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que “compreendeu a posição do governo e que não se oporá à manutenção do texto como chegou à Casa”, mas acontece que Sarney também já havia dado entrevista dizendo ser contrário à falta de licitação para as obras da Copa, quanto mais ao sigilo. Ou seja, a ministra não sabe de nada que ocorre no Congresso.

O fato é que a Câmara aprovou o sigilo na semana passada, numa manobra de última hora, incluindo-o na medida provisória que altera a Lei das Licitações e flexibiliza os contratos de obras e serviços dos dois eventos esportivos, dispensando licitações.

A mudança no texto tirou dos órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas, o direito de consultar os orçamentos estimados pelo governo antes da escolha das empresas responsáveis pela execução dos projetos. A que ponto chegamos. Desse jeito, seria melhor fechar o TCU e jogar a chave no lixo. Por isso, o Senado reagiu e o governo vai sair mal desse episódio.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *