Governo tinha obrigação de proteger a advogada Catta Preta

Pedro Ladeira - 10.mar.15/Folhapress

Para se proteger, Beatriz Catta Preta fugiu do país

Carlos Newton

A notícia é espantosa e já se antevia nas primeiras informações reveladas sobre a súbita mudança da criminalista Beatriz Catta Preta para Miami. Afirmamos aqui na Tribuna da Internet que era muito estranho que um escritório de advocacia renunciasse simultaneamente à defesa de vários clientes milionários. Agora surge a explicação do inusitado gesto, divulgada pelo colunista Felipe Moura Brasil, no site da revista Veja: a criminalista teve de fugir do país.

Quando reproduzimos a importantíssima informação dele, enviada pelo advogado e jornalista José Carlos Werneck, o jurista Jorge Béja imediatamente nos mandou a seguinte mensagem.

“Meus Deus, aonde vamos parar? É muito grave e perigosa a situação do país. A advogada fugiu do Brasil para preservar sua vida e a de seus filhos. É a dedução que se faz. Especialista em Delação Premiada, por ela conduzida — e foi a Delação Premiada que possibilitou que a verdade fosse descoberta —, essa moça foi embora. Com medo, certamente. E ela não defendeu ninguém. Apenas conduziu a Delação Premiada, dizendo e informando a seus clientes e a todos os partícipes do processo, como o procedimento deveria ser seguido. Ou seja, o que pode e o que não pode. Foi apenas uma orientadora. Nada mais. E sua atuação foi fatal.”

FORA DO PAÍS

O colunista Felipe Moura Brasil publicou que algo de muito grave fez com que Catta Preta decidisse sair de cena – e há indícios de que ela estava apavorada quando o fez. “Em maio, por razões desconhecidas, deixou de mandar o filho à escola e pediu à direção o trancamento da matrícula. Em junho, foi a vez de tirar também a menina mais nova da escolinha que frequentava. Um advogado próximo a Catta Preta afirmou a Veja que ouviu de um amigo em comum aos dois que ela vinha recebendo ameaças e que, por isso, teria saído ‘fugida’ do país. Há duas semanas, “dispensou recepcionistas e secretária e parou de atender o celular. Na segunda-feira 20, enviou um e-mail a todos os seus clientes anunciando que não mais faria a defesa deles. Ato contínuo, deixou o Brasil”, assinalou o jornalista.

Notem que a partida da criminalista foi tão às pressas que nem cobrou seus honorários aos clientes. Na Advocacia, sabe-se que os réus, quanto mais ricos, mais renitentes se mostram na hora de pagar a seus defensores. E Beatriz Catta Preta deixou tudo de lado e partiu em busca de segurança.

AMEAÇADA E INSEGURA

O fato é que a advogada paulista se sentiu ameaçada e insegura. É casada com um ex-cliente, Eduardo Catta Preta. Ele foi preso em 2011 por passar dólares falsos, cumpriu a condenação em liberdade e vinha trabalhando com a mulher na parte administrativa do escritório. Para ela, que é mãe, nada vale mais do que a segurança dos dois filhos. No lugar dela, qualquer outra mulher faria o mesmo.

Onde está a Ordem dos Advogados do Brasil, que tão prontamente se colocou à disposição dos advogados da Odebrecht para defender supostos direitos deles? O Ministério da Justiça, que tem sido tão disponível para defender um governo altamente corrupto, como se isso fosse missão da pasta, onde se meteu? Da mesma forma, por onde anda a Secretaria dos Direitos Humanos, que tem status de ministério? E as milhares de ONGs que dizem trabalhar pelos perseguidos e excluídos, onde estão escondidas essas estranhas organizações?

Mais de 24 horas depois da divulgação deste clamoroso fato que desonra o país, ainda não se viu nenhum pronunciamento em favor dos direitos da advogada Beatriz Catta Preta. Alguém esperava alguma coisa diferente?

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PSA chamada imprensa pré-paga está explorando ao máximo o fato de o marido da advogada ter sido processado e cumprido pena. Mas não se deve misturar as coisas. Cada um de nós é responsável por seus atos. E paga por eles. (C.N.)

14 thoughts on “Governo tinha obrigação de proteger a advogada Catta Preta

  1. Para quem já matou o Celso Daniell, o Toninho do PT e quem sabe outros. Matar mais um não faz diferença e ainda temos de escutar deste bando de corruptos, ladrões e assassinos comparando-os a perseguição dos judeus. O cabeça deste grupo “O Mula”, esta com os seus dias contados.

  2. Caro CN,

    Atualmente vivemos no país do “Far-west” onde as leis não são cumpridas e as autoridades se fingem de cegas.

    O Brasil é líder mundial em números absolutos de homicídios e ocupa o 11º lugar no ranking de assassinatos a cada 100 mil habitantes.

    Leia em detalhes:

    “Número de homicídios no Brasil é 5 vezes maior que índice mundial, mostra estudo”

    Site: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2015/05/numero-de-homicidios-no-brasil-e-5-vezes-maior-que-indice-mundial-mostra-estudo.html

  3. Afinal, quem estaria interessado em eliminar a advogada Catta Preta? No meu entender ela sentiu-se fragilizada tendo que dizer na CPI quem lhe pagava os honorários. Ameaça de morte? Não creio.

    • Antonio, a advogada não timha que dizer nada na CPI. Como bem explicou aqui o Jorge Béja, ela poderia ter usado seu direito comstitucional de advogada para ficar calada sobre as suas relações com os clientes. Poderia ainda ter impetrado um habeas corpus para reforçar mais ainda esta posição. Se ela preferiu fugir, é que havia outros riscos, e certamente não eram pequenos.

  4. A única garantia que a entidade criminosa, imunda e corrupta OAB vai dar é que ela não vai falar nada, senão a própria OAB, que é um dos tentáculos do crime organizado, junto com CNBB, máfia de branco etc…, vai pessoalmente dar cabo dela.

  5. Atentem, senhores, para a retomada do “modus operandi” do PT – denunciado pelo Tuma Júnior – para ameaçar determinadas pessoas que venham a se tornar perigo iminente para o partido/governo: “assassinar suas reputações”.

  6. Eu ia fazer um comentário no blog do Felipe Moura Brasil mas percebi que ele não faz mais moderação. Escrever lá para que se ninguém vai ler ?

  7. A Tribuna da Internet também acertou em cheio, quando o Jornalista Carlos Newton publicou artigo de sua autoria garantindo que a advogada Dra. Beatriz Catta Preta tinha mesmo fugido do país com medo, para garantir sua vida e a de seus filhos, conforme ela própria revelou ontem em entrevista exclusiva ao JN da Globo, quando disse ter sido ameaçada pela CPI da Petrobras.
    Jorge Béja

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