O grande erro do juiz Sergio Moro foi ter aceitado ser ministro de Bolsonaro

Antes de ser ministro, Moro tinha a melhor imagem possível

Pedro do Coutto

Na edição de ontem de O Globo, Elio Gaspari e Merval Pereira, cada um sob um ângulo, tentaram focalizar a posição do ex-juiz Sergio Moro no quadro da sucessão presidencial, ambos considerando ser viável tal expectativa. Mas é difícil, acho. Sergio Moro, em primeiro lugar, não terá legenda para ser candidato à Presidência, pois não vejo qual agremiação poderia homologá-lo como candidato.

Em segundo lugar, ele pode ser candidato a deputado federal, cargo para o qual estará eleito, ou para o Senado, eleição que pode se tornar duvidosa nas urnas. Ele não pode se inscrever em um partido que apoiar a candidatura de Lula da Silva porque como juiz condenou o ex-presidente à prisão. Não poderá se inscrever num partido que forme na coligação de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro pois foi por ele demitido, o que o levou a acusá-lo junto ao Supremo Tribunal Federal por interferência indevida na Polícia Federal.

OPINIÃO PÚBLICA – Sergio Moro antes de ser  ministro da Justiça era alguém com a melhor imagem possível junto à opinião pública brasileira, mas a partir do momento em que avalizou o governo perdeu essa condição, distanciando-se do grau de apoio que obtinha. Era aplaudido quando entrava em aviões, restaurantes, livrarias, enfim era uma figura extremamente popular. De repente, tudo mudou, sobretudo a partir do momento em que assumiu o Ministério da Justiça e incorporou ao seu sistema o Coaf, órgão da Fazenda absolutamente estratégico para a classe política e para o universo empresarial, principalmente aos empresários do setor financeiro.

O Coaf, é bom lembrar, é capaz de identificar em minutos recebimentos de depósitos atípicos. Portanto, acredito, Sergio Moro não será candidato à Presidência da República. Mas a sua presença no quadro político é mais perigosa para Bolsonaro do que para Lula, sobretudo porque Lula já foi alvo de reabilitação pelo STF, enquanto o declínio de Bolsonaro vai se acentuar ainda mais a partir do momento em que a CPI do Senado divulgar o seu relatório acusando-o de uma sequência de crimes, destinado a obter uma grande repercussão nacional quanto internacional. Bolsonaro, assim, vai perder mais pontos na estrada para as urnas de 2022.

Moro, diante deste panorama, poderia ser aceito pelo PSDB ou pelo PDT, mas como candidato a deputado federal. O PSDB começará uma sequência de debates nos jornais O Globo e O Valor entre Eduardo Leite, João Doria e Arthur Virgílio. No seu espaço de ontem no O Globo, Lauro Jardim indica que pesquisas na legenda tucana deixam Doria em desvantagem em relação a Eduardo Leite. Quanto ao PDT, Sergio Moro só teria um caminho numa campanha presidencial de Ciro Gomes. Não há mais espaço para o juiz da operação Lava Jato que, diga-se de passagem, prestou um grande serviço ao Brasil quando pela primeira vez ladrões de casaca foram acusados e condenados.

TRISTE REALIDADE – Em reportagem publicada na Folha de S. Paulo de domingo, Fernando Canzian revela com base em cálculos da Tendência Consultoria e também do IBGE que 55% da população do país integram as classes D e E, aquelas nas quais moram a pobreza e a miséria. Impressionante o número, digo, porque como se constata as classes D e E possuem mais integrantes que todas as demais categorias juntas, valendo ressaltar que a classe C que também é abrangida pela pobreza reúne 29% da população.

Portanto, a triste realidade sempre desconhecida pelo ministro Paulo Guedes é a de que 84% dos brasileiros e brasileiras vivem em situação de carência. Assim, o Auxílio Brasil de R$ 300 em média a ser estendido até o final de 2022, ano das eleições, não será capaz de alterar o atual quadro social do país. O desemprego, a informalidade do mercado de trabalho e o congelamento de salários são fatores marcantes e extremamente críticos da realidade brasileira. A previsão da Tendência Consultoria é a de que uma faixa da classe B vai descer alguns degraus e ingressar no segmento C da realidade do país.

11 thoughts on “O grande erro do juiz Sergio Moro foi ter aceitado ser ministro de Bolsonaro

  1. A batata do Moro ainda está assando.
    Ele pode se preparar. Ou acham que depois de ser declarado parcial pelo STF Lula vai deixar barato não só sua eleição em 2018 e ainda os 580 dias de cadeia?
    E para provar a extrema má fé com que utilizou a toga, terá contra si depoimentos ao vivo e a cores de delatores que o avisarão de tortura psicológica para que incriminassem Lula.

  2. Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Moro nunca deveria sequer ter se aproximado desta lama fedorenta e imunda que o povo chama de bolsonero. Trata-se do mais asqueroso ser que a Terra já produziu. Deis tenha piedade de nós !!!

  3. Moro está na situação de quem está perdido, e quem está assim qualquer caminho é válido. Seria um otimista que se considerasse partidos políticos, são facções com seus respectivos morubixabas.
    A esperteza consiste em se infiltrar para conseguir foro privilegiado e pegar o primeiro cavalo que passe encilhado.
    Mor foi burro arrumou uma guerra com os dois pontos do poder, vai ter que começar na baixada.
    Lembrei de uma frase de um sábio tibetano, Milarepa, ” É preciso ficar muito tempo com a boca aberta antes que para ela voe uma perdiz assada.”
    Pensando na terceira via bem que o Ciro poderia adotar a seguinte frase, ” Oh Senhor, afastai de mim os inimigos antes que eu dê a primeira pedrada”
    O que dá pra rir dá pra chorar.

  4. Palavras proféticas do dr Jorge Beja

    Em 0.11.2018

    Com as quais , comungava, mas sem o brilho e competência do dr Beja

    ” Pense bem, doutor Moro. Sua consagrada reputação, no Brasil e no exterior, pode sofrer danos nesta quinta-feira. Sabe o senhor, melhor do que ninguém, que ministro da Justiça fica sob a jurisdição do Judiciário que o senhor integrou – e ainda integra – e tanto não representa uma “capitis diminutio”, como diziam os Romanos ao se referirem a alguém que foi rebaixado e perdeu o status anterior? Como o senhor aceitou, o fato é que entrou na casa de Bolsonaro como juiz, dela saiu como ex-juiz, ainda que a sua exoneração não tenha sido formalmente feita. Já moralmente….

    Nesta quarta-feira, Bolsonaro disse aos brasileiros pelo twitter que nenhum condenado pela Justiça ocupará cargo no seu governo. É pouco, presidente. O que o senhor disse deveria ser o óbvio, o natural, o dispensável de ser dito. O que todos gostaríamos de ouvir de sua viva voz (ou mesmo ler no twitter), inclusive o juiz Sérgio Moro, é a garantia de que nenhum suspeito, nenhum investigado, nenhum denunciado pelo crime que seja, mormente o crime de corrupção, ocupará cargo no seu governo e não estará em sua companhia. Foi crendo nisso que eu – e quase 60 milhões de eleitores – votamos e elegemos o senhor nosso mandatário, porque mandantes somos nós, o povo brasileiro.

  5. As narrativas atuais no Brasil são bizarras, não correspondem à realidade, e haja cara de pau para negar o óbvio:
    Moro é o preferido do Podemos para concorrer à Presidência faz tempo, como não tem partido?
    Moro saiu do MJ para não compactuar com ilícitos e isto foi amplamente divulgado.
    Aguardemos o final da próxima eleição, pois a classe média, silenciosa, ainda não foi às ruas, sem lanche, sem transporte etc….

  6. Insisto nisto com a minha mulher todos os dias, que o Moro jamais devia ter se deixado seduzir pelo conto contado por este vigarista que é o mito. O sonho de um dia estar brilhando lá na suprema corte cegou o cara. De herói quase vira vilão, só não aconteceu isto por causa desta mesma suprema corte, fazem tantas besteiras e tão seguidas que nela só os muitos crédulos é que acreditam.

  7. Álvaro Dias, senador pelo Paraná convidou Moro para se candidatar a presidente pelo seu Partido.
    Entendo que o ex-juíz está avaliando o quadro e definirá sua opção no último minuto do segundo tempo. Neste particular, considero que esteja coberto de razão. Se entrar no páreo agora, será atacado tanto por Bolsonaro quanto por Lula.
    Concordo com a assertiva de que Moro tira votos de Bolsonaro, muito mais do que de Lula. Se o xerife da Lava jato decidir pela candidatura a presidência, pode tirar Bolsonaro do segundo turno. Partes do empresariado e da classe média são udenistas, portanto, tendem a apoiar candidatos que levantam a bandeira do combate sem tréguas a corrupção, ao toma lá dá cá, a moral e aos bons costumes, a prisão em Segunda Instância, a manutenção da Lei da Improbidade Administrativa, do Instituto da Delação Premiada e aumento dos Recursos do Orçamento da União nas áreas da Educação e da Saúde e principalmente, o compromisso com políticas de Desenvolvimento da Indústria, do comércio e da Inclusão Digital dos brasileiros mais pobres, visando preparar esses jovens para a tecnologia Digital.4. Falta emprego e renda para milhares de brasileiros, impossibilitados de competir no mercado de trabalho, por falta de preparo nas tecnologias do futuro.
    São difíceis essas pautas? Sim, mas, não é impossível a sua execução. basta querer.

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