O heroísmo dos 33 mineiros, o desespero confessado, o reconhecimento do mundo. A promessa (?) de que isso não se repetirá. Há mais de 100 anos isso se r-e-p-e-t-e.

Hélio Fernandes

Nenhuma dúvida: foi mais emocionante do que o desastre da NASA. Embora as missões no espaço sejam e tenham sido importantes, não chegaram ao povo, a repercussão foi ELITISTA.

Aqui e agora, ELITISTAS são os donos dessas minas, que há mais de uma centena de anos, exploram e escravizam os que trabalham para eles, nessa amaldiçoada profissão identificada como MINEIROS.

Mais ou menos por volta de 1850, portanto no mínimo já com 160 anos de existência, os desmoronamentos e as mortes se repetem e se amplificam. Só que como os meios de comunicação eram precários ou inexistentes, os trabalhadores recebiam (?) salários de fome, morriam diariamente, enquanto os proprietários das minas E-N-R-I-Q-U-E-C-I-A-M, como se dizia, “nababescamente”.

Numa época em que a tecnologia avança em alta velocidade nos mais diversos setores, esses mineiros continuam trabalhando nas mesmas condições miseráveis. A forma de trabalho é igual a de 160 anos antes, ninguém se interessou em melhorar alguma coisa.

Os desmoronamentos são os mesmos, não existem alternativas para saída imediata em caso de desastre. O abandono era de tal ordem, que os grupos de socorro não sabiam nem mesmo onde estavam os trabalhadores. Tiveram que abrir três perfurações na rocha, felizmente em uma delas, localizaram os trabalhadores.

Aí, por esse BURACO-ESCAVAÇÃO, um engenheiro desenhou aquele tipo de “elevador”, que só podia ter 53 centímetros de diâmetro, que era o tamanho do que foi aberto. Se algum mineiro soterrado fosse mais gordo, não poderia ter sido salvo.

Podem escrever ou falar o que bem entenderem, não chegarão nem perto de compreender o DESESPERO desses mineiros, e o desalento de suas famílias, 70 dias desamparados, sem saberem sequer o que estava sendo feito para salvá-los.

E nada terminou, outro drama começou a partir do momento em que deixaram o subterrâneo da maldição, voltaram à superfície que deveria ser de libertação. Muitos órgãos chamaram o fato, o episódio, a tragédia, de EPOPEIA. Ora, “epopeia é por definição um drama com final feliz”, quem pode garantir que esse FINAL é mesmo FELIZ?

Os personagens do momento heróico, começam a contar os momentos que passaram debaixo da terra, emparedados, empedrados, espoliados, no mínimo, no mínimo, se considerando esquecidos. Nada vai COMPENSÁ-LOS ou fazer esquecer essa tragédia, que dura há tanto tempo, que já devia ter sido superada.

***

PS – O presidente Piñera, lógico, do Chile, ficou do início até o fim acompanhando o trabalho dos socorristas. Previsto para 48 horas, levou exatamente 12, do momento em que subiu o primeiro trabalhador até o resgaste do último.

PS2 – Esses grupos de salvação merecem os maiores louvores. É também admirável o clima de civismo que dominou todo o trabalho e o acampamento naquele deserto distante. O hino do Chile e as bandeiras desfraldadas deram ainda maior emoção aos presentes, impregnando o ambiente de uma verdadeira aura de patriotismo.

PS3 – O presidente Piñera garantiu: “Isso não se repetirá, as condições de trabalho serão inevitavelmente mais seguras”. Ótimo, mas nem o senhor, como presidente, conseguirá alguma coisa.

PS4 – Os PROPRIETÁRIOS das minas, embora recolham os lucros debaixo da terra, estão economicamente muito acima do senhor, presidente.

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