O holocausto dos postos de trabalho, em quarentena forçada nos porões das UTIs

charge amazonia23 vacina contra desemprego - Blog de Rocha

(Charge do João Bosco/Arquivo Google)

Percival Puggina

Há poucos dias a Folha de São Paulo abriu manchete para a informação de que “a pandemia aniquilou 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil”, acrescentando que, pela primeira vez na história, menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está empregada.

Indo um pouco mais fundo, sem sair da superfície, a matéria informava estarem incluídos naquele número pavoroso 5,2 milhões de trabalhadores por conta própria, ou sem emprego formal. Os dados foram fornecidos pelo IBGE.

EMPREGOS ASSASSINADOS – Agora, digo eu: Uau! Quem poderia imaginar uma coisa dessas? E respondo: algo assim era perfeitamente previsível por quem tem um mínimo de objetividade; basta, simplesmente, assistir como, há quatro meses, empresas e postos de trabalho vêm sendo assassinados a sangue frio.

Imagine cinco milhões e 200 mil pessoas, numa situação de trabalho vulnerável por natureza, sendo obrigadas a fechar, apagar a luz, desligar o computador, fechar a porta e dar bilhete azul a seus sonhos e meios de subsistência.

Imagine essa pessoa, depois, trancada em casa pela simultânea necessidade e inutilidade de sair, ligada nos noticiários que só contam mortos, à espera de algum burocrata disposto a pintar amarelo sobre o vermelho que cobre sua região no mapa do Estado.

EXEMPLO GAÚCHO – Aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de onde escrevo, durante um curto período de “flexibilização” que se seguiram a três meses de isolamento, fui com minha mulher a três restaurantes que habitualmente frequentamos. Queria falar com os donos, cumprimentar os garçons conhecidos de muitos anos, ter notícias sobre o período de travessia em que esses estabelecimentos, sempre movimentados, passaram a atender por tele entrega. Num deles, com o salão todo rearranjado para o distanciamento, não havia ninguém; quando saímos, apenas um cliente entrara.

Noutro, uma família com cinco ou seis pessoas era a única ocupante de uma das salas; nós fomos os únicos, também, no compartimento ao qual nos conduziram. No terceiro, a situação estava um pouco melhor, menos lugares, mesas afastadas, e, ainda assim, nesse arranjo, sequer uma terça parte das cadeiras ocupadas. Pois nem com isso, nem assim, lhes foi permitido manter o estabelecimento em operação. Porto Alegre fechou seus restaurantes dois ou três dias mais tarde.

HUMOR FERINO –  Vem-me à mente o humor ferino de Grouxo Marx, dotado da perenidade devida aos bons frutos da sabedoria: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. Ou na veracidade, a pedir a nobreza do mármore, enunciada por Thomas Sowel e enviada pelo amigo Dr. Luiz Marcelo Berger enquanto escrevo este texto:

“Difícil imaginar maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas”.

Você vai acreditar em seus próprios olhos, ou em quem o levou pelo nariz aonde quis e se prepara, agora, para abastecer seu desânimo e sua psicose com os péssimos números da pauta econômica. O vírus atingiu um índice infinitesimal da população, mas as notícias nos fizeram adoecer. Estamos todos passando mal, numa UTI psicológica cujas portas talvez nunca venham a reabrir completamente.

12 thoughts on “O holocausto dos postos de trabalho, em quarentena forçada nos porões das UTIs

  1. “Previdência: gasto por militar equivale a 17 vezes o do aposentado pelo INSS.
    Déficit por beneficiário no sistema dos militares é de R$ 121 mil, contra R$ 6,9 mil no regime de aposentadoria do setor privado” (O Globo)

    É isso aí, galera, o seu Jair tá mandando ver. Isso deve bombar a aposentadoria dele também.

    Grandessíssimo canalha esse seu Jair.

  2. A situação da população brasileira se encontra entre a cruz e a espada.

    Se os governantes deixam de lado a pandemia, liberando o país de ter qualquer cuidado com a pandemia, haverá críticos veementes contra essa liberação e irresponsabilidade;
    se, por outro lado, tentam impor precauções e orientam sobre o alastramento do vírus, então estão condenando o povo a morrer de fome pelo fechamento de seus negócios.

    Morto por ter cão, morto por não tê-lo.

    Puggina apenas esqueceu de mencionar as razões pelas quais o governador gaúcho pintou de vermelho meio RS:
    o povo é imprudente, desobediente, rebelde, e não dá a mínima importância ao COVID-19.

    Em consequência, o justo paga pelo pecador.
    Se existem pessoas que se cuidam, que se preocupam com o próximo, a maioria simplesmente ignora essas questões, tornando-se um agente em potencial para contaminar as pessoas com quem convive.

    Ou os governantes amedrontam o povo ou teremos dentro de poucos dias um número de mortos igual ou superior aos dos americanos, hoje com 130 mil óbitos e mais de dois milhões e meio de contaminados!

    A menos que, para o Puggina, nossas 65 mil vítimas fatais deveriam ser desconsideradas ou os quase 700 mortos que registra o Rio Grande do Sul.

    Mas, tratar-se-ia de uma opinião meramente pessoal, menos ligada aos fatos que contestam o artigo em tela quanto à precaução que se deve ter ou impor à população que tome os devidos cuidados.

    Nessas alturas, pelo fato de estar em jogo vidas humanas, a meu ver todo o cuidado é pouco. Pequemos por excesso, menos por omissão, diz a regra.

    Sobre a quebra de estabelecimentos comerciais, indiscutivelmente devemos lamentar, ainda mais aqueles que são administrados pelas famílias.
    Agora, resta saber o que seria mais importante:
    a chance de viver ou de oferecer à pandemia oportunidades para que as estatísticas aumentem sobre o número de mortes nos pagos gaúchos.

    • Antes do carnaval , mesmo com o vírus chines circulando deste novembro, valia tudo, festas de natal ano, novo, prias lotadas, hotéis, piscinas, bares, restaurantes, shoppings, carnaval com incentivo de nossas “OTORIDADES” para os festejos do rei mono. O dito vírus made in china era uma simples gripizinha, depois mudou, passou a ser um grande bicho papão.ME ENGANE QUE EU GOSTO.

  3. Para Informação aos Brasileiros!

    Duzentos e dez (210) MÉDICOS catarinenses respeitados na sociedade por sua atuação profissional encaminharam carta aberta ao Sr. Governador do Estado de Santa Catarina solicitando a liberação der medicamentos que permitem o combate do Corona Vírus na fase de infecção, com sucesso. São eles;
    Hidroxicloroquina ou cloroquina
    – Ivermectina
    – Azitromicina
    – Zinco
    – Vitamina D
    – Vitamina C.
    Esta na hora de reconhecer que este tratamento é eficaz e evita a fase de entubamento.
    Respeito aos brasileiros senhores políticos.

  4. Em que bagunça cientifica nos metemos:95% de pesquisadores não indicam este kit outros 5 porcento não indicam.Caros especialistas se entendam medicação só deve ser usada depois de testada.Se tivéssemos impedido o carnaval fizéssemos um lockdown fev.,mar e abr com apoio financeiro aos trabalhadores e empresas estaríamos em melhor situação.

  5. O pulguinha, se soubesse ler inglês, poderia aprender alguma coisa, lendo um NYT, descobrindo que nem os EUA que vêm fechando tudo que reabriram, e nem o Brasil atingiram o ápice da primeira onda desta pandemia.
    Sujeito ordinário como este sórdido governo assassino.

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