O império da lei e a esculhambação reinante no Brasil

Sandra Starling

Recebo e-mail saudando minha posição contra aqueles que aceitam o jugo dos tiranos na América Latina. A bem da verdade, há muito, penso assim e provei-o de várias maneiras ao longo de minha vida, inclusive dentro de meu antigo partido. E só não me estendi mais sobre a temática – presente também em todas as tentativas de implantação do socialismo no mundo até hoje – porque não tenho espaço suficiente para isso neste jornal.

Hoje quero tratar de outro aspecto presente no cotidiano da vida dos brasileiros em geral e, para espanto de alguns, algo que tanto pode atingir o pobre (com mais amplitude, é verdade), quanto o rico. Refiro-me ao desrespeito às leis. Claro que vou começar pelo mais conhecido: a violação dos direitos dos consumidores. Nos Procons pelo Brasil afora, avultam campeões, como as telefônicas e os bancos, mas basta ir a uma loja ou contratar uma pessoa para um pequeno reparo em sua residência para estar diante da cara de pau dos que nos vendem mercadorias ou nos prestam serviços.

O bombeiro chega em sua casa, simula um conserto necessário e arranca, de uma tabela que só ele conhece, o preço “da visita”, eufemismo já consagrado para camuflar as intermináveis lutas que todos temos para obter o mínimo de atenção a preços exorbitantes.

O consumidor adentra uma loja como rei e sai como lacaio. Desde que tenha aberto a carteira e pago à vista ou no crediário, adeus respeito: prazos de entrega ficam ao bel-prazer da empresa vendedora, defeitos visíveis não ensejam a pronta devolução da mercadoria, trocas são um verdadeiro martírio para quem delas precisar. Empresários se queixam sobre os
“apadrinhamentos” que precisam obter caso sejam credores da União, Estados ou municípios, ou se somente precisam de um documento capaz de liberar sua atuação em determinado ramo de negócio.

OS SÍNDICOS…

O problema dos síndicos, de maneira geral, é uma calamidade pública: a partir do momento em que são investidos em suas funções, tornam-se pouco mais que vice-reis no pedaço. Mandam e desmandam, cumprem ou descumprem decisões de assembleias, e tudo fica por isso mesmo. No caso, a maioria dos condôminos não quer ou não tem tempo de se tornar síndico, e não se usa de fato o direito de escolha de alguém de fora porque isso custa dinheiro.

Constato que nem sequer são cumpridos os requisitos da feitura de simples inventários: pagos os impostos e emolumentos devidos, ninguém registra os novos proprietários de imóveis herdados do “de cujus” e fica por isso mesmo. Agora ando às voltas com problemas de locação porque tentam me tirar de imóvel locado sem a menor observância de prazos e com absurda elevação de preço. Haja paciência.

Por isso, gostaria que interessados me escrevessem caso precisem dos serviços de marcenaria: nessa esculhambação toda, acabei de ter maravilhosa experiência com empresa cuja propaganda reservadamente me disponho a fazer. Podem me enviar e-mail. Só não posso, creio, dar o nome aos bois pelo jornal.

(transcrito do jornal O Tempo)

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