O individualismo do voto pode ser um sinal negativo dos novos tempos

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Bacha se preocupa com a crescente desigualdade de vida

Merval Pereira
O Globo

O debate sobre democracia e capitalismo ocorrido na mais recente reunião plenária da Academia Brasileira de Letras teve origem em palestra anterior do acadêmico Arno Wherling, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, abordando a obra de Joaquim Nabuco – um dos fundadores da ABL – sobre a propriedade.

Líder abolicionista, Nabuco não separava a emancipação dos escravos da democratização do solo. O acadêmico Edmar Bacha, que preside a Casa das Garças no Rio, um dos principais thin-tank brasileiros, ampliou a discussão, trazendo uma tese polêmica de economistas dos Estados Unidos que propõem separar a propriedade privada do mercado, democratizando-a para reduzir a desigualdade de rendas, tese detalhada na coluna de ontem.

SEM RENOVAÇÃO – O cientista político acadêmico Candido Mendes trouxe sua contribuição numa palestra sobre a atual situação eleitoral brasileira, ressaltando que tudo indica que o Congresso não será renovado, o que reforça o desânimo do cidadão com a representação política.

Cândido Mendes lamentou que as questões sociais tenham perdido a prioridade, e destacou o fenômeno que chamou de “individuação das candidaturas”, com os partidos, devido à proliferação das legendas, perdendo o sentimento coletivo do voto e se transformado em reflexo do pensamento individual.

Ele ressaltou o impacto sobre a mocidade, sobretudo entre os de 16 a 23 anos. As atuais pesquisas mostram que a grande maioria votará em branco ou anulará seu voto, fenômeno que, para Cândido Mendes, caracteriza a demissão pela mocidade de intervir na vida política. Desprestigiar a ação política significa uma individualização das candidaturas, disse ele. 

NOVAS TECNOLOGIAS – A escritora e acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira avaliou que a individualização tem a ver com as novas tecnologias, que induzem a relações cada vez mais individualistas. Outro fator, segundo Rosiska, seria enfraquecimento das instituições de mediação.

Os partidos políticos não refletem mais correntes ideológicas nítidas, e os sindicatos, por sua vez, sofreram mudanças na capacidade de coletivizar, em função também do novo mundo do trabalho.

O acadêmico Cícero Sandroni, escritor e jornalista, fez questão de destacar que a nossa democracia é muito falha, seria o que chamou de democracapitalismo, onde só ganham eleições aqueles que têm muito dinheiro ou serão corrompidos depois.

ALZHEIMER GERAL – O acadêmico José Murilo de Carvalho considerou que as duas palestras mostram “a incapacidade de pensar, não digo a longo prazo, mas a médio prazo. Costumo dizer que o Brasil padece de um Alzheimer coletivo em relação ao passado, o futuro a Deus pertence, e ao presente, carpem diem (aproveitem o dia)”.

O historiador lamentou que não saibamos incorporar à sociedade a massa marginal dos milhões de desempregados, e também dos milhões de não empregáveis, por questões de baixa escolaridade, com o processo da automatização que tirará perto de 20% dos empregos. “Temo que não teremos um futuro, podemos estar perdendo o bonde da história”.

RECOLHIMENTO – O acadêmico Celso Lafer ponderou que há momentos “em que há motivação, outros em que as pessoas se recolhem. É o que está acontecendo hoje, as pessoas estão mais interessadas nas suas vidas privadas”. Como a democracia não garante a felicidade, “temos que lidar com a paixão do possível”, advertiu o jurista.

Lembrei então minha recente experiência de mais de um mês na Rússia cobrindo a Copa do Mundo. O sentimento generalizado é de satisfação com o governo Putin, à frente de uma democracia de fachada que limita a liberdade de expressão e reprime questões ligadas à sexualidade dos indivíduos.

TUDO FUNCIONA – Mas na Rússia o sistema de transporte funciona, os hospitais são eficientes e bem equipados, a educação é de alto nível, a ponto de pouquíssimos russos buscarem formação em universidades estrangeiras.

São os sinais de que uma “democradura”, como definiu José Murilo de Carvalho, pode ser suficiente para os cidadãos, que já não encontram na democracia representativa um instrumento de seus anseios. 

16 thoughts on “O individualismo do voto pode ser um sinal negativo dos novos tempos

  1. Se a Rússia é uma ‘democradura’, deveriam culpar a Boris Ieltsin, o presidente que enviou tanques para fechar o parlamento russo, escreveu uma constituição autoritária centrando poderes na presidência, obteve uma reeleição escandalosamente fraudada (ninguém mais duvida disso) e manteve a região cáucaso sob uma guerra bruta. Mas toda a mídia prefere repercutir opiniões da imprensa americana e acusar Putin, e recordar Ieltsin como um ‘democrata’ e um ‘liberal’.
    A grande mídia e os acadêmicos a que ela dá voz costumam chamar de “democracia” a regimes políticos que se submetam a interesses americanos, basicamente. Desde que um governante se submeta aos interesses do Deep State de Washington e a Wall Street, pode-se ser tão corrupto e ditatorial quanto se queira,e não haverá questionamentos sobre isso, até mesmo se poderá louvar o regime como “progressista”, como se faz hoje com a Arábia Saudita de Mohammed Bin Salman,

  2. São algumas faces do diagnóstico brasileiro.
    No entanto, com aquilo que consegui enxergar nos últimos 30 anos, qualquer exemplo de outro país não se aplica ao nosso.

    Não vou discorrer sobre o tem, mas só direi que, pelas diferenças genéticas de nosso povo, as soluções dos outros não se aplicam a nós.

    Assim, a democracia como se conhece na maioria dos países desenvolvidos, não funcionará no Brasil.

    Solução? Aqui vão duas ideais, atualmente debatidas em pequenos grupos:
    1. deixarmos ruir todas as instituições e recomeçarmos a partir de uma federação de estados independentes:
    2. criarmos uma nova definição de democracia e a partir deles construirmos novas regras democráticas.

    Se alguém tiver um tempinho, tente montar o quebra cabeça a partir da situação atual de nossas instituições, forma de nossas organizações sociais, organização política e eleições e onde chegaremos continuando no mesmo caminho.

    É bem interessante.

    Fallavena

  3. Muito boas as análises da Academia Brasileira de Letras sobre o mal-estar Político Brasileiro, causado pelos defeitos da Democracia Representativa e do Capitalismo de Mercados.
    Todo o mundo sente esse problema, mas os Países Pobres ( Renda perCapita US$ 4.000), e Países Emergentes como o Brasil (Renda perCapita US$ 12.000 ) sentem mais ainda.
    O Capitalismo, de longe o Sistema mais produtivo tem dois defeitos, distribui mal a grande Renda gerada e não garante Pleno Emprego, pelo contrário, em ėpocas de crise como agora admite altíssimos Desemprego e sub-Emprego.
    É a Democracia Representativa então que via Urna deve mitigar esses defeitos (má distribuição da Renda e Desemprego) via Políticas de Welfare State KEYNESIANAS. Ocorre que os Governos passados no Brasil, para ganhar Eleições (fizeram o diabo), quase sempre gastaram mais do que Arrecadaram, endividaram até o limite superior, elevaram o Gasto do Estado até +- 45pc do PIB, com isso asfixiando a Iniciativa Privada, o verdadeiro Motor do crescimento Econômico.
    Agora, por mais que habilmente se maneje os pedais e alavancas da Economia, via Urna, tudo responde devagar.

    Mas toda problemática tem sua solucionática, e o Brasil com certas Reformas e re-Industrializacao tem potencial para superar o Desemprego. As medidas todas tem que ser no sentido de fomentar a PRODUCAO.
    Os Governos Autoritários tem a facilidade de implementar Reformas Politicas-Economicas rapidamente, mas quando erram o rumo de transformar o País para melhor, o estrago é muito maior.

  4. O “Epitáfio ” da Nação brasileira começou com a tal “Constituição Cidadã” que empurrou para os “Podresres” a maior casta de “Cleptômanos” de nossa História Republicana. Essas mesmas figuras e toda sua descendência chegam agora falando em salvação da pátria. Numa Nação em que assaltantes dos cofres públicos que roubaram, por exemplo, o Rio de Janeiro em mais de 50 Bilhões de dólares, números aproximados, estão soltos em suas mansões ao sabor da impunidade geral, e, ainda , dito por Togados que os soltaram, que não fazem perigo ao Estado do Rio de Janeiro nem ao Brasil, só podia chegar aonde nos encontramos à beira de uma Guerra Civil. Esse é o grande retrato da Nação Brasileira, os 3 Podresres não merecem respeito nem confiança de ninguém. Quando aparece um Dr. Moro e a República de Curitiba para estancar a sangria, logo aparecem os “capetas togados dos breus das tocas” para estancar a lava-jato empurrando de uma vez por todas o país na Insegurança Jurídica. Só para citar um exemplo dos males da “2a.Tchurma do STF” , hoje existe uma fuga de capitais no Brasil avassaladora, além do desemprego grandioso que joga quase 80% da população brasileira para a pobreza absoluta (28 milhões sem emprego + 5 milhões que desistiram de procurar emprego X por 5 pessoas numa casa de Família = 165 Milhões de Brasileiros atingidos por esse caos) e ainda vem um “togado cara de pau e apoplético” soltar diuturnamente ladrões comprovados e provados dos Cofres Públicos Brasileiros e dizendo que eles não são perigosos !!! Perigoso para todos nós são os membros dos 3 Podresres que jogam diariamente contra o Brasil, contra o nosso Povo e contra o nosso Futuro, o Brasil caminha célere , pelas mãos dessa canalha de maus homens públicos, para uma miserável e terrível “venezuelização bolivariana corrupta cleptômana do lulopetralhismo” !!!!!!

    • Só ironizando, mesmo…

      Me pergunto se ele pretende enjaular também o economista e intelectual Paulo Guedes, o “posto Ipiranga” do Bolsonaro, deixando o capitão com as calças na mão…rs

  5. Muito interessante, se fosse possível seria legal se a TI pudesse reproduzir aqui os conteúdos dessas palestras.

    – “Nabuco não separava a emancipação dos escravos da democratização do solo.”

    Já fiz referência, noutro comentário, que um dos equívocos no nosso ensino de História e das humanidades em geral, ao longo do tempo, tem sido o desprezo pelos nossos grandes pensadores, a sua desqualificação por pertencerem as proclamadas “elites”. Privando os estudantes, e cidadãos, da riqueza do pensamento social produzido no Brasil, e da percepção de que nós, brasileiros, somos sim capazes de formar uma consciência social, e construir um projeto de nação, através do conhecimento da nossa realidade, e de como ela vem se constituindo historicamente.

    – “… uma tese polêmica de economistas dos EUA que propõem separar a propriedade privada do mercado, democratizando-a para reduzir a desigualdade de renda.”

    Esse pequeno fragmento não dá conta de uma compreensão da referida tese na sua inteireza, seria preciso conhecê-la melhor, mas me soa como da maior relevância. Desperta alguns insights, e uma reflexão que vai um pouco além: quanto ao próprio conceito de “mercado”, a discussão estéril a que uma concepção abstratamente ideologizada tem conduzido.

    De um lado, uma esquerda dogmática que demoniza o mercado (equivocadamente, a meu ver). De outro, uma direita, autoproclamada liberal-conservadora (uma contradição em termos) que se apropria do conceito, como se o mercado fosse intrínseco ao capitalismo, e todo mercado seria necessariamente capitalista.

    Ora, o mercado nasceu quando as sociedades primitivas ultrapassaram uma economia de mera subsistência, passaram a produzir um excedente e estabeleceram relações de troca. Superado o regime de escambo, pela inviabilidade de permutar uma vaca por galinhas, criaram a moeda como um equivalente geral. E, enfim, o mercado, que por sua vez deu origem às cidades.

    Daí o contrassenso em negar o mercado, pura e simplesmente, pois implicaria num retrocesso histórico gigantesco, a abolição da urbe moderna, enquanto espaço de trocas (culturais, inclusive) e estágio civilizatório. Quando o que se vê é justamente o contrário, as populações se concentram cada vez mais em grandes aglomerados urbanos.

    As feiras em que pequenos produtores e artesãos vendem seus produtos (orgânicos, por exemplo) diretamente aos consumidores, as que se formam em torno de eventos alternativos, comercializando souvenires e alimentação de produção caseira, as associações cooperativas de produção e consumo, etc., são exemplos de mercados não capitalistas.

    Da mesma forma a proliferação de centenas de moedas sociais, dentro do princípio da Economia Solidária, em circulação hoje em comunidades pelo Brasil afora. Assim como as moedas virtuais, moedas digitais, criptomoedas (Bitcoin, p.ex.), etc., configurando um mercado paralelo de trocas monetárias. Além do escambo propriamente dito, que ganha cada vez mais espaço pelas redes sociais, na idéia de uma economia compartilhada, ou colaborativa.

    Faço essa digressão, absolutamente empírica, apenas como uma especulação sobre a necessidade de superação do impasse que uma possível concepção equivocada do que vem a ser o Deus Mercado, que de invisível não tem nada, tem produzido, e sua necessária desmistificação, para podermos de fato (re)pensarmos uma sociedade menos desigual. Mais ou menos na mesma linha, talvez, da tese dos economistas citados, que me pareceu bem interessante, a princípio.

    • P. S. – Apenas para acrescentar: o mercado,
      a rigor, nasceu e deu origem às primeiras formações urbanas, como centros comerciais e militares.

      Alguns milênios antes, portanto, do capitalismo, surgido embrionariamente no séc. XVI, com as grandes navegações, e consolidado nos séculos XVII, XVIII, com a Revolução Industrial.

  6. Levi,

    Os teus comentários acima sobre o mercado são muito importantes, pois também contam a história do dinheiro, também.

    Se, o produto de maior valor que havia para o escambo era o gado, havia o problema da sua locomoção, tempo, morte, falta de água, comida, assim como receber outros materiais ou objetos o equivalente às reses vendidas.

    Então, um sábio, cunhou moedas, bronze, prata, até chegar no ouro.

    Conquistadores cunhavam suas imagens nas moedas, incrementando mais ainda um mercado vibrante, sendo talvez o mais rendoso e difícil ao mesmo tempo, a Rota da Seda.

    Com o advento do dinheiro, que facilitou as transações comerciais, o surgimento de cidades absolutamente mercantis;
    Damasco, Líbano, Constantinopla, Alexandria, Marselha, Gênova …

    A partir dos grandes descobrimentos, os extraordinários navegadores portugueses, o comércio teve um impulso fantástico.

    A bem da verdade, haja vista que o homem era nômade, pois se fixava onde havia caça e pesca, e uma vez esgotados esses recursos tratava de encontrar similares, foi a partir do momento que iniciou com a agricultura, a tão famigerada Primeira Onda, onde começou o erguimento das primeiras cidades, e os grãos trocados serviam como moeda.

    Os primeiros bancos ou a forma mais ou menos como se tem hoje, apareceram com os Templários, cavaleiros riquíssimos, que depois foram exterminados por um Papa qualquer, e que emprestavam dinheiro a juros.

    A Segunda Onda foi a industrialização, ainda mais após o lançamento do livro em cinco partes de Adam Smith, denominado de, Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações.

    Logo, excluo o dinheiro e o mercado como culpados pela miséria do ser humano, pela sua pobreza.

    Que o trabalho seja valorizado é um axioma, no entanto, a pobreza é que gera pobreza.

    Pais que não têm como se sustentar e ainda trazem filhos para este mundo é muita crueldade em nome de uma trepada, convenhamos!

    Quanto mais pobres, mais pobres gerando … mais pobres.

    Não existe plano social no planeta que resolveria a miséria, a menos que o Estado aja conforme a sua autoridade, e determine um rigoroso Planejamento Familiar e acompanhamento pelos Postos de Saúde quanto à gravidez na sua demarcação de atendimento à população.

    Vou mais além:
    As críticas que leio sobre o “vil metal”, como culpado pela pobreza, resgata Marx e Engels, onde o comunismo seria o melhor dos mundos, em consequência!
    Nesse movimento social e político, simplesmente o ser humano deixa de lado suas peculiaridades, talento e vocação, para ter comida e teto, mais nada!

    E, mesmo assim, ainda existe o … Mercado Negro!

    Dito isso, mercado é mercado e ser humano é ser humano.
    O mercado existe porque consumimos, e deixa de existir se não consumimos.
    Se o escambo saiu de moda, e somente a dinheiro as compras, sem emprego e renda, adeus mercado.

    Agora, seria obrigação do governo IMPEDIR especulação, a extorsão dos juros!

    Nada no mundo pode e deve ser livre!!!
    Muito menos o … Mercado Livre.

    Nós, homens, somos livres até não cometermos nenhum crime, caso contrário cadeia.
    Ora, se as altas taxas de juros são também denominadas de CRIMES DE USURA”, POR QUE a sua liberalidade contra o povo, justamente quem ganha mal e sustenta os bancos com suas taxas de juros extorsivas??!!

    E, vamos e venhamos, mas dinheiro não poderia fazer parte da discussão sobre mercado.
    Primeiro porque vital à vida; depois porque altamente concentrado nas mãos de meia dúzia pelo mundo!
    O mercado não regula o valor do dinheiro como em qualquer outra mercadoria e, sim, pela ganância do banqueiro, a verdade é esta!

    Soja, milho, arroz, carne, minérios, petróleo, existe a influência sobre seus preços de acordo com as aquisições internacionais.
    No entanto, o custo desse dinheiro emprestado para financiamentos ou empréstimos pessoais a gosto do banco é que deveria ter limite!

    Abraço.

  7. Caro Bendl;

    Agradeço pela sua interlocução, com a urbanidade de sempre.

    Responder a um comentário, mesmo que para contestar ou críticar (o que não é o caso), é sempre uma forma de reconhecimento da importância do que foi dito, o contrário seria a indiferença.

    Os temas que tratamos aqui são apaixonantes, estava digitando uma tréplica mais abrangente a este seu, mas por distração, algum comando involuntário, acabei deletando.

    Mas como você citou Marx, e percebo que você também é interessado, tomo a liberdade de recomendar dois excelentes artigos sobre, já que há muita confusão sobre o que de fato pensava o grande filósofo:

    “Biógrafo quer apresentar Marx sem o emaranhado ideológico do marxismo” – Caderno Ilustríssima, Folha de São Paulo, Flávio Moura.

    “Karl Marx, Quem Diria, Já Pode Voltar”. – Vicenc Navarro, Outras Palavras.

    São altamente esclarecedores, acho que você vai gostar.

    Um abraço.

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