O Irã será atacado?

Paul Craig Roberts

Washington fez tremendos preparativos para um ataque militar contra o Irã. Há especulações de que Washington põe de lado suas duas guerras mais longas, do Iraque e do Afeganistão, a fim de mobilizar forças contra o Irã.

Duas das frotas de Washington foram enviadas ao Golfo Pérsico, junto com navios de guerra da OTAN. Mísseis foram espalhados por Washington pelos emirados do petróleo e estados fantoches do Oriente Médio. Tropas norte-americanas foram implantadas em Israel e Kuwait.

Washington deu de presente a Israel um dispendioso sistema de defesa antimísseis, pago pelos já pressionados contribuintes americanos, um dinheiro gasto para Israel quando milhões de americanos sem assistência perderam suas casas.

Como ninguém espera que o Irã vá atacar Israel, exceto em retaliação por um ataque israelense ao Irã, o objetivo do sistema de defesa antimísseis é proteger Israel de uma resposta iraniana à agressão israelense contra o Irã.

Juan Cole postou em seu blog um mapa mostrando 44 bases militares americanas ao redor do Irã. Além dos preparativos militares maciços, há a guerra de propaganda contra o Irã, que está em andamento desde 1979, quando o xá do Irã, fantoche de Washington, foi derrubado pela revolução iraniana.

O Irã está cercado, mas Washington e a propaganda israelense retratam o Irã como um país agressor e ameaçador. Na verdade, os agressores são os governos de Washington e Tel Aviv, que constantemente ameaçam o Irã com um ataque militar.

Belicistas neoconservadores, como David Goldman, comparam o presidente iraniano a Hitler e declaram que só a guerra pode detê-lo. Chefes militares de Washington criaram a impressão de que um ato de agressão israelense contra o Irã é um negócio fechado.

Em 2 de fevereiro, o Washington Post noticiou que o diretor do Pentágono Leon Panetta acredita que Israel é capaz de atacar o Irã em dois ou quatro meses. Também em 2 de fevereiro, Gareth Porter afirmou que o general Martin Dempsey, presidente do Joint Chiefs of Staff dos EUA, informou o governo de Israel que os EUA não se juntariam a uma agressão de Israel contra o Irã, a menos que Washington tenha dado autorização prévia para o ataque.

Porter interpreta a advertência de Dempsey como um forte movimento empreendido pelo presidente Obama a fim de deter um ataque que envolveria Washington em uma conflagração regional com o Irã. Uma maneira diferente de ler o aviso Dempsey é que Obama quer adiar um ataque ao Irã até que as pesquisas mostrem que ele perderia a eleição presidencial.
A experiência diz que o eleitorado patriótico não abandona um presidente que está em guerra.

Em 5 de fevereiro, o presidente Barack Obama anulou a advertência de Dempsey a Israel, quando declarou que estava em “sincronia” com o governo israelense. Obama está em sintonia com Israel, apesar do fato de Obama ter dito à NBC que “não vemos qualquer evidência de que eles [o Irã] têm essas intenções [ataques contra os EUA] ou capacidades.”

Por estar em sintonia com Israel e, simultaneamente, chamando para uma “solução diplomática”, Obama apazigua tanto o lobby de Israel quanto os grupos de paz democrática, aumentando assim os seus votos.

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O DINHEIRO DE WASHINGTON

Como escrevi anteriormente, esta primavera é um tempo privilegiado para atacar o Irã, porque há uma boa chance de que a Rússia entre em tumulto por causa de sua eleição de março. A oposição russa a Putin é financiada por Washington e encorajada por declarações de Washington, especialmente as de Hillary Clinton, secretária de Estado.

Se Putin ganhar ou se houver um resultado indeciso e um segundo turno, o dinheiro de Washington vai colocar dezenas de milhares de russos nas ruas, tal como o dinheiro de Washington criou a “Revolução Verde” no Irã para protestar contra as eleições presidenciais lá.

Em 4 de fevereiro, jornal britânico olutrora de esquerda The Guardian informou sobre um protesto pré-eleitoral com 120.000 manifestantes anti-Putin, que marcharam em Moscou e exigiam “eleições livres e justas.” Em outras palavras, Washington já tem seus asseclas, declarando que uma vitória de Putin em março só pode significar uma eleição roubada.

O problema para Obama é que durante a primavera deste ano será cedo demais para dizer se sua reeleição está ameaçada por um candidato republicano. Ir à guerra prematuramente, especialmente se o resultado for um aumento forte nos preços do petróleo, não seria uma ajuda à reeleição.

A disposição dos povos ao redor de mundo a serem meros fantoches de Washington, em vez de cidadãos leais de seus próprios países, é a razão pela qual o Ocidente tem sido capaz de dominar o mundo durante a era moderna. Parece haver um suprimento infinito de líderes estrangeiros que preferem o dinheiro e o favorecimento de Washington à lealdade para com os interesses de seus próprios países.

Como disse Karl Marx, o dinheiro transforma tudo em mercadoria que pode ser comprada e vendida. Todos os demais valores são apagados – honra, integridade, verdade, justiça, lealdade, até os laços de sangue. Nada permanece, senão a torpe ganância. Dinheiro certamente foi o que transformou o primeiro-ministro britânico Tony Blair em uma mercadoria política.

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NÃO HÁ PRIMAVERA EGÍPCIA

Esse é o modo como Washington domina. A maneira de Washington de dominar outros países é a razão pela qual não há “Primavera Egípcia”, e sim uma ditadura militar como um substituto para o fantoche Hosni Mubarak descartado por Washington, e por que estados fantoches europeus estão lutando guerras de Washington pela hegemonia no Oriente Médio, África do Norte e Central Ásia.

O Fundo Nacional para a Democracia de Washington financia organizações não-governamentais (ONGs) que interferem nos assuntos internos de outros países. É através das operações de ONGs que Washington acrescentou a ex-república soviética da Geórgia ao império de Washington, junto com os Estados bálticos e países da Europa Oriental.

Por causa da hostilidade de muitos russos a seu passado soviético, a Rússia está vulnerável a maquinações de Washington. Enquanto o dólar dominar, o poder de Washington vai dominar.

Paul Craig Roberts – economista, secretário-assistente do Tesouro no governo Reagan, é hoje um dos mais destacados cronistas dos EUA.

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