O jardim do éden, nas lembranças da infância do poeta carioca Evanir Fonseca

Dez principais locais propostos para o Jardim do Éden - Replicario

Na imaginação do poeta, uma natureza esplendorosa

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca (1955-2017), no poema “Jardim do Éden”, recorda a sua infância no jardim existente em frente à casa que morava.

JARDIM DO ÉDEN
Evanir Fonseca

Na frente de minha casa tinha um jardim,
as flores nele cultivadas eram tão variadas
que pareciam travar uma grande batalha,
entre cores e perfumes que extasiavam as borboletas
que voavam, numa ida e volta frenéticas,
como se escolhessem as mais saborosas ou sedosas.

Na frente de minha casa tinha um jardim,
que eu, um garoto desbravador, perdia-me
por entre os galhos espinhosos das roseiras
e folhas imensas de tinhorão e murtas
que floriam lilases, brancas e mescladas
como se fossem várias em uma só enxertadas.

No jardim da minha casa tinha caminhos feitos de cimento,
que nos garantiam acesso a todas as plantas,
inclusive a uma “dama da noite”, peculiar no florir
pois abria no anoitecer e fechava-se no amanhecer,
seu perfume, imperativo, exalava tomando toda atmosfera
que, ao entorno dela, pareciam inexistir rosas
que como envergonhadas, encantadas e inanimadas,
descansavam, ou dormiam, talvez enfeitiçadas diante
da sobrevida que passava a imperar
no encantado “jardim da minha casa”!

2 thoughts on “O jardim do éden, nas lembranças da infância do poeta carioca Evanir Fonseca

  1. Pois eu tenho uma história que fala de jardim e foi feita para crianças. Tudo se passa num mundo imaginário em que os pássaros e a flores agem como os humanos:

    O Amor da Rosa Branca
    ———————————-

    Num certo mundo encantado havia um beija-flor
    Que vivia muito ocupado a voar de flor em flor.
    Num constante vaivém, em repetidos clamores,
    Jurava sempre querer bem e amar todas as flores.

    Mas elas sabiam que o que ele mais amava era o perfume
    De uma rosa branca, o que fazia às outras inveja e ciúmes.
    Um dia, porém, surgiu no jardim uma flor muito formosa,
    Pequena como o jasmin e tão perfumada quanto a rosa.

    Com sua graça e encantos ela o beija-flor seduziu,
    E a rosa branca, enciumada, de dor as pétalas tingiu.
    Seus dias então se tornaram sempre tristes e cinzentos
    Sem que nela houvesse ao menos esperança ou alento.

    Certa manhã, porém, muita supresa ela viu
    Enxames de abelhas a voar, e um girassol que se abriu.
    Viu também milhares de jasmins, begônias e margaridas
    Radiantes a festejar a primavera bem-vinda.

    Primavera! Primavera! Parecia a natureza clamar,
    E, por toda parte, fragâncias misturavam-se no ar…
    De repente a rosa branca viu, vindo de um canteiro distante,
    Um pequenino beija-flor, acenando às flores, galante.
    Um frisson incontido por suas pétalas correu:
    Era ele que voltava, afinal, o seu amado Romeu!

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