O jornal impresso não vai morrer. A internet é uma força, mas os jornalões do mundo inteiro se apropriaram da nova tecnologia. E faturam com ela, fundiram as duas coisas, enganando a todos.

Helio Fernandes       

Tenho escrito (e falado) muito sobre o assunto. Examinando o que se desenha como o choque entre o jornal que passou a ser impresso depois de Gutenberg e a importância da internet. Em todas as vezes (incluindo o que registrei aqui na semana passada), deixei bem claro que como aconteceu com o surgimento de outras tecnologias, a internet veio para ficar.Mas não matará o jornal diário, nas bancas ou por assinatura.

Dei várias razões para isso, não vou repetir. Mas ressalvei e ressaltei: o maior problema da internet é a falta de publicidade, de recursos, de anunciantes. No momento, é impossível explicar como a internet consegue sobreviver. Mas não é muito complexo descobrir, proclamar e afirmar: a internet está sendo financiada pelos grandes jornais do mundo.

Agora aparece um americano (logo chamado de “Símbolo e Consultor em Comunicação”), e diz sem o menor constrangimento: “Está sendo acelerada a passagem do jornal impresso para o digital, isso não vai demorar”.

Depois de uma parada para aprofundar sua rica imaginação, volta e garante: “Para a internet só faltam A-N-U-N-C-I-A-N-T-E-S. Ha!Ha!Ha! Qualquer pessoa, seja de onde for, chegará à conclusão: os jornalões garantiram a vitoria sobre a internet. Eram donos dos impressos, agora ganharam o fortalecimento do jornalão, podem publicar diariamente o que só fariam no dia seguinte. Dominam a  notícia, hoje e amanhã.

O grande vitorioso de toda essa tecnologia que deveria ser revolucionária, está sendo capitalizada pelos jornalões antigos, reacionários e enriquecidos. Reforçaram o jornal diário, dão as notícias “em cima da hora” e ainda consolidaram o jornal de papel, que estava visivelmente tendo sua repercussão e circulação diminuída.

Suas verbas publicitárias foram aumentadas no jornal das bancas e das assinaturas (estas um grande negócio, pois não pagam os 35 por cento do jornaleiro das bancas), transferiram uma parte para o jornal da internet. Ganharam em todos os sentidos.

E conseguiram enganar a todos NÓS, que ficamos com a impressão de que a internet trouxe importância para todos. Na verdade somos uns poucos “gatos pingados”, é impossível saber o número, mas não chegamos a 1 por cento da audiência dos sites e blogs, escritos, editados e publicados, que centralizam e dominam tudo.

Questionem aqui mesmo no Brasil. A grande audiência da internet está localizada nos sites dos maiores jornais e revistas. “Jornalistas” que jamais se destacaram, são os “gênios da lâmpada”, financiados e com dezenas de pessoas trabalhando, monopolizam a comunicação.

Façam os testes, examinem com sinceridade, isenção e autocrítica, constatem: somos minorias desassistidas, sem recursos. Ou como disse o americano “símbolo”, inventando a pólvora: “Falta anunciante para a internet”.

Um dos maiores proprietários de órgãos de comunicação impressa, Rupert Murdoch, que jamais entrou numa redação, que nunca trabalhou em jornal ou revista, é hoje o maior proprietário de órgãos de comunicação.

E não só os “clássicos”. Fundou um órgão diário, uma espécie de “O Dia”. Há 5 anos comprou a DirectTV, por 227 bilhões de dólares. E ainda teve que aceitar a exigência do órgão fiscalizador (que nos EUA funciona) “de abrir de graça o sinal para mais de 300 mil pessoas que não podiam pagar”.

*** 

PS – Para terminar: o New York Times, foi o único que não conseguiu transferir a publicidade. Por isso, está em dificuldade, o prejuízo aumenta, já vendeu 12 por cento das ações, principalmente para o bilionário do México, Carlos Slim.

PS2 – A internet é uma realidade, mas é também total e completa mistificação. Temos a impressão de falarmos com o mundo. Na verdade, trocamos informação e opinião que o mundo desconhece, não se interessa, não dá a menor importância.

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