O maior inimigo de Bolsonaro é ele mesmo, que faz tudo o que pode para perder a eleição

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Em 22 de outubro de 2017, praticamente um ano antes da eleição, escrevemos um artigo aqui na Tribuna da Internet sob o título “Se não fizer besteiras, Bolsonaro tem muita chance de passar ao segundo turno”.  Mostrávamos que já estava crescendo muito o apoio ao então pré-candidato, que ainda era filiado ao PSC do pastor Everaldo Pereira, que em maio de 2016 batizara o deputado/capitão nas águas poluídas do Rio Jordão.

No artigo, previmos o surgimento do “Bolsonaro Ternura”, disposto a se reconciliar com as mulheres, os negros, os gays e até os quilombolas, porque o capitão teria de ser travestido em político para conseguir se eleger.

APOIO AOS MILITARES – Nossas expectativas eram baseadas nas pesquisas de opinião, que demonstravam desencanto com a classe política. Uma delas, do Instituto Paraná, indicava que cerca de 35% dos brasileiros já apoiavam uma intervenção militar provisória no país.

E o Ibope também andara pesquisando o tema, registrando que 31% dos brasileiros consideravam a intervenção militar como uma forma de governo “um tanto boa”, e 7%, “muito boa”, num total de 38% de opiniões positivas, contra 55% de manifestações negativas.

Como a tendência era de que Bolsonaro recebesse muitos votos dos eleitores que desistiram dos políticos profissionais, em outubro de 2017 tudo indicava que ele teria muita chance de chegar ao segundo numa eleição fatiada nos moldes da disputada em 1989, vencida por Fernando Collor, que era de um partido insignificante, o PRN.

AUTOCARBURANTE – Ainda nesse artigo, chamamos atenção para o fato de Bolsonaro ter problemas, por “ser do tipo autocarburante, que fala uma bobagem atrás da outra e se queima sozinho”. E acrescentamos:

Bolsonaro não é o candidato dos sonhos da cúpula militar, tem sido eleito pelas patentes inferiores. Os oficiais sabem que ele é despreparado, a preferência seria um general de verdade, como Augusto Heleno, que tem quatro estrelas. Mas vão acabar apoiando Bolsonaro, por falta de opção”.

Quatro anos depois, mesmo falando uma asneira atrás da outra, o presidente poderia alcançar uma reeleição facílima, se tivesse respeitado a ciência no caso da pandemia, não se comportasse de forma tão autoritária e se não procurasse forçar um golpe militar, que em setembro acabou sendo abortado pelo Alto Comando do Exército.

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P.S. 1
Confirma-se, assim, que o maior inimigo do atual presidente é ele próprio. Está cada vez mais autocarburante e parece fazer tudo o que pode para eleger Lula. Tem graves problemas de saúde e não deve forçar o abdome, mas não faz outra coisa, ao montar a cavalo, passar horas dirigindo moto ou brincando de jet-ski na praia, como se fosse um jovem playboy. Se cuidasse melhor da saúde e do país, o presidente faria o bem a todos, mas suas preocupações são outras. (C.N.)

4 thoughts on “O maior inimigo de Bolsonaro é ele mesmo, que faz tudo o que pode para perder a eleição

  1. Puxa vida, que ótimo que o mito não segue os teus conselhos caro C.N., assim correríamos seriíssimos riscos de tê-lo novamente na presidência da república. Como o cara adora se autodestruir vai nos devolver aos desgovernos passados, nos dará de mão beijada o Luladrão com a sua trupe de ladrões.

  2. Análise corretíssima do Bolsonaro.

    Aliás, Bolsonaro já passou atestado público que – além de possuir língua que não cabe na boca – adora pular na bosta com as quatro patas.

  3. Uma ótimo análise por parte do CN.
    Além disso tudo, Bolsonaro tem a visão já consolidada, de um vereador e deputado de quinto escalão, onde as rachadinhas e submissão aos mais intelectualmente abastados é uma questão de sobrevivência.
    Levou isso para o planalto e desta forma entregou o Brasil aos maiores corruptos que poderiam existir.
    É tão desprovido de massa cinzenta, que até isso ele faz se voltar contra ele.

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