O maior inimigo dos ucranianos não é a Rússia, mas o famoso “General Inverno”

Carlos Newton

Assim como ocorreu com Napoleão Bonaparte e com Adolf Hitler, derrotados pelo chamado “General Inverno”, os rebeldes ucranianos pró-Ocidente terão de enfrentar esse implacável e estratégico inimigo. E se eles pensam que a União Europeia ou os Estados Unidos estão dispostos a pagar as contas dessa guerra civil, estão muito enganados.

O comentarista Laco Silva já explicou aqui no Blog os interesses geopolíticos e econômicos em jogo na Ucrânia. Os geopolíticos são ligados à OTAN, dominada pelos EUA e que os russos não querem nessa sua fronteira, e os econômicos se referem ao gás natural e suas consequências para a economia ucraniana, que não tem como pagar a preço de mercado.

“Os russos lhe propuseram preço baixo e um crédito de 15 bilhões de dólares, e a comunidade europeia nem um décimo disso oferece para a vulnerável (como o Brasil) Turquia, que lhe presta relevantes serviços sujos na Síria”, destacou Laco Silva, acrescentando:

“Aliás, para se esquentar, a Europa depende hoje do gás natural russo e paga preço de mercado. Se o povo ucraniano não concorda, eleja seu governo pelo voto nas próximas eleições, se una à Comunidade Europeia e se garanta economicamente na aquisição do gás natural russo a preço de mercado”.

Traduzindo: essa revolta popular vai custar muito caro aos ucranianos, que não têm como pagar preço de mercado pelo gás que a Rússia subsidia para lhes fornecer. O gás será cortado e a Europa não aceitará os ucranianos como imigrantes.

6 thoughts on “O maior inimigo dos ucranianos não é a Rússia, mas o famoso “General Inverno”

  1. Ótimo artigo. Bem equilibrado, parabéns ao CN e ao Laco(ou Iaco? perdoe-me a pergunta) Silva. Pobres ucranianos, em política não se pode ser emotivo… aliás, em nada na vida… Lênin em seu livro “Como Iludir o Povo” explica… infelizmente, no Brasil tb há um culto às emoções… pensam que é coisa boa… emoção é superfície, é preciso ver a profundidade, a essência, o espírito…Para quem gosta da Bíblia: “Não vos enganeis 1Cor 15:33” = disse Lênin: “A verdade não está no início, mas no final, mas precisamente do meio para o final”.

  2. Prezado Newton Carlos. É um bom artigo, mas simplista demais. Ou as coisas são 8 ou são 80. Nem a Rússia vai financiar a Ucrânia, sem submete-la a escravidão, nem o ocidente vai deixar eles morrerem de fome e frio. A Ucrânia é importante demais, pois cobre quase em totalidade a costa do mar Negro. E isto, logisticamente interessa aos russos e americanos. Então, Putin quer manter a Ucrânia no cabresto e o ocidente mante-la independente mas dependente economicamente. Quando um país, gasta mal o que arrecada, acaba devendo um favor para cada santo e o crescimento como um todo fica no zero. Neste mesmo dia, a Tribuna apresenta um artigo sobre a Coréia do Sul. Santa diferença., com a Ucrânia e com o Brasil.

  3. Muito interessante, não somente o artigo do Carlos Newton, mas também os comentários.
    Não é preciso muita esperteza para saber que a Rússia não vai permitir que a OTAN fique na sua cola. Não é questão apenas de inverno, mas da existência das superequipadas forças armadas russas, de seu poder nuclear e de seus generais, oficiais, soldados e povo.
    Como dizia o príncipe Alexander Nevsky: “Há vontade? Então haverá vitória!”

  4. Prezado Carlos Newton,
    Concordo com o comentário do Paulo_2.
    Esse raciocínio é bem simplista.
    Na Ucrânia, o presidente ficou meio vacilante, ou seja, privatizar o gás para a União Européia ou aderir o jogo sujo da Rússia?
    Na Venezuela o povo tenta derrubar o sistema de governo chavista, hoje representado por Maduro, mais um país que faz o jogo da Rússia. Mas por pouco tempo. Aguardemos.
    Enfim, creio que ambos acharão uma maneira de sair do jugo comunista.
    A UE não vai abandonar a Ucrânia, até porque se torna uma questão de afirmação da democracia ocidental. E o mundo observa atento: Não morrerão de frio.

  5. A União Europeia não está em condições de ajudar nenhum país, pelo contrário, precisam da ajuda dos americanos para sair da crise, que vem apertando o cinto das economias desde 2008.

    A primeira ministra da Alemanha, Ângela Merkel, tentou o apoio de Putim, no sentido de evitar o corte no fornecimento de gás russo para a Ucrânia, entretanto, o comandante russo negou. Os europeus, que criaram o monstro, que resolvam agora a questão posta da divisão do país, em pré-guerra civil.

    Nem sempre a política do dividir para reinar costuma dar certo e os europeus sempre utilizam o método. Vai sobrar para a Alemanha, que deverá arcar com 15 bilhões de dólares para socorrer a Ucrânia, que sofre da mesma crise enfrentada pela Grécia. Os ucranianos que se preparem, pois o socorro financeiro virá com medidas anti-populares, como corte nas aposentadorias e pensões, demissão no serviço público, privatizações, diminuição da participação do estado na economia, aumento de preços, enfim, a receita do FMI, que costuma matar o doente na UTI econômica.

    Uma observação relevante neste processo de derrubada do presidente Viktor Yanukovich, que venceu as eleições de 2010, por 3,48 % de diferença do segundo colocado, depois de perder a eleição em 2004, também pela diferença de 3% e ter provocado a famosa revolução laranja, quando meio milhão de ucranianos foram as ruas pleiteando o segundo turno das eleições. Pois bem, o ex- presidente está desaparecido e foi descoberto que tinha uma mansão espetacular, que foi invadida e depredada pelos manifestantes ucranianos. Ao invés de governar o país, se preocupou em enriquecer nas asas da corrupção. Teve então, o destino que ele mesmo procurou.

    Agora, provavelmente, a líder da oposição, Yulia Timoshenko que estava presa por ordem de Yanukovich e foi libertada, vencerá as eleições vindouras, contudo, a crise estará longe de terminar, pois a população terá que se acostumar com mais sacrifícios, que só serão superados se acabar a divisão interna do país, metade russo, metade europeu.

    Que fazer?

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