O maior vencedor chama-se Aécio Neves. Lula também fez bonito, mas o segundo turno é outra eleição, que começa do zero. E o anticandidato Serra, mesmo sem carisma, sem programa, sem empolgação, pode até tentar derrotar o “poste” de Lula. Os dois são iguais.

Carlos Newton

Os grandes vencedores desta eleição, com toda certeza, são o presidente Lula e o ex-governador mineiro Aécio Neves. Ambos provaram que têm tamanho prestígio junto ao eleitorado que realmente são capazes de transferir votos a candidatos sem a menor chance, pois não há a menor dúvida de que tanto Dilma Rousseff quanto Antonio Anastasia não passavam de dois postes. Sem apoio de Lula e Aécio, respectivamente, jamais chegariam onde chegaram hoje.

Mas Aécio ficou na frente, como primeiro colocado no podium da política  nacional, porque a diferença entre ele e Lula é que o ex-governador mineiro conseguiu eleger seu poste no primeiro turno, com quase o dobro do candidato apoiado por Lula (Helio Costa), enquanto Dilma Rousseff terá que amargar mais um mês de sofrimento, sem saber se vai mesmo ganhar. Se vencer, tudo bem, era esperado. Mas se perder, entrará num ostracismo tenebroso, pois dentro de mais alguns meses, ninguém nem se lembrará dela.

Esta é a realidade, porque segundo turno é realmente uma nova eleição, como já ficou demonstrado em 1994 pelo próprio Helio Costa, em Minas Gerais, que no primeiro turno teve 48,8% dos votos válidos, faltando-lhe apenas 1,2% (mais um voto) para se eleger. Mas no segundo turno, o candidato tucano Eduardo Azeredo deu uma virada histórica e ganhou a eleição para o governo de Minas com 58,65% dos votos válidos. Em outros Estados, já houve situações semelhantes. Na verdade, desde que foi criado o segundo turno no Brasil, 12% dos eleitos haviam chegado em segundo lugar no primeiro turno.

Dilma e Anastasia têm muita coisa em comum, como o fato de jamais terem disputado eleições, de fazerem carreira no serviço público e de serem praticamente dois ilustres desconhecidos. A diferença é que Dilma, de uma forma outra, sempre foi ligada à política, desde a militância contra a ditadura, quando jovem, e depois no PDT gaúcho, até largar o partido de Brizola em troca de uma colocação no governo petista de Olívio Dutra (Secretária de Minas e Energia).

Já Anastasia nunca foi militante de partido algum. É um executivo, com impressionante currículo na área da administração pública, como professor (concursado) de Direito na UFMG,  secretário-geral de dois ministérios (Trabalho e Justiça) e por várias vezes secretário de Estado em Minas Gerais.

Há oito anos, no começo dos governos de Aécio Neves, quem apostaria que ele seria sucedido por um candidato chamado Antonio Anastasia. Assim como ninguém, mas ninguém mesmo, há oito anos apostaria que Lula lançaria Dilma Rousseff para tentar sucedê-lo.

A sorte de Dilma (e de seu padrinho) é que o segundo turno será contra o poste José Serra. Imaginem se o PSDB não tivesse feito a burrice de preferir Serra a Aécio Neves. A história seria bem diferente, e hoje certamente nem estaríamos falando em segundo turno, o tucano de Minas já teria fechado a fatura.

Hoje, Aécio teve um vitória política espetacular, mas sofreu também uma grande perda, com a morte do pai, o ex-deputado federal Aécio Cunha, mineiro de Teófilo Otoni. Aécio nem pôde comemorar a eleição de Anastasia. Daqui, nossa solidariedade a ele. A vida é assim mesmo.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *