O mais do mesmo

Carlos Chagas

A extinção do latifúndio virou ampliação do agronegócio e limitação da propriedade rural familiar. A limitação de remessa de lucros para o exterior transformou-se em demolição das barreiras fiscais que impediam o envio do produto da corrupção daqui de dentro lá para fora. O voto do analfabeto é cercado de tantos impedimentos que só tem diminuído, enquanto aumenta o número dos brasileiros que não sabem ler nem escrever. A participação dos empregados no lucro das empresas continua sonho de noite de verão. O estímulo ao crescimento da indústria nacional desapareceu, ao tempo em que murchou a influência dos sindicatos na formulação da política social e trabalhista. A proteção ao trabalho do menor deu lugar à multiplicação do número de crianças exploradas no campo e nas ruas das grandes cidades. A garantia do trabalho virou fumaça em prol das demissões amplas e irrestritas. Exportamos cada vez mais produtos primários do que importamos produtos estrangeiros de valor agregado sempre maior.

Acabamos de alinhar um programa do PSDB ou a cartilha neoliberal dos tempos de Fernando Henrique Cardoso? Nem pensar. A realidade acima referida é praticada pelo governo do PT. Os companheiros abandonaram as propostas do tempo da fundação de um partido que seria diferente dos demais. Importa menos saber se foi o Lula o primeiro responsável pela mudança ou se coube a Dilma consolidá-la. A verdade é que ambos cederam, se é que um dia imaginaram construir um país socialmente adiantado. Assim chegamos ao final do ano e do mandato inicial da presidente da República. Ironicamente, bafejada pelas urnas do mês de outubro. Por isso não houve a apresentação de um plano de metas, durante a campanha.

O pífio ministério que vem sendo definido, mesmo com alguns nomes petistas, carece de defensores de reformas econômicas, políticas e sociais. Pelo contrário, compõe-se, no mínimo, de adeptos do vigente modelo conservador. A única mudança em pauta parece   da criação de limitações para as atividades da mídia. Prevalece o modelo do mais do mesmo, apesar dos 53 milhões de votos dados a Dilma Rousseff. Os eleitores foram enganados ou enganaram?

AVENIDAS E ESTÁTUAS

Fica para outro dia analisar o papel do marechal Costa e Silva na presidência da República, registrando-se apenas que morreu tentando acabar com o AI-5, inclusive num último esforço para assinar o nome, que já não conseguia em função do derrame cerebral que o acometeu. O problema é que acabamos de assistir o prefeito de sua cidade natal, Taquari, no Rio Grande do Sul, mobilizar um guindaste para demolir estátua feita em sua homenagem numa das praças principais.

A iniciativa lembra outra, acontecida em 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas estava para ser deposto do palácio do Catete. Horas antes de dar um tiro no peito e mudar a História do Brasil através de um dos mais importantes documentos da República, a carta-testamento, seus adversários confeccionaram cartazes de papelão com os dizeres “Avenida Castro Alves”, que foram colados em cima das placas onde há anos se lia “Avenida Getúlio Vargas”. A reação popular arrancou os inusitados cartazes e botou os energúmenos para correr.

A gente fica pensando o que acontecerá daqui a cinqüenta ou cem anos com as estátuas que fatalmente serão erigidas para homenagear o Lula e a Dilma…

One thought on “O mais do mesmo

  1. Carlos Chagas, não concordo com essa frescura de derrubar estátuas, seja de quem seja. A história de um povo deve ser perpetuada , inclusive seus símbolos de uma época. Acho uma estupidez políticos medíocres quererem aparecer derrubando estátuas e mudando nome de pontes, como quer mudar o indisível Chico Alencar do PSOL (partido que incentiva matar cinegrafistas , como foi visto aqui no Rio-RJ), o nome da ponte Rio-Niteroi de nome Costa e Silva. Sobre Costa e Silva, ninguém melhor que você para falar, haja vista que com ele privaste em seu período governamental. Sobre a “hestória” que botaram papelão nas placas da avenida Presidente Vargas pouco antes de Getúlio suicidar-se, SÓ VOCÊ É QUE VIU. NINGUÉM MAIS TOMOU CONHECIMENTO. Eu servia ali perto no STM na Praça da Reública com o Almirante Benjamin Sodré e nunca vi isso e nem li ou ouvi na mídia. Muita gente que viveu àquela época ainda vive. TOMA JUÍZO, CHAGAS: NÃO TE DEIXE EMPOLGAR PELA FANTASIA.

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