O Mão Cheinha

Sebastião Nery

Esta é uma velha e clássica história de Teresina. Mão Cheinha era louco lá no Ceará. Trouxeram-no para o Sanatório Meduna, Hospital de Psiquiatria, instituição modelo que o gênio do médico e deputado Clidenor de Freitas fundou em Teresina na década de 30 do século passado, implantando métodos revolucionários para a época, abolindo as correntes e enfermarias fechadas.

Com o tempo, Mão Cheinha virou louco-chefe. Tomava conta dos outros. Há sempre um muito louco cuidando dos menos loucos. No jardim enorme do sanatório, onde os doentes, soltos, passavam o dia, havia, entre muitas outras, uma alta mangueira que nunca dava manga.

Mão Cheinha não entendia aquilo. Mangueira tinha que dar manga. Um dia, chamou oito loucos: “Olha, minha gente, vocês são mangas maduras. Vão lá para cima. Quando eu gritar, as mangas caem, porque manga madura cai, uma a uma.”

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AS MANGAS

Os oito subiram. Mão Cheinha gritou:

– Manga um!

Poff!! E um louco se esborrachou no chão.

– Manga dois! Manga três! Manga quatro! Manga cinco! Manga seis!

E eles iam se largando lá de cima e arrebentando-se cá embaixo. Mão Cheinha gritou:

– Manga sete!

O sete respondeu:

– Mão Cheinha, chama a manga oito, que eu ainda estou verde!

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TARSO GENRO

Em política, é inevitável. Aparece sempre um Mão Cheinha. Abriu uma brecha, lá está ele, com as soluções mais estapafúrdias. É o espertinho, o pescador de águas turvas. Ou maluco como Mão Cheinha ou muito vivo como nosso herói, com seus olhinhos miúdos de laboratório. 

Em 2006, com Palocci escondido com medo da cadeia, para ocupar o posto de leão-de-chácara dos banqueiros no governo Lula, surgiu lá do Rio Grande do Sul o Tarso, que é um ossinho duro de roer, e ninguém sabe de quem é genro. Rapaz brilhante, preparado, Tarso resolveu matricular-se a serviço do mal.

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DESUMANIDADES

Em 2006, a Malu Delgado estava em um seminário, em SP, do Cebrap, fundado por FH, e do Inglês IDS (Institute of Developement Studies), onde Tarso pôs as mangas de fora, defendeu as mais radicais e desumanas propostas da Febraban, dos banqueiros e seus vampiros sociais:

1. “Tarso defendeu redução drástica de despesas, com cortes de salários (sic), pensões (sic) e aposentadorias (sic) como uma medida exemplar”.

2. “Disse ser preciso remover o conceito arcaico de direito adquirido e eliminar privilégios que a Constituição deu a quem não contribuiu”.

Isso aí é uma maneira disfarçada, tortuosa, digamos a palavra exata, covarde, de mandar recados para agradar os banqueiros, sem abrir o jogo:

1. Como acabar com o “conceito arcaico do direito adquirido?” Lula iria querer dar uma de Chávez, mudar na bruta a Constituição para anular pensões e aposentadorias garantidas pela Constituição e fixadas por leis?

2. Quando Tarso fala em “eliminar privilégio que a Constituição de 88 deu aos que não contribuíram”, ele está fazendo uma das mais brutais e imundas ameaças que alguém já fez no País. Quer acabar com os 6,1 milhões de aposentadorias rurais e as dos inválidos e velhos assistidos pelo INSS, que nunca contribuíram ou não contribuíram com regularidade para a Previdência Social e se aposentaram ganhando hoje um mísero salário mínimo.

3. O Funrural foi criado pelo regime militar (era meio salário mínimo de aposentadoria), ampliado pelo governo Collor (que passou para um salário mínimo) e consagrado pela Constituição de 88.

4. Outra sugestão nitidamente nazista é desvincular as aposentadorias do salário mínimo. É mais um criminoso mata-velhinho do PT, como o Berzoini. Quer congelar as aposentadorias, até perderem totalmente o valor.

Tarso é o Mão Cheinha dos velhinhos.

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