O mensalão e as eleições

Carlos Chagas

Acertado o ritual do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, a pergunta que se faz é sobre suas conseqüências a curto e médio prazo. Devendo realizar-se em agosto e parte de setembro, o julgamento estará em plena ebulição quando começar a propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão, dia 26 de agosto. Como se comportarão os candidatos e os cabos eleitorais do PT, a começar pelo Lula, em suas aparições?

Ao pedir votos para Fernando Haddad, em São Paulo, Humberto Costa, em Recife, e outros em outros estados, o ex-presidente vai ignorar a condenação de alguns de seus companheiros, se tiver sido proclamada? E os adversários, em especial da oposição, deixarão de se referir às acusações contra o PT? Pouparão o Lula, pois o mensalão aconteceu durante seu governo?

Que efeitos terão no eleitorado sentenças condenatórias exaradas sobre figuras de expressão do partido?

Outro reflexo do desconforto fatalmente gerado na campanha eleitoral atingirá os trabalhos parlamentares. O PT não deixará de aproveitar a CPI do Cachoeira para aumentar o tom de críticas e de denúncias contra o PSDB e o DEM. Elevar a temperatura nas oitivas e debates será forma de contrabalançar o julgamento no Supremo. Ruim também para Demóstenes Torres, quando também em agosto o plenário do Senado estiver decidindo sobre a cassação de seu mandato, em meio à decisão da mais alta corte nacional de justiça.

E no governo Dilma? A presidente quer seus ministros fora das discussões sobre o mensalão, mas nem ela nem boa parte deles deixarão de ser atingidos por supostas condenações de companheiros. Pertencem ao PT, são leais ao partido, até pedirão votos para seus candidatos.

Em suma, explica-se porque o Lula tentou, sem conseguir, adiar para o ano que vem o julgamento dos mensaleiros.

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LIÇÕES DE RUY BARBOSA

Para o senador Demóstenes Torres:

“Todo aquele que tiver, como eu, vivido a vida política, há de ter experimentado a inutilidade absoluta de defender-se contra a calúnia, porque, se a esmagarmos, ressurgirá no outro dia mais dilatada e vivaz do que nunca.”

Para Fernando Haddad:

“Eu sou de sacrifícios. Se fosse para a vitória, não me convidariam, nem eu aceitaria, mas, como é para a derrota, aceito. Perderemos, mas o princípio da resistência se salvará. E vencerá.”

Para Aécio Neves:

“É perigosa a situação que se apresenta? Tanto melhor. Nos dias de opressão, ser oposição é uma honra. A desonra é ser governo. O meu programa está na minha vida. Vocês tem a máquina oficial. Nós temos a nação.”

Para Rui Falcão:

“Os governos arbitrários vivem rasteiramente da mediocridade, da adulação, da mentira, da injustiça,da crueldade e da desonra. A palavra os aborrece, porque a palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade.”

Para Dilma Rousseff:

“Nenhuma desgraça maior pode acontecer a um presidente do que ter um ministério de capachos, sem a altivez de objetar aos desacertos e com a dobrez de subscrever todos os erros. Mas nem sempre os governos representam os povos. Alguma coisa há que vale mais do que tais governichos de opróbrio, aventura e corrupção.”

Para o PT:

“A imprensa é o meio de correspondência entre o Congresso e a nação, é o ambiente onde nação respira e respira o Congresso. Eliminada a imprensa, está decretada a asfixia, seqüestrada a representação nacional, condenada a nação a uma atmosfera de calabouço. A imprensa não é só uma liberdade individual, é ainda uma grande instituição da ordem política. Sem ela expira o governo do povo.”

Para o Lula:

“Ninguém o admira mais do que eu. O que eu não gosto é desse costume que ele tem de fazer a barba da gente sem sabão…”

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