O mensalinho da Delta

Sebastião Nery

Francisco Lacerda, o Chiquinho Lacerda, era governador do Espirito Santo na noite de 31 de março do golpe militar de 1964. As notícias de Minas ainda estavam confusas, ele se trancou no gabinete com os assessores Mário Gurgel (depois deputado do MDB, cassado em 1969) e Setembrino Pelissari (depois deputado da Arena e prefeito de Vitória).

Preparou dois manifestos. Um contra o movimento militar, para, se fosse o caso, ser lido por Gurgel. Outro, a favor, para, também se fosse o caso, ser lido por Setembrino. E ficou esperando, de ouvido no rádio e boca no telefone, falando com o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

De repente, toca o telefone no gabinete. Era o coronel comandante do 3º BC de Vila Velha, o mais graduado comando militar do Estado:

– Boa noite, governador. Como estão as coisas?:

– Não sei, coronel. O senhor sabe?

– Sei, governador. Mas antes quero saber de que lado, afinal de contas, o senhor está.

Chiquinho parou, pensou, gaguejou:

– Estou do lado da Escola Normal, coronel.

O coronel bateu o telefone, desligou. O Palácio Anchieta, em Vitória, dá os fundos para a Escola Normal.

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CHIQUINHO

Chiquinho Lacerda, como governador, havia conspirado com o governador de Minas, Magalhães Pinto, fez Marcha da Família com Deus pela Democracia contra o Comunismo e saudou a “Revolução Redentora”.

Os inquéritos levantaram pilhas de provas contra ele. Mas Chiquinho foi ficando no governo. Eurico Rezende, deputado federal e representante de Chiquinho nas jogadas nacionais, armou um esquema para salvá-lo.

Na época, Heron Domingues e José Ayler Rocha tinham a agência de promoções “Pro-News”. Eurico pediu um plano de relações públicas para evitar a cassação de Chiquinho. Oliveira Bastos, chefe da equipe de Heron, foi a Vitória conversar com ele. Trancaram-se numa sala e Bastos passou a mostrar ao governador o que era possível fazer e como devia ser feito.

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HERON

– E quanto vai custar isso?

– 150 milhões, governador. Mas sem isso o senhor será inevitavelmente cassado.

– Olhe, meu caro, eu, não estou me incomodando de ser ou não ser cassado. O que eu não quero é que o governo toque em meu patrimônio. Isso é que me interessa e me preocupa. Por que então iria desfalcar meu patrimônio em 150 milhões? Se eles quiserem, eu saio. Contanto que não bulam no que é meu.

Chiquinho renunciou, não foi cassado e salvou todo o patrimônio. Inclusive os 150 milhões que não pagou à agência de Heron e Zé Ayler.

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O COCHO

A Leilane Neubarth, no seu excelente programa das 18 horas da “Globo News”, diz que a CPI do Carlinhos Cachoeira está sendo “um retumbante fracasso”, porque o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, como advogado, não deixou Cachoeira falar nem deixará os outros que irão lá.

Não é só o Cachoeira. Atrás dele está a Delta, que é o José Dirceu do “Mensalinho”. A Delta é o caixa, o cofre, a fábrica do dinheiro. Ela é que armou e financiou a brutal máquina de corrupção em todos os Estados. Na “Folha”, o Fernando Rodrigues pôs o dedo na ferida :

– “Sem quebrar o sigilo da Delta nacionalmente, jamais a CPI do Cachoeira chegará a uma conclusão definitiva se esta empreiteira praticava ou não traficâncias diversas”.

A Delta tem com ela o maior time de advogados e lobistas que já se juntou no pais para defender uma só empresa corrupta: Marcio Thomas Bastos, José Dirceu, Henrique Meirelles, Lula, o PT, governadores. É mais do que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) inteira. Vamos ver como vão agir o presidente, o relator e a maioria da CPI, que é governista.

Se não quebrarem o sigilo bancário da Delta, vai ficar claro que Cavendish e Cachoeira puseram todos no cocho. Como Chiquinho Lacerda, estariam todos interessados apenas que não bulam no dinheiro deles.

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PALESTINA

Ancelmo Gois veio de Frei Paulo para enxergar longe:

– “Ahmadinejad vem. A confirmação do Irã chegou. Mahmoud Ahnadinejad vem à “Rio+20”. A comunidade judaica deve organizar protestos contra o iraniano”.

Todos sabemos : – “Quem não aprende com a historia vive-a de novo”. A “comunidade judaica” imagina que no Brasil só há judeus, não há árabes também? Estão querendo o quê? Fazer daqui uma Faixa de Gaza?

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